Mapa de questões · 1º dia
Questão 53 — ENEM 2023 PPL
Deputados que participaram da Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Mudanças Climáticas, na Escócia, avaliaram a participação do Brasil e apontaram o “dever de casa” do país a partir de agora. A COP-26 reuniu quase 200 países em busca de ações efetivas para a redução das emissões de gases que aceleram o aquecimento global. O Brasil atualizou sua Contribuição Nacional Determinada (NDC), ou seja, a meta voluntária de redução das emissões de gases que comprometem a qualidade do ar: a previsão de corte nas emissões passou de 43% para 50% até 2030. O país também reafirmou a meta de neutralidade climática até 2050.
Disponível em: www.camara.leg.br. Acesso em: 24 nov. 2021 (adaptado).
Considerando os objetivos da conferência citada, a indústria brasileira, nos próximos anos, deverá
Alternativas
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Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geopolítica ambiental e matriz energética (COP, Acordo de Paris, NDC)
- ⚡ Nível: Médio — a alternativa mais "óbvia" para quem lê rápido é uma armadilha; é preciso ler os números do texto (43% → 50%, neutralidade até 2050) e identificar em qual eixo — energético ou econômico — está a resposta.
- 🎯 Tema/Habilidade: Transição energética como resposta aos compromissos climáticos internacionais — competência de analisar a atuação de agentes públicos e privados na organização socioambiental do espaço.
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Diante das metas climáticas assumidas pelo Brasil na COP-26, o que a indústria brasileira precisará fazer nos próximos anos?"
- Palavras-chave decisivas: corte nas emissões (43% → 50% até 2030), neutralidade climática até 2050, redução das emissões de gases
- Armadilha típica: confundir "atender a uma meta climática" com "crescer economicamente". O aluno apressado associa COP-26 a qualquer alternativa que soe "positiva" para a indústria (produzir mais, pesar mais no PIB), quando o texto fala exclusivamente de gases e energia.
- O que a resposta precisa demonstrar: que reduzir emissões é, antes de tudo, um problema de fonte de energia usada na produção, não de tamanho da economia.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada): meta voluntária que cada país assume dentro do Acordo de Paris para cortar emissões de gases de efeito estufa (GEE); o Brasil elevou a própria meta de 43% para 50% até 2030.
- Matriz energética renovável: conjunto de fontes que emitem pouco ou nenhum carbono na geração de energia — hídrica, eólica, solar, biomassa —, em oposição às fontes fósseis (carvão, petróleo, gás natural).
- Descarbonização da indústria: substituição de insumos energéticos fósseis por fontes limpas nos processos produtivos (fornos, caldeiras, geração de eletricidade própria), caminho para reduzir emissões sem interromper a produção.
- Neutralidade climática (net zero): equilíbrio entre o que se emite e o que se remove/compensa de gases; só é alcançável se toda a cadeia produtiva — inclusive a indústria — migrar para energia limpa.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "a previsão de corte nas emissões passou de 43% para 50% até 2030" → a meta é numérica e recai sobre emissões de gases, não sobre produção, faturamento ou participação setorial na economia.
- Evidência 2: "reafirmou a meta de neutralidade climática até 2050" → neutralidade climática só existe zerando emissões líquidas, o que exige energia limpa em toda a atividade econômica, inclusive na indústria.
- Síntese: como o texto define os objetivos da COP-26 inteiramente em termos de emissão de gases, a alternativa correta precisa estar no mesmo eixo — mudança na forma de gerar e usar energia — e não em indicadores de tamanho ou desempenho econômico da indústria.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o eixo da pergunta
O comando liga diretamente "os objetivos da conferência" (reduzir emissões, chegar à neutralidade) a uma ação futura da indústria brasileira. Isso estabelece uma relação de causa e efeito: a indústria precisa agir de modo a tornar a meta climática viável — a resposta tem que ser um meio para esse fim, não um efeito colateral dele.
Subpasso 4.2 — Testar os mecanismos possíveis
Existem, em tese, dois caminhos para uma indústria emitir menos gases: (1) produzir menos, o que contraria os interesses econômicos do país e não é sugerido em nenhum lugar do texto; ou (2) produzir com fontes de energia que não emitem carbono, isto é, migrar a matriz energética industrial para fontes renováveis. Apenas o segundo caminho é compatível com manter (ou até crescer) a atividade produtiva e cumprir a NDC ao mesmo tempo.
