Mapa de questões · 1º dia
Questão 63 — ENEM 2023 PPL
O trabalhador pode até saber que sua fábrica produz aviões ou medicamentos, mas a sua parcela de atividade está totalmente subordinada a uma estrutura abstrata, diluída numa massa de atividades conexas, em muitos casos dividida em diversos continentes e em proprietários não visíveis. Ele não se reconhece na materialidade final do seu trabalho, que se lhe afigura como obra da “empresa”, e sua subordinação parece ser ao “sistema”.
FONTES, V. Capitalismo em tempo de uberização: do emprego ao trabalho. Disponível em: www.niepmarx.blog.br. Acesso em: 6 out. 2021 (adaptado).
Segundo o texto, a razão para a dificuldade do trabalhador em reconhecer o seu labor é a
Alternativas
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Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → mundo do trabalho, alienação e globalização da produção
- ⚡ Nível: Difícil — exige distinguir dois conceitos próximos ("fragmentação" e "regionalização") a partir de uma pista textual específica, o que costuma levar a marcar a alternativa mais óbvia e errada
- 🎯 Tema/Habilidade: Transformações do mundo do trabalho na globalização e alienação diante de cadeias produtivas transnacionais; leitura crítica que exige localizar a evidência decisiva entre conceitos próximos
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Segundo o texto, por que o trabalhador tem dificuldade de reconhecer o resultado do próprio trabalho?"
- Palavras-chave decisivas: estrutura abstrata, diversos continentes, proprietários não visíveis
- Armadilha típica: parar na pista genérica "diluída numa massa de atividades conexas" e concluir depressa que a resposta é "fragmentação da produção", ignorando a pista mais específica que vem em seguida.
- O que a resposta precisa demonstrar: não basta identificar QUE o processo produtivo está dividido; é preciso nomear COMO essa divisão se organiza no espaço.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Fragmentação da produção: divisão do processo de trabalho em tarefas menores e especializadas — já presente no taylorismo e no fordismo —, que pode ocorrer dentro de uma única fábrica, sem exigir dispersão geográfica.
- Regionalização da economia (nova divisão internacional do trabalho): etapas de um mesmo processo produtivo distribuídas por diferentes regiões e continentes, sob corporações cuja propriedade fica pulverizada e pouco visível a partir de qualquer ponto local da cadeia.
- Alienação do trabalho: o trabalhador se torna estranho ao produto e ao sentido do próprio esforço; hoje esse estranhamento se aprofunda quando ele só enxerga seu fragmento de tarefa, sem acesso à cadeia inteira.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "diluída numa massa de atividades conexas" → dado ainda genérico, sugere divisão sem localizá-la no espaço.
- Evidência 2: "dividida em diversos continentes e em proprietários não visíveis" → pista decisiva: a divisão é espacial, em escala continental, com propriedade pulverizada entre agentes que o trabalhador não identifica.
- Síntese: o texto não descreve só uma linha de produção dividida em etapas; descreve etapas espalhadas por regiões inteiras do planeta, sob comando difuso — o que Sociologia e Geografia chamam de regionalização da economia globalizada.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Isolar a pergunta
A questão pede a razão pela qual o trabalhador não reconhece seu labor — não uma característica qualquer do trabalho contemporâneo, mas a que explica especificamente essa invisibilidade.
Subpasso 4.2 — Hierarquizar as pistas textuais
As pistas do texto crescem em precisão até culminar em "diversos continentes e proprietários não visíveis" — só aí a divisão ganha escala geográfica definida. É essa organização regional, não a fragmentação genérica das evidências anteriores, que a "empresa" e o "sistema" citados no fecho do texto representam.
Subpasso 4.3 — Verificação
Testando cada alternativa contra a pista "diversos continentes", só uma nomeia o fenômeno espacial: regionalização da economia. "Fragmentação da produção" descreveria a cena mesmo com toda a fábrica em um único país — não capta o dado geográfico que o texto grifa como causa.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) fragmentação da produção.
❌ Incorreta: descreve a divisão do trabalho em partes, mas é traço genérico da organização industrial, presente desde o taylorismo, que não exige dispersão internacional. O texto vai além ao destacar "diversos continentes" — dado geográfico que "fragmentação", isolada, não expressa.
B) regionalização da economia.
✅ Correta: o texto afirma que a atividade do trabalhador está "dividida em diversos continentes e em proprietários não visíveis" — etapas de um mesmo processo produtivo (peças de um avião, insumos de um medicamento) distribuídas por regiões do planeta, sob corporações cuja propriedade central o trabalhador não enxerga. É essa dispersão espacial, não a mera existência de tarefas divididas, que impede o reconhecimento do resultado final do labor.
C) aglomeração da indústria.
❌ Incorreta: aglomeração é concentração espacial de atividades industriais em um mesmo polo — o oposto do texto, que fala em dispersão por "diversos continentes".
D) flexibilização da jornada.
❌ Incorreta: o texto não menciona horários, turnos ou duração da jornada; trata da estrutura de propriedade e da organização espacial da produção.
E) qualificação da função.
❌ Incorreta: o texto não discute formação ou especialização do trabalhador; a dificuldade decorre da estrutura organizacional da produção, não da função exercida.
🏆 Gabarito: B — o texto atribui a dificuldade de reconhecimento do trabalho à divisão da produção "em diversos continentes e em proprietários não visíveis", ou seja, à regionalização da economia globalizada, não a uma fragmentação genérica de tarefas.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: B é a única alternativa que nomeia o fenômeno espacial descrito no texto — produção distribuída por diferentes regiões e continentes sob propriedade difusa.
- Padrão de cobrança: o ENEM retoma com frequência as transformações do mundo do trabalho na globalização — fordismo, toyotismo, uberização, cadeias produtivas transnacionais — a partir de textos que exigem leitura fina, não memorização.
- Generalização: quando duas alternativas parecem "primas" (fragmentação x regionalização), a decisão está na pista textual mais específica, não na impressão geral do texto.
- Dica de eliminação rápida: elimine os extremos sem apoio textual — C tem sentido oposto (concentração x dispersão) e D/E tratam de temas ausentes (jornada e qualificação); resta a dupla A x B, resolvida pela palavra "continentes".
- Conexões: nova divisão internacional do trabalho; alienação (Marx); uberização e capitalismo de plataforma (Virgínia Fontes).
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