Mapa de questões · 1º dia
Questão 26 — ENEM 2023 PPL

LAERTE. Mapa-múndi. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 24 out. 2021.
Nesse cartum, a predominância da função poética da linguagem manifesta-se na
Alternativas
Resolução em Vídeo
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Funções da Linguagem (função poética) e leitura do gênero cartum (linguagem verbo-visual)
- ⚡ Nível: Médio — a alternativa B é uma armadilha por descrever traço estrutural do gênero cartum, não a função poética pedida no comando.
- 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecer a função poética em texto multissemiótico (cartum), identificando o trocadilho como recurso que revela a visão autoral sobre o tema.
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Em qual alternativa está o efeito de sentido que comprova que a linguagem do cartum está voltada para si mesma — explorando forma e ambiguidade (função poética) — e não apenas informando?"
- Palavras-chave decisivas: função poética, predominância, manifesta-se
- Armadilha típica: confundir traço estrutural do gênero cartum (palavra + imagem) com a função poética em si — todo cartum articula verbal e visual, mas isso, isoladamente, não define predominância poética.
- O que a resposta precisa demonstrar: que a mensagem foi trabalhada esteticamente por um jogo sonoro/semântico com "mapa-múndi", expondo leitura pessoal e singular da cartunista sobre a geografia.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Funções da linguagem (Jakobson): todo ato comunicativo enfatiza um dos seis elementos da comunicação — emissor (emotiva), receptor (apelativa), contexto (referencial), canal (fática), código (metalinguística) ou a própria mensagem (poética).
- Função poética: manifesta-se quando a linguagem chama atenção para sua forma — sonoridade, ritmo, ambiguidade, jogo de palavras. Não é exclusiva de poemas: aparece em propagandas, tirinhas e cartuns.
- Cartum: gênero humorístico que condensa uma crítica em cena única (sem sequência narrativa, ao contrário da tira), articulando texto e imagem — traço estrutural do gênero, não sinônimo automático de função poética.
- Trocadilho (paronomásia): recurso poético que explora semelhança sonora entre expressões de sentidos diferentes para gerar significado novo — aqui, "mapa-múndi" vira "mapa é mundi".
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
Dois rostos em perfil, um de cada lado, seguram com as mãos as bordas de uma mesma folha — cada um enxerga o mundo a partir do próprio ponto de vista. No centro, entre os dois perfis, há uma rosa dos ventos estilizada, símbolo tradicional de orientação cartográfica. Acima de cada rosto, em cor diferente, lê-se metade de uma frase que só fecha sentido quando lida em conjunto:
- Evidência 1: "QUANDO TUDO SE CONFUNDE" → situa o leitor em desorientação simbólica e existencial, não uma dificuldade técnica de leitura de mapas.
- Evidência 2: "QUALQUER MAPA É MÚNDI" → rompe o substantivo composto cristalizado "mapa-múndi" e o reescreve como oração, sugerindo que, em meio à confusão, qualquer mapa vale como representação universal — jogo sonoro-semântico típico da função poética.
- Síntese: a frase dividida, somada à rosa dos ventos central e aos dois perfis que observam a mesma folha de ângulos opostos, constrói poeticamente a ideia de que a cartografia — e a geografia — não é neutra nem única, mas atravessada pela subjetividade de quem a lê e desenha: a marca autoral de Laerte.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o recurso central: o trocadilho fônico-semântico
O efeito de sentido nasce da quebra do termo cristalizado "mapa-múndi". Foneticamente, "mapa múndi" (substantivo composto = mapa do mundo inteiro) é quase idêntico a "mapa é mundi" (sujeito + verbo de ligação + predicativo). Essa homofonia — mesmo som, sentidos distintos — é recurso clássico da função poética: a mensagem chama atenção para a própria forma sonora e gramatical, não só para a informação referencial que carregaria.
Subpasso 4.2 — Relacionar o trocadilho ao efeito de sentido pretendido
Ao "desmontar" mapa-múndi em "mapa é mundi", Laerte sugere que, em contexto de confusão generalizada, qualquer mapa passaria a valer como representação do mundo — a cartografia deixaria de ser ciência objetiva e se tornaria tão instável quanto a percepção humana diante do caos. Isso não é um dado objetivo da geografia enquanto disciplina: é leitura pessoal, crítica e bem-humorada da cartunista, construída pela manipulação poética da linguagem — a singularidade da percepção da autora sobre a área de geografia.
Subpasso 4.3 — Verificação
Retomando o comando, a função poética manifesta-se no ponto em que a forma da linguagem (o jogo mapa-múndi/mapa é mundi) produz sentido novo e autoral sobre a geografia — o que corresponde à alternativa C. As demais alternativas descrevem traços do gênero (texto-imagem, cartografia, organização de mapa, atlas), não a função da linguagem pedida.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) ênfase dada à dificuldade de compreensão de um atlas.
❌ Incorreta: o cartum não menciona atlas; a "confusão" do texto é existencial e simbólica, não uma crítica à legibilidade técnica de mapas.
B) articulação entre a expressão verbal e as imagens representadas.
❌ Incorreta: é traço estrutural de qualquer cartum enquanto texto verbo-visual, com ou sem função poética predominante — descreve o suporte, não o que torna a linguagem poeticamente centrada em si mesma. É a armadilha da questão.
C) singularidade da percepção da autora sobre a área de geografia.
✅ Correta: o trocadilho "mapa-múndi"/"mapa é mundi" materializa a função poética — a forma da linguagem é explorada para expressar visão pessoal e crítica de Laerte sobre a instabilidade da representação geográfica em tempos de confusão.
D) construção de uma representação cartográfica diferente.
❌ Incorreta: o cartum não propõe nova projeção ou mapa alternativo; a rosa dos ventos e os perfis são símbolos de orientação, não reformulação técnica da cartografia.
E) forma de organização das informações do mapa-múndi.
❌ Incorreta: não há informações geográficas organizadas (países, dados territoriais) a serem lidas — existe um jogo verbal sobre o termo "mapa-múndi", não reorganização de conteúdo cartográfico.
🏆 Gabarito: C — a função poética predomina porque a linguagem do cartum se volta sobre si mesma (o trocadilho mapa-múndi/mapa é mundi) para expressar a percepção singular e autoral de Laerte sobre a geografia em tempos de confusão.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a alternativa C nomeia o efeito da função poética — visão pessoal da autora sobre a geografia, construída pela manipulação sonora de "mapa-múndi" — e não apenas a presença conjunta de texto e imagem.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorre a cartuns, tirinhas e peças publicitárias para testar as funções da linguagem de Jakobson, sempre exigindo que o candidato identifique QUAL função predomina e ONDE ela se manifesta.
- Generalização: sempre que um texto brincar com sons, sentidos duplos ou expressões cristalizadas, a função poética está em jogo — a alternativa correta aponta o efeito de sentido gerado, não apenas descreve o gênero textual.
- Dica de eliminação rápida: descarte alternativas que descrevem traços genéricos do gênero (texto + imagem, organização de informações) — valem para qualquer cartum, com ou sem jogo poético.
- Conexões: funções da linguagem de Jakobson; leitura de charges e cartuns; recursos de humor verbal (ambiguidade, ironia, trocadilho).
Comunidade Memorize · Grátis
Não perca nenhuma live, aula ou material.
Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.