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Mapa de questões · 1º dia
LinguagensPortuguêsFácil

Questão 42ENEM 2023 PPL

Se todos fossem iguais a você

Se todos fossem iguais a você
Que maravilha viver
Uma canção pelo ar
Uma mulher a cantar
Uma cidade a cantar
A sorrir, a cantar, a pedir
A beleza de amar

MORAES, V.; TOM JOBIM. Disponível em: http://letras.terra.com.br. Acesso em: 16 set. 2011 (fragmento).

O locutor da letra da canção exalta as características de uma pessoa ideal. O uso da palavra “se” contribui para essa idealização, pois ela introduz no texto a

Alternativas

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Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Coesão textual e valor semântico dos conectivos (conjunção condicional)
  • ⚡ Nível: Fácil — o sentido hipotético do "se" é perceptível numa leitura atenta do poema, mas a alternativa correta exige diferenciar hipótese de consequência e de explicação, o que pede precisão gramatical
  • 🎯 Tema/Habilidade: Valor semântico-discursivo dos conectivos (competência de leitura: coesão e coerência textual em texto literário)
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Que relação de sentido a palavra 'se' constrói no poema, e como essa relação reforça a idealização da pessoa amada?"
  • Palavras-chave decisivas: "se", "idealização", "introduz no texto"
  • Armadilha típica: trocar a hipótese (o que o "se" introduz) pela consequência dela (o que decorre da hipótese), ou confundir condição com explicação/causa.
  • O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que "se" + verbo no pretérito imperfeito do subjuntivo cria uma condição hipotética e irreal, cuja realização imaginada é o cenário idílico narrado na sequência dos versos.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Conjunção condicional: conectivo que introduz oração subordinada adverbial condicional, estabelecendo relação de dependência entre uma hipótese (prótase) e um resultado (apódose). Ex.: "Se chover, cancelo o passeio."
  • Período hipotético irreal: quando "se" vem acompanhado de verbo no pretérito imperfeito do subjuntivo ("fossem"), a condição é entendida como contrária à realidade presente — uma suposição, não um fato. "Se todos fossem iguais a você" pressupõe que, na vida real, ninguém é de fato igual à pessoa amada.
  • Prótase e apódose: na sintaxe do período condicional, a prótase é a oração da hipótese ("se todos fossem iguais a você") e a apódose é a oração do resultado dessa hipótese ("que maravilha viver..."). Não confundir uma com a outra é o cerne desta questão.
  • Conectivo como operador argumentativo: o "se" orienta a leitura do poema inteiro, avisando o leitor de que a "maravilha" descrita nasce de uma suposição idealizadora, não de uma constatação real.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Se todos fossem iguais a você" → "se" + "fossem" (imperfeito do subjuntivo) marca uma condição irreal: o eu lírico sabe que nem todos são como a pessoa amada, e é justamente essa distância entre o real e o suposto que sustenta a idealização.
  • Evidência 2: "Que maravilha viver / Uma canção pelo ar / Uma mulher a cantar / Uma cidade a cantar / A sorrir, a cantar, a pedir / A beleza de amar" → sequência de imagens que descreve o efeito da hipótese: um mundo coletivo tomado de canto, sorriso e beleza — não um romance específico nem uma vida restrita a duas pessoas.
  • Síntese: o "se" não explica nada, não é resultado de nada e não soma duas figuras femininas: ele projeta a possibilidade imaginária de um mundo transformado, e é justamente esse mundo — prazeroso, musical, encantado — que o restante da canção detalha como decorrência da hipótese.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Classificar o "se" e localizar sua função sintática

Em "Se todos fossem iguais a você", "se" é conjunção subordinativa condicional: inicia uma oração adverbial condicional, que funciona como prótase (a hipótese) de todo o período. Sozinha, essa palavra já avisa o leitor de que o conteúdo seguinte não é uma afirmação de fato, mas uma suposição lançada pelo eu lírico.

Subpasso 4.2 — Cruzar o "se" com o tempo e modo verbais

O verbo que acompanha o "se" é "fossem", no pretérito imperfeito do subjuntivo. Essa combinação — conjunção condicional + imperfeito do subjuntivo — forma o período hipotético irreal do presente: uma construção que descreve algo contrário à realidade atual, mas imaginado como possibilidade. Se o eu lírico dissesse apenas "você é maravilhoso(a)", não haveria idealização alguma, apenas um elogio direto. Ao dizer "se todos fossem iguais a você", ele eleva a pessoa amada a um padrão de perfeição inatingível: implicitamente, admite que ninguém mais é assim — e é essa suposição impossível, universalizada para "todos", que dá à pessoa amada um estatuto quase mítico.

