Mapa de questões · 1º dia
Questão 47 — ENEM 2023 PPL
Saga da Amazônia
Mas o dragão continua a floresta devorar.
E quem habita essa mata, pra onde vai se mudar?
Corre índio, seringueiro, preguiça, tamanduá.
Tartaruga, pé ligeiro, corre, corre tribo dos Kamaiurá.
FARIAS, V. Disponível em: www.letras.com.br. Acesso em: 15 out. 2021 (fragmento).
Para solucionar o problema apresentado no texto, qual medida governamental é necessária?
Alternativas
Resolução em Vídeo
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Questão ambiental brasileira; desmatamento na Amazônia; papel do Estado na proteção de territórios e populações tradicionais
- ⚡ Nível: Médio — o texto é acessível, mas o comando exige distinguir uma medida de Estado efetiva das alternativas que invertem a lógica de proteção
- 🎯 Tema/Habilidade: Conflitos socioambientais na Amazônia e avaliação de políticas públicas de intervenção no território
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual ação do poder público é capaz de resolver a destruição da floresta e a expulsão de seus povos e animais descrita na canção?"
- Palavras-chave decisivas: o dragão continua a floresta devorar, quem habita essa mata, pra onde vai se mudar, medida governamental é necessária
- Armadilha típica: escolher uma alternativa que soa "ambiental" sem checar se ela protege ou ataca justamente quem já usa a floresta de forma sustentável
- O que a resposta precisa demonstrar: que o problema é a exploração predatória dos recursos naturais e que cabe ao Estado, no exercício do poder de polícia ambiental, fiscalizá-la
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Exploração predatória: uso dos recursos naturais acima da capacidade de reposição do ecossistema — desmatamento, extração ilegal de madeira, garimpo, caça e tráfico de fauna.
- Fiscalização ambiental: conjunto de ações do Estado (Ibama, ICMBio, Polícia Federal, órgãos estaduais) para monitorar, autuar e reprimir atividades ilegais; é o instrumento clássico de controle do desmatamento na Amazônia.
- Extrativismo sustentável: coleta de produtos da floresta sem derrubá-la, como a extração de látex feita pelos seringueiros; modelo associado a Chico Mendes e às Reservas Extrativistas (RESEX).
- Terras devolutas: terras públicas sem destinação registrada, historicamente o alvo preferencial da grilagem e da abertura de novas frentes de desmatamento.
- Povos e populações tradicionais: indígenas (como os Kamaiurá, do Alto Xingu), seringueiros, ribeirinhos e quilombolas, cuja reprodução física e cultural depende da floresta em pé.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Mas o dragão continua a floresta devorar" → o "dragão" é a metáfora da exploração predatória que avança sobre a Amazônia; o verbo "devorar" indica consumo destrutivo dos recursos naturais.
- Evidência 2: "E quem habita essa mata, pra onde vai se mudar? / Corre índio, seringueiro, preguiça, tamanduá" → a destruição atinge simultaneamente povos indígenas, extrativistas tradicionais e fauna, ou seja, todos os que dependem da floresta preservada.
- Síntese: o texto denuncia a exploração descontrolada dos recursos naturais da Amazônia; a medida governamental cabível é justamente controlar essa exploração — fiscalizá-la —, e não restringir quem vive da floresta sem destruí-la.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar com precisão o problema apresentado
A canção de Vital Farias descreve o avanço contínuo da destruição da Floresta Amazônica ("o dragão continua a floresta devorar") e sua consequência imediata: a expulsão de quem ali vive. A enumeração é deliberada e mistura gente e bicho — "índio, seringueiro, preguiça, tamanduá / Tartaruga, pé ligeiro, corre, corre tribo dos Kamaiurá" —, mostrando que o dano recai sobre povos indígenas, populações extrativistas e fauna ao mesmo tempo. O problema, portanto, não é um conflito entre esses grupos: é a exploração predatória que atinge todos eles.
