Mapa de questões · 1º dia
Questão 1 — ENEM 2023 PPL
"Ni para cotufas, estoy en la lona"
Así se dice en Venezuela. En España diríamos: "Ni para palomitas, estoy sin blanca". Los argentinos utilizarían otra forma, y los chilenos, y los mexicanos... Esta es una guía básica de entendimiento entre los hispanohablantes.

MOLERO, A. El español de España y el español de América. Madri: Editorial SM, 2003 (adaptado).
Esse texto reúne palavras e expressões para destacar a
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Espanhol → variação linguística diatópica (léxico do espanhol na América e na Europa)
- ⚡ Nível: Fácil — basta comparar os exemplos do texto e da tabela para perceber o padrão: cada país nomeia o mesmo referente de um jeito diferente.
- 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecer a variação lexical do espanhol como marca de identidade regional (leitura crítica e reflexão sobre a língua em uso).
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O que esse conjunto de palavras e expressões (do texto + da tabela) tem a função de evidenciar?"
- Palavras-chave decisivas: cotufas / palomitas, guía básica de entendimiento, hispanohablantes
- Armadilha típica: marcar a alternativa E ("diversidade linguística do espanhol") por parecer óbvia demais para estar errada — mas o comando pede o que o texto "destaca" especificamente, e a diversidade é só o pano de fundo, não o efeito comunicativo evidenciado.
- O que a resposta precisa demonstrar: entender que cada palavra regional funciona como uma "etiqueta" que revela de onde é o falante — não apenas constatar que "existem palavras diferentes".
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Variação diatópica: variação da língua conforme a região geográfica; o mesmo referente recebe nomes distintos em diferentes países que falam a mesma língua.
- Espanhol como língua pluricêntrica: não há um único "centro" de referência — España, Argentina, Chile, México e Venezuela constituem normas cultas próprias, cada uma com seu léxico coloquial.
- Função identitária da linguagem: a escolha lexical não é neutra: sinaliza pertencimento a um grupo. Quem diz "cotufas" em vez de "palomitas" comunica, junto, sua origem geográfica.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Ni para cotufas, estoy en la