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Mapa de questões · 1º dia
LinguagensPortuguêsDifícil

Questão 32ENEM 2023 PPL

No tempo em que assistíamos televisão no meio da praça

O que eu vou contar nestas próximas linhas não fará sentido para os leitores mais jovens, mas houve um tempo em que assistíamos televisão no meio da praça. Nessa fase, a propriedade de aparelhos ainda era restrita às camadas mais abastadas.

Seja no meio de uma praça pública, seja na sala de casa, a televisão cumpriu um importante papel de sociabilização, mesmo que de forma mitigada. Isso porque, ao contrário do que acontecia na antiguidade, as praças não eram (como ainda não são) espaços de convivência pública ativa, no máximo um lugar para gastar o tempo, bater um papo. Naqueles tempos, os aparelhos de TV nas praças reverteram um pouco dessa lógica.

Ao que parece, está se inaugurando no Brasil um novo tempo no campo da pesquisa sobre a televisão e sua inserção sociocultural nas camadas populares.

Essas pesquisas não podem e não devem ignorar, especialmente, a intensa concentração desses veículos nas mãos de poucas famílias e grupos econômicos, sob o risco de a televisão no Brasil continuar centrada num modelo antidemocrático, antimediador, intransitivo, tendo como consequência direta a limitação crescente da participação da população nas instâncias públicas de decisão (a televisão é uma concessionária de serviço público), só que agora com o agravante da falsa sensação de que a comunicação se tornou mais democrática com a internet.

Que a televisão permaneça por muitos e muitos anos, mas que o seu atual modelo tenha seus dias contados! Quem sabe com isso um dia voltemos para o meio da praça, não mais para assistir TV, mas para fazermos valer uma cultura de participação política realmente ativa e instruída, como uma democracia de fato merece.

ARAÚJO, F. P. Disponível em: www.observatoriodaimprensa.com.br. Acesso em: 30 out. 2021 (adaptado).

Embora reconheça o impacto social da televisão e seu importante papel de sociabilização ao longo do tempo, o texto defende que essa tecnologia passe por mudanças que contribuam para

Alternativas

Resolução em Vídeo

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Leitura e interpretação de texto argumentativo/opinativo
  • ⚡ Nível: Difícil — o texto sugere uma "resposta óbvia" (mais participação política), mas o fio condutor do artigo aponta para outra mudança, mais estrutural
  • 🎯 Tema/Habilidade: Identificar a tese central de um artigo de opinião, distinguindo diagnóstico, proposta e expectativa especulativa
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Que mudança precisa acontecer NA PRÓPRIA TV — não na sociedade em geral — para que o texto considere seu modelo atual superado?"
  • Palavras-chave decisivas: "propriedade de aparelhos... restrita às camadas mais abastadas", "concentração desses veículos nas mãos de poucas famílias", "concessionária de serviço público"
  • Armadilha típica: trocar a consequência social sonhada pelo autor (mais participação política) pela mudança que ele de fato reivindica para a tecnologia.
  • O que a resposta precisa demonstrar: separar o diagnóstico do texto (restrição de acesso/propriedade da TV) do desfecho especulativo introduzido por "quem sabe".

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Artigo de opinião: apresenta um diagnóstico (crítica) e, a partir dele, uma tese de mudança; a questão cobra essa tese, não uma consequência hipotética mencionada de passagem.
  • TV como concessão de serviço público: no Brasil, os canais de TV aberta operam por concessão do Estado — compromisso de alcance a toda a população, não só a quem controla as emissoras.
  • Concentração midiática: poucas famílias/grupos econômicos controlando a maior parte dos veículos de comunicação — problema explicitamente nomeado no texto.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "a propriedade de aparelhos ainda era restrita às camadas mais abastadas" → já no 1º parágrafo o texto marca que o acesso à TV nunca foi universal.
  • Evidência 2: "a intensa concentração desses veículos nas mãos de poucas famílias e grupos econômicos" → mesma lógica de exclusão, agora estendida do aparelho doméstico ao controle sobre o próprio meio.
  • Síntese: o texto opera em dois planos — (1) o que precisa mudar NA TV (deixar de ser bem concentrado e alcançar toda a população) e (2) o que essa mudança pode, um dia, favorecer na sociedade (participação política). A pergunta cobra o plano (1).

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Isolar diagnóstico e proposta

O texto segue a estrutura clássica do artigo de opinião: contexto histórico (TV na praça, aparelho restrito aos abastados) → transição (pesquisas sobre TV e camadas populares) → diagnóstico crítico (concentração da propriedade em poucas famílias, gerando modelo antidemocrático) → apelo final ("que o seu atual modelo tenha seus dias contados"). A pergunta pede a mudança na tecnologia que sustenta esse apelo, não a fantasia especulativa do período final.

Subpasso 4.2 — Rastrear o fio "acesso/propriedade"

O autor repete o mesmo campo semântico do início ao fim: "propriedade de aparelhos... restrita às camadas mais abastadas" (parág. 1) ecoa em "concentração desses veículos nas mãos de poucas famílias e grupos econômicos" (parág. 4). Em ambos, o problema é a restrição de acesso/propriedade da TV — antes, do aparelho individual; agora, do controle sobre o meio. A lembrança de que a TV "é uma concessionária de serviço público" reforça que ela deveria pertencer a todos. A mudança pedida é essa democratização — exatamente o que a alternativa A descreve.

Subpasso 4.3 — Verificação: por que não é a resposta "óbvia"

A alternativa sobre participação popular soa natural por repetir quase literalmente "limitação... da participação da população". Mas releia o período final: o autor condiciona essa participação a um cenário em que as pessoas voltem à praça "não mais para assistir TV, mas para...". Ele não afirma que mudar a TV gera, por si só, mais participação política; ele especula ("quem sabe") um efeito que ocorreria à margem da própria televisão. Como o comando pede a mudança NA tecnologia, essa alternativa descreve o sonho final do autor, não o alvo direto da crítica. Confirmado: a mudança na tecnologia é a ampliação do acesso, alternativa A.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) ampliar o acesso a aparelhos de TV para toda a população.

✅ Correta: retoma o diagnóstico inicial ("propriedade de aparelhos... restrita às camadas mais abastadas") e sua reformulação final ("concentração... em poucas famílias") — a mudança que a TV precisa sofrer é deixar de ser controlada por poucos e alcançar toda a população, coerente com seu estatuto de concessão pública.

B) transformar a praça pública em um lugar de convivência social.

❌ Incorreta: inverte causa e efeito. A praça é metáfora/cenário para o papel sociabilizador que a TV já teve e para a participação política sonhada no futuro; o texto não defende "transformar a praça" como mudança na tecnologia da TV.

C) divulgar os resultados de pesquisas sobre sua inserção social.

❌ Incorreta: as pesquisas são citadas como instrumento de investigação que "não pode e não deve ignorar" a concentração midiática — meio de diagnóstico, não objetivo final da mudança reivindicada.

D) fomentar uma maior participação da população nas esferas públicas.

❌ Incorreta: a armadilha mais forte, por repetir vocabulário quase idêntico ao do texto. Mas essa participação é apresentada como desfecho especulativo e posterior ("quem sabe... não mais para assistir TV"), que ocorreria à margem da própria televisão — não a mudança pedida NA tecnologia.

E) viabilizar sua permanência no futuro em contraposição ao advento da internet.

❌ Incorreta: o texto não coloca TV e internet em disputa; a internet é citada para denunciar uma "falsa sensação" de maior democratização, reforçando — não contrapondo — o mesmo problema de concentração da TV.

🏆 Gabarito: A — o texto entrelaça, do início ao fim, a crítica à restrição do acesso/propriedade da TV e defende que essa concentração seja revertida, ampliando seu alcance a toda a população; a participação política do fechamento é consequência futura e especulativa, não a mudança pedida na tecnologia.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: A é a única alternativa que descreve mudança na própria televisão (sua distribuição/propriedade), coerente com o fio que liga o parágrafo 1 ao parágrafo 4.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente pede a "tese"/"proposta" de textos argumentativos e insere uma opção que repete palavras do texto, mas descreve uma consequência ou desejo especulativo, não a proposta central.
  • Generalização: em textos de opinião, separe diagnóstico (o que está errado), proposta (o que deve mudar) e expectativa (o que pode acontecer depois, marcado por "quem sabe", "talvez"); a resposta certa quase sempre está na proposta.
  • Dica de eliminação rápida: elimine primeiro alternativas com elementos periféricos usados só como exemplo/metáfora (praça em B; pesquisas em C); depois, entre as duas restantes, veja qual fala de mudança na tecnologia e qual fala de efeito social hipotético fora dela.
  • Conexões: concentração midiática no Brasil; TV como concessão de serviço público; identificação de tese em artigos de opinião.

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