Subpasso 4.2 — Entender o que o comando está pedindo
O comando pede uma "medida governamental necessária" para solucionar esse problema. Isso restringe a resposta a uma ação de Estado, e não a um comportamento individual ou a uma mudança de mercado. Como a causa do dano é a exploração ilegal e descontrolada dos recursos naturais, a ação estatal que ataca essa causa é o controle sobre quem explora, o que explora e em que quantidade — atribuição exercida por meio da fiscalização ambiental.
Subpasso 4.3 — Verificação
Fiscalizar a exploração dos recursos naturais interrompe o desmatamento ilegal, a extração de madeira sem licença, o garimpo clandestino e a caça — todas as formas concretas assumidas pelo "dragão" do texto. Ao conter a atividade predatória, essa medida protege simultaneamente a mata, os povos indígenas, os seringueiros e a fauna citados na canção, que é exatamente o resultado exigido pelo comando. A alternativa E se confirma.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Ampliação do número de terras devolutas.
❌ Incorreta: terras devolutas são terras públicas sem destinação definida e, historicamente, o principal alvo da grilagem na Amazônia. Ampliar essa categoria aumentaria a área vulnerável à apropriação irregular e ao desmatamento, agravando o problema em vez de solucioná-lo.
B) Proibição do extrativismo local sustentável.
❌ Incorreta: inverte completamente a lógica do texto. O extrativismo sustentável é a atividade do "seringueiro" citado na canção — justamente uma das vítimas do "dragão", e não sua causa. Proibi-lo puniria quem usa a floresta sem derrubá-la e deixaria intacta a exploração predatória.
C) Regulação de pesquisas de origem estrangeira.
❌ Incorreta: remete ao debate sobre biopirataria, isto é, apropriação indevida de recursos genéticos e de conhecimento tradicional. É um tema real, mas distinto do apresentado: o texto trata da devastação física da mata e da expulsão de seus habitantes, não de pesquisa científica ou patentes.
D) Contenção do tráfego das embarcações fluviais.
❌ Incorreta: os rios amazônicos são a principal via de transporte das próprias populações ribeirinhas, indígenas e extrativistas da região. Conter esse tráfego prejudicaria o deslocamento e o abastecimento dessas comunidades sem atacar o desmatamento, que é o problema descrito na canção.
E) Fiscalização da exploração dos recursos naturais.
✅ Correta: é a medida governamental que incide diretamente sobre a causa do problema. Fiscalizar a exploração dos recursos naturais significa monitorar, autuar e reprimir o desmatamento ilegal, a extração predatória de madeira, o garimpo e a caça — as atividades que compõem o "dragão" que devora a floresta. Ao conter essa exploração, o Estado protege ao mesmo tempo a mata e todos os seus habitantes citados no texto: indígenas, seringueiros e fauna.
🏆 Gabarito: E — A canção denuncia a exploração predatória da Amazônia e seus efeitos sobre povos e fauna; a medida de Estado que ataca essa causa é a fiscalização da exploração dos recursos naturais.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: E é a única alternativa que age sobre a causa do problema; A e B invertem a lógica de proteção, C muda de assunto e D atinge as próprias comunidades que o texto mostra como vítimas.
- Padrão de cobrança: o ENEM usa com frequência letras de música, poemas e cordéis sobre a Amazônia para cobrar desmatamento, povos tradicionais e políticas ambientais, pedindo que o candidato converta a denúncia poética em uma medida concreta.
- Generalização: em questões que pedem "qual medida governamental resolve o problema", identifique primeiro a CAUSA descrita no texto e depois procure a alternativa que age sobre ela — e não a que apenas menciona o tema.
- Dica de eliminação rápida: descarte de imediato as alternativas que prejudicariam as vítimas retratadas no texto (aqui, B e D) e as que fogem do assunto (C); entre as restantes, fique com a que representa ação direta do Estado sobre o agente do dano.
- Conexões: desmatamento e grilagem na Amazônia Legal; Reservas Extrativistas e legado de Chico Mendes; atuação do Ibama e do ICMBio no controle ambiental.
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