Subpasso 4.3 — Verificação: ligar a hipótese ao resultado narrado no poema

A pergunta não se encerra na prótase; ela pede o que o "se" introduz no texto como um todo, isto é, o que decorreria dessa hipótese. E o que vem depois é uma cadeia de imagens de encantamento coletivo: "que maravilha viver", "uma canção pelo ar", "uma mulher a cantar", "uma cidade a cantar", "a sorrir, a cantar, a pedir / a beleza de amar". Nenhuma dessas imagens descreve um casal ou um romance isolado — elas descrevem uma atmosfera social inteira, contagiada por alegria e canto. Confrontando esse resultado com as cinco alternativas, apenas uma nomeia corretamente essa relação lógica entre hipótese e mundo idealizado: a que fala em "hipótese para a existência de um mundo prazeroso".

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) junção de dois perfis femininos.

❌ Incorreta: não há fusão de duas figuras. A "mulher a cantar" do poema não é uma segunda personagem que se soma a "você"; é uma imagem simbólica do mundo hipotético, parte do cenário idealizado — não um segundo retrato feminino sendo unido ao primeiro. O erro está em transformar em "personagem" o que é, na verdade, parte da paisagem poética criada pela hipótese.

B) explicação para um romance feliz.

❌ Incorreta: "se" não tem valor explicativo-causal — esse valor pertence a conjunções como "porque", "já que" ou "pois". Além disso, o poema não descreve "um romance" já consumado que precise ser explicado; descreve a suposição de que a qualidade de uma única pessoa se generalizasse a "todos", com efeitos sobre o mundo inteiro, não sobre um casal específico.

C) consequência de uma vida feliz a dois.

❌ Incorreta: inverte a relação lógica da frase. O "se" introduz a condição (prótase), e não o resultado (apódose) — quem é consequência, na estrutura do período, é "que maravilha viver", não o contrário. Também não há "vida a dois" nos versos: as imagens são de amplitude coletiva ("uma cidade a cantar"), não de intimidade restrita a duas pessoas.

D) superação da mulher amada pelas demais.

❌ Incorreta: o sentido é o inverso do proposto. A pessoa amada é o parâmetro de excelência do poema ("iguais a você") — o padrão hipotético que todas as demais pessoas deveriam alcançar. Ela não é superada por ninguém; ao contrário, é ela quem serve de medida ideal para o mundo.

E) hipótese para a existência de um mundo prazeroso.

✅ Correta: "se" + "fossem" constrói exatamente uma condição hipotética e irreal, cuja realização imaginada resultaria no mundo de encantamento descrito na sequência dos versos — canção no ar, cidade a cantar, beleza de amar. É essa hipótese, e não um fato consumado, que sustenta toda a idealização da pessoa amada no poema.

🏆 Gabarito: E — o "se" introduz uma hipótese (condição irreal, marcada pelo imperfeito do subjuntivo "fossem") cuja consequência imaginada é a existência de um mundo prazeroso, tal como descrito nos versos seguintes da canção.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa E nomeia corretamente a função do "se" — marcador de hipótese, não de explicação, não de consequência e não de uma segunda personagem — associando-a ao resultado que o poema narra: um mundo prazeroso.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra com frequência o valor semântico de conectivos (se, embora, porque, mas, portanto, contudo) dentro de textos literários e não literários, exigindo que o candidato relacione a conjunção ao tipo de relação lógica que ela estabelece — condição, concessão, causa, consequência ou oposição.
  • Generalização: sempre que "se" aparecer com verbo no pretérito imperfeito ou mais-que-perfeito do subjuntivo, desconfie de período hipotético irreal — uma suposição contrária à realidade, usada para idealizar, criticar ou imaginar cenários alternativos.
  • Dica de eliminação rápida: pergunte "isto é causa/hipótese ou é efeito/resultado?". Alternativas que descrevem um resultado do "se" (como a C) trocam prótase por apódose — elimine. Alternativas com "explicação" (como a B) atribuem valor causal a uma conjunção condicional — elimine. Sobra quase sempre a alternativa que nomeia corretamente "hipótese" ou "condição".
  • Conexões: Bossa Nova e a parceria Vinicius de Moraes/Tom Jobim (contexto histórico-cultural da MPB); orações subordinadas adverbiais (condicional, causal, consecutiva, concessiva); valores semânticos do modo subjuntivo.

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