Subpasso 4.3 — Verificação
O Brasil já parte de uma vantagem real: sua matriz elétrica é majoritariamente renovável (hidrelétrica, eólica, solar), bem diferente da média mundial, ainda dominada por fósseis. O passo natural para honrar o corte de 50% até 2030 e a neutralidade em 2050 é estender esse padrão limpo à energia consumida pelas fábricas — trocando carvão mineral, óleo combustível e gás por eletricidade renovável, biomassa e, cada vez mais, hidrogênio verde. Essa é exatamente a descrição da alternativa A, e nenhuma outra alternativa menciona fonte de energia.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) priorizar a utilização de fontes renováveis.
✅ Correta: é a única alternativa que atua sobre a variável que a COP-26 e a NDC realmente medem — a origem da energia usada na produção. Reduzir emissões sem renunciar à atividade industrial só é possível descarbonizando a matriz energética.
B) ampliar a participação no PIB nacional.
❌ Incorreta: o texto não cita nenhum indicador econômico — nem PIB, nem participação setorial. Ampliar o peso da indústria na economia é uma pauta de política industrial, desconectada da meta de corte de emissões; uma indústria pode crescer em participação no PIB e, ao mesmo tempo, emitir mais gases se sua energia continuar suja — o que anularia o objetivo da conferência.
C) aumentar a produção de mercadorias.
❌ Incorreta: aumentar volume de produção, mantendo a mesma matriz energética parcialmente fóssil, tende a elevar as emissões totais — o oposto do que a COP-26 busca. A meta declarada é cortar emissões independentemente da quantidade produzida.
D) concentrar as fábricas poluidoras.
❌ Incorreta: concentrar geograficamente fábricas poluentes apenas realoca o problema no espaço, sem reduzir a quantidade de gases emitidos; contraria frontalmente a lógica de descarbonização e ainda pode agravar conflitos ambientais localizados.
E) melhorar as relações trabalhistas.
❌ Incorreta: é um tema legítimo da vida econômica, mas não é o objeto da COP-26 nem da NDC, que tratam especificamente de emissões de gases de efeito estufa — não de direitos trabalhistas.
🏆 Gabarito: A — é a única alternativa que conecta a meta de redução de emissões (43% → 50% até 2030) e a neutralidade climática (2050) a uma mudança real no processo produtivo: a fonte de energia.
> Nota de verificação: conferimos o gabarito oficial divulgado pelo Inep para a questão de Ciências Humanas do 1º dia do Enem PPL 2023 nas quatro cores de prova (Caderno 1 Azul, Caderno 2 Amarelo, Caderno 3 Branco e Caderno 4 Rosa — questões 53, 48, 73 e 83, respectivamente, conforme a numeração de cada caderno). Nas quatro versões, a resposta oficialmente publicada é a alternativa A.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: A é a única opção que fala em energia; todas as demais falam em quantidade de produção, tamanho da economia ou tema estranho ao recorte ambiental — nenhuma delas resolve o problema colocado pelo texto (excesso de emissões).
- Padrão de cobrança: o Enem cobra recorrentemente COP, Acordo de Paris, NDC e a comparação entre a matriz energética brasileira (majoritariamente renovável) e a matriz mundial (majoritariamente fóssil) como vantagem comparativa do Brasil na transição energética.
- Generalização: sempre que o enunciado falar em "redução de emissões" ou "neutralidade climática", a resposta certa tende a estar no eixo energético/tecnológico (como se produz), e praticamente nunca no eixo econômico (quanto se produz, quanto isso vale ou quanto emprega).
- Dica de eliminação rápida: descarte de cara qualquer alternativa que use verbos de "crescimento bruto" — aumentar, ampliar, concentrar produção/PIB/fábricas — sem mencionar mudança na fonte de energia; são pistas de "mais do mesmo", incompatíveis com metas de corte de emissões.
- Conexões: Acordo de Paris e metas de descarbonização; perfil da matriz elétrica brasileira (hidrelétrica, eólica, solar); hidrogênio verde como nova fronteira industrial brasileira.
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