Mapa de questões · 1º dia
Questão 34 — ENEM 2023 PPL

Disponível em: www.fapcom.edu.br. Acesso em: 20 nov. 2021.
Nesse texto, ao combinar os gêneros anúncio e manchete de notícia, o autor pretende
Alternativas
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Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → leitura multimodal, gêneros textuais (anúncio e manchete de notícia) e intertextualidade
- ⚡ Nível: Médio — a mensagem central é perceptível na imagem, mas três alternativas (B, D, E) são armadilhas plausíveis que exigem leitura atenta do slogan para serem descartadas
- 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecer, em textos verbais e não verbais, os efeitos de sentido criados pela combinação de gêneros textuais e identificar a intenção crítica do autor
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Ao misturar, na mesma peça, o formato de manchete jornalística com a estrutura de um anúncio publicitário, que efeito de sentido o autor pretende provocar no leitor?"
- Palavras-chave decisivas: combinar os gêneros, anúncio, manchete de notícia
- Armadilha típica: confundir o conteúdo da manchete falsa (uma celebridade atravessando a rua) com o alvo da crítica do texto, concluindo erroneamente que a peça fala sobre a vida de famosos ou sobre publicidade em si — quando, na verdade, ambos são apenas o instrumento usado para atacar uma prática jornalística.
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que a junção dos dois gêneros — um anúncio que empresta a forma de manchete — serve para expor, por contraste, o que a mídia noticia versus o que ela silencia.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Gênero anúncio publicitário: texto persuasivo, estruturado em imagem de forte impacto + frase de efeito (slogan) em destaque, geralmente no rodapé, criada para fixar uma mensagem na mente do leitor. Nesta peça, a "marca" fixada não é um produto, mas uma reflexão sobre o jornalismo.
- Gênero manchete de notícia: título curto, direto, escrito para anunciar o fato mais relevante de uma matéria e capturar a atenção do leitor pela importância (real ou suposta) do que relata.
- Intertextualidade/hibridismo de gêneros: ocorre quando um texto assume, propositalmente, a forma de outro gênero para ganhar força argumentativa, ironia ou choque. Aqui, o anúncio "veste-se" de manchete de jornal para simular, na prática, o tipo de notícia que costuma ocupar espaço na mídia.
- Crítica social pela antítese entre imagem e texto: o confronto entre a cena fotografada (um homem em contexto de vulnerabilidade social) e o conteúdo do cartaz que ele segura (uma fofoca de celebridade) gera um contraste que é, ele mesmo, o argumento central da peça.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1 (imagem): um homem negro, sem camisa, sentado sobre um banco rústico em um cenário de moradia precária — paredes descascadas, chão de terra batida — segura um cartaz manuscrito com os dizeres "ATRIZ É VISTA ATRAVESSANDO A RUA" → o cartaz-manchete reproduz, de propósito, o tipo de notícia banal e vazia que costuma ganhar destaque na mídia, enquanto a própria realidade retratada na fotografia — a precariedade em que vive quem segura o cartaz — permanece invisível como pauta jornalística.
- Evidência 2 (slogan em letras garrafais, como o rodapé de um anúncio): "O PROBLEMA NÃO É O QUE VIRA NOTÍCIA, MAS O QUE DEIXA DE SER." → frase de efeito que resume, em tom de conclusão publicitária, a tese da peça: o problema não está na quantidade de fatos triviais que são noticiados, mas nos temas relevantes — como a desigualdade social visível na própria foto — que a imprensa deixa de cobrir.
- Síntese: a fotografia fornece a matéria-prima visual da crítica (o contraste entre a manchete fútil e a realidade dura de quem a segura), e o slogan fornece a tese verbal que fecha o raciocínio (o silenciamento de pautas importantes é o verdadeiro problema). Juntas, as duas camadas do anúncio constroem uma denúncia da superficialidade da cobertura jornalística — e o fato de a fonte ser uma faculdade de comunicação (FAPCOM) reforça a leitura de que se trata de uma peça institucional de reflexão sobre a ética da imprensa, e não de uma publicidade comercial comum.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar os dois gêneros combinados
O enunciado avisa que o autor combina "anúncio" e "manchete de notícia". Observando a peça: a estrutura geral — foto de grande impacto seguida de uma frase-síntese em destaque, em caixa alta e negrito, no rodapé — é típica de anúncio publicitário ou institucional. Dentro dela, o cartaz que o homem segura imita graficamente uma manchete de jornal: frase curta, incisiva, escrita à mão em letras de forma, como se fosse a chamada de capa de um jornal popular. É essa manchete "emprestada" para dentro do anúncio que sustenta todo o efeito de sentido da peça.
Subpasso 4.2 — Interpretar o conteúdo da manchete emprestada
"Atriz é vista atravessando a rua" é, propositalmente, uma "notícia" sem nenhuma relevância real: atravessar a rua é uma ação corriqueira, comum a qualquer pessoa, e o único elemento que a tornaria "notícia" é o fato de a protagonista ser uma celebridade. O autor escolhe esse exemplo extremo de trivialidade — quase um exagero cômico — para representar, de forma didática, um padrão real de cobertura jornalística: fatos banais viram manchete apenas por envolverem famosos, ocupando espaço editorial que poderia ser usado para pautas socialmente relevantes.
Subpasso 4.3 — Cruzar a manchete com quem a segura e com o slogan
Quem segura o cartaz é um homem cuja aparência e cenário — moradia precária, ausência de conforto material — simbolizam uma realidade social urgente (desigualdade, pobreza, marginalização), mas que raramente vira manchete principal dos noticiários. O slogan verbaliza exatamente esse contraste: "o problema não é o que vira notícia [a fofoca fútil sobre a atriz], mas o que deixa de ser [a realidade social retratada na própria imagem]." Em outras palavras, o anúncio usa a manchete vazia como prova concreta de um vício editorial recorrente: valorizar o trivial e omitir o essencial.
Subpasso 4.4 — Verificação
Reunindo os elementos — gênero anúncio (para fixar uma mensagem de forma persuasiva e memorável) + gênero manchete (para simular, na prática, o tipo de notícia que costuma dominar os veículos) + contraste visual entre a manchete e a realidade do homem + slogan explicitando "o que deixa de ser [notícia]" —, toda a peça converge para uma única leitura coerente: uma crítica à superficialidade do que a mídia escolhe noticiar. Essa conclusão corresponde integralmente à alternativa C, e nenhuma outra alternativa dá conta simultaneamente da manchete, da imagem e do slogan.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) destacar a variedade de informações divulgadas na mídia.
❌ Incorreta: a peça não celebra a diversidade de pautas noticiadas — ao contrário, denuncia a falta de variedade relevante, mostrando que a mídia se concentra em fatos triviais (celebridades) e ignora temas sociais urgentes. A ideia de "variedade" contraria diretamente o sentido de "o que deixa de ser [notícia]", que aponta para uma ausência, não para uma amplitude.
B) aproximar o leitor da realidade vivenciada pelas celebridades.
❌ Incorreta: a manchete sobre a atriz não busca informar ou humanizar a vida de celebridades; ela é usada de forma irônica, como exemplo do tipo de conteúdo raso que a imprensa privilegia. A "realidade" que a peça efetivamente quer aproximar do leitor é a do homem retratado na imagem — não a da atriz mencionada no cartaz.
C) criticar a superficialidade de notícias em veículos de comunicação.
✅ Correta: a combinação da manchete fútil ("atriz atravessando a rua") com a imagem de vulnerabilidade social e o slogan "o que deixa de ser [notícia]" constrói exatamente essa crítica — os veículos de comunicação priorizam o superficial em detrimento do que realmente importa socialmente.
D) ilustrar a inclusão da população carente em campanhas publicitárias.
❌ Incorreta: o homem retratado não representa uma campanha de inclusão publicitária, como as de diversidade em marcas comerciais; ele funciona como instrumento visual de uma crítica ao jornalismo. Não há, na peça, qualquer menção à inclusão da população carente como consumidora ou protagonista de publicidade — o foco é o silenciamento midiático dessa realidade, não sua exploração comercial.
E) conscientizar o leitor acerca da responsabilidade social nos anúncios.
❌ Incorreta: esta alternativa tenta confundir o leitor trocando o alvo da crítica — o texto trata da responsabilidade (ausente) dos veículos de comunicação ao noticiar, isto é, do gênero notícia, e não da responsabilidade social de quem produz anúncios publicitários. A própria peça é o veículo da crítica, não o seu objeto.
🏆 Gabarito: C — o anúncio combina uma manchete deliberadamente banal com a imagem de uma realidade social ignorada pela mídia para denunciar, por contraste, a superficialidade do que os veículos de comunicação escolhem noticiar.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa C interpreta corretamente o contraste entre a manchete vazia e a realidade grave retratada na foto, dando conta do slogan "o que deixa de ser [notícia]" como núcleo da crítica da peça.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa anúncios de cunho social/institucional — de ONGs, campanhas de conscientização ou instituições de ensino como a FAPCOM — para testar se o candidato reconhece a intenção crítica por trás da combinação de linguagem verbal e não verbal.
- Generalização: sempre que um anúncio "emprestar" a forma de outro gênero (manchete, bula, receita, boletim), pergunte-se: o que esse empréstimo revela por contraste com a imagem ou com o contexto em que aparece? A resposta certa quase sempre está nesse contraste, não em uma leitura literal do conteúdo do gênero emprestado.
- Dica de eliminação rápida: localize primeiro o slogan — em anúncios, ele quase sempre é a tese do texto. Em seguida, elimine as alternativas que tratam o conteúdo da manchete (a celebridade) como se fosse o tema real da peça (descartam-se B e D) e as que deslocam o alvo da crítica de "notícia" para "anúncio" (descarta-se E).
- Conexões: interpretação de charges e cartuns de crítica social; textos publicitários institucionais de ONGs e campanhas de conscientização; efeitos de sentido produzidos por manchetes jornalísticas.
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