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Mapa de questões · 1º dia
LinguagensArtesDifícil

Questão 22ENEM 2023 PPL

Basquiat representa uma das classes da sociedade americana às quais as barreiras sociais impedem, geralmente, o acesso à arte. Os seus quadros, objetos pictóricos e desenhos apresentam-se cheios de sinais, transcrições de textos e elementos figurativos, encadeados em ritmos pictóricos de uma precisão empolgante — um misto de pintura gráfica, símbolos populares americanos, gírias de rua e alusões a obras de arte famosas.

HONNEF, K. Arte contemporânea. São Paulo: 1994 (adaptado).

As características pictóricas das obras de Basquiat apresentadas no texto aproximam-se das que encontramos no Brasil no

Alternativas

Resolução em Vídeo

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Artes → História da Arte comparada (arte urbana internacional × modernismo brasileiro)
  • ⚡ Nível: Difícil — exige identificar, entre cinco obras específicas, qual reproduz a mesma linguagem gráfica e urbana de Basquiat
  • 🎯 Tema/Habilidade: Basquiat e a estética gráfico-urbana × muralismo modernista brasileiro (Di Cavalcanti) — Competência de Área 3 de Linguagens (relacionar linguagem de diferentes manifestações artísticas)
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual obra brasileira tem características pictóricas (visuais e formais) parecidas com as de Basquiat?"
  • Palavras-chave decisivas: sinais e transcrições de textos, gírias de rua, pintura gráfica
  • Armadilha típica: marcar Tarsila do Amaral automaticamente, por ser a artista modernista mais lembrada, sem checar se a obra citada (Abaporu) tem, de fato, a linguagem gráfica e urbana que o texto descreve
  • O que a resposta precisa demonstrar: que a semelhança pedida é de LINGUAGEM VISUAL — suporte, técnica e repertório popular — e não apenas coincidência de "época" ou de rótulo de movimento artístico

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Jean-Michel Basquiat (1960-1988): neoexpressionista nova-iorquino que começou grafitando muros de Manhattan (dupla SAMO©, fim dos anos 1970) antes de migrar para a tela; sua pintura acumula palavras riscadas, caveiras, coroas e símbolos da cultura afro-americana e da rua, com tom de crítica social — carrega a "gramática" do graffiti mesmo depois de entrar nos museus.
  • Semana de Arte Moderna de 1922: ruptura com o Academicismo europeu de salão; os modernistas passam a valorizar temas, cores e espaços brasileiros, muitas vezes de forma popular e acessível, fora do circuito tradicional de galerias.
  • Emiliano Di Cavalcanti (1897-1976): organizador da Semana de 22 e pintor da vida popular brasileira — mulatas, samba, carnaval —, autor de painéis públicos como o mural "Imprensa", feito em pastilhas cerâmicas na fachada de um prédio em São Paulo. Como o graffiti de Basquiat, essa obra existe na rua, exposta a qualquer transeunte, sem o filtro de museu.
  • Pastilha como técnica gráfica: a justaposição de milhares de pequenas peças cria textura granulada e rítmica, próxima do acúmulo de sinais e camadas que caracteriza a pintura de Basquiat.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "cheios de sinais, transcrições de textos e elementos figurativos, encadeados em ritmos pictóricos" → descreve uma composição densa e gráfica, quase "escrita" na superfície — não uma imagem única e minimalista
  • Evidência 2: "pintura gráfica, símbolos populares americanos, gírias de rua" → a chave é a origem POPULAR e URBANA do repertório: Basquiat traduz a cultura da rua para a pintura
  • Evidência 3: "classes às quais as barreiras sociais impedem, geralmente, o acesso à arte" → a arte de Basquiat nasce fora do circuito elitizado; o paralelo brasileiro precisa ter essa mesma vocação pública e democrática
  • Síntese: a obra buscada precisa reunir três traços ao mesmo tempo — espaço urbano/público, linguagem gráfica por acúmulo de signos e raiz popular — o que já direciona a busca para um mural de rua, e não para uma tela de museu

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Transformando o texto de Honnef em critérios de comparação

Do trecho sobre Basquiat extraem-se três critérios objetivos que a alternativa correta precisa satisfazer ao mesmo tempo: (i) suporte e local PÚBLICO/URBANO — rua ou fachada, não interior de museu; (ii) linguagem GRÁFICA, construída por acúmulo de sinais, texto e figuras, e não por uma imagem única e "limpa"; (iii) vínculo com a cultura POPULAR — gírias, símbolos do cotidiano — e não com temas eruditos, religiosos ou oficiais.

Subpasso 4.2 — Testando os critérios nas cinco alternativas

  • Azulejaria barroca (A): é pública, mas a serviço da religiosidade e do poder colonial — falha no critério (iii), repertório erudito-religioso, não urbano-popular.
  • Batalha do Riachuelo (B) e Abaporu (D): ambas são óleo sobre TELA, destinadas ao circuito de museu e coleção — falham de imediato no critério (i).
  • Pintura de Volpi (E): mesmo modernista, sua fase mais reconhecida é a abstração geométrica das bandeirinhas, organizada e sem acúmulo narrativo — falha no critério (ii).
  • Painel Imprensa, de Di Cavalcanti (C): mural de RUA (i ✓), construído em pastilhas — técnica que gera textura gráfica granulada por acúmulo de peças (ii ✓) —, assinado por um modernista que sempre retratou a cultura popular brasileira (iii ✓).

Subpasso 4.3 — Verificação

Só uma alternativa atende aos três critérios ao mesmo tempo: a letra C. Isso confirma que a leitura comparativa — rua, linguagem gráfica e cultura popular — foi aplicada corretamente, sem cair na associação automática "modernista = resposta certa".

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) conjunto de azulejos da arte barroca.

❌ Incorreta: os azulejos barrocos decoram fachadas de igrejas e prédios coloniais com repertório iconográfico europeu — cenas bíblicas, ornamentos —, sem vínculo com gírias, textos urbanos ou crítica social; é o oposto da origem popular e contestadora da pintura de Basquiat.

B) óleo sobre tela A Batalha do Riachuelo, do artista Victor Meirelles.

❌ Incorreta: é pintura histórica do Academicismo do século XIX, encomendada para exaltar um episódio oficial (a Guerra do Paraguai), com técnica europeia refinada e acabamento impecável — o extremo oposto da estética gráfica e urbana descrita no texto-base.

C) painel de pastilhas do mural de rua Imprensa, do artista modernista Di Cavalcanti, localizado na cidade de São Paulo.

✅ Correta: obra pública, exposta na rua, construída em pastilhas (ritmo gráfico por acúmulo de pequenas peças) e assinada por um modernista dedicado à cultura popular brasileira — reunindo os três elementos da comparação com Basquiat: espaço urbano, linguagem gráfica e repertório popular.

D) óleo sobre tela intitulado Abaporu, da artista modernista Tarsila do Amaral, em São Paulo.

❌ Incorreta: apesar de modernista e brasileira, é pintura de cavalete, de composição sintética e simbólica — uma única figura estilizada —, sem o acúmulo de sinais, textos e elementos figurativos múltiplos que define Basquiat.

E) óleo sobre tela do artista modernista Alfredo Volpi.

❌ Incorreta: a produção mais associada a Volpi é a abstração geométrica das bandeirinhas — composição limpa, sem componente textual ou narrativo —, sem relação com a pintura gráfica "carregada de signos" descrita no enunciado.

🏆 Gabarito: C — o painel Imprensa, de Di Cavalcanti, é a única alternativa que reúne espaço urbano/público, linguagem gráfica construída por acúmulo (pastilhas) e vínculo com a cultura popular brasileira: exatamente os três traços que o texto de Honnef atribui a Basquiat.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a obra C vive no espaço público da rua, com textura gráfica por acúmulo de pastilhas e raiz na cultura popular brasileira — os três pilares da comparação com Basquiat.
  • Padrão de cobrança: o ENEM costuma cruzar uma referência artística internacional com obras e artistas brasileiros, testando se o estudante reconhece características formais — suporte, técnica, tema, contexto social — e não apenas nomes decorados.
  • Generalização: em comparações entre linguagens artísticas, extraia critérios objetivos do texto-base (suporte, técnica, tema, contexto social) antes de olhar as alternativas; isso evita "pegadinhas" de artista famoso associado à obra errada.
  • Dica de eliminação rápida: risque de cara toda alternativa "óleo sobre tela" (B, D, E) quando o enunciado descreve arte de rua ou mural — suporte errado já elimina a alternativa, mesmo com artista modernista conhecido.
  • Conexões: Semana de Arte Moderna de 1922; arte pública e muralismo (compare com o muralismo mexicano de Diego Rivera); a passagem do graffiti para a legitimação nos museus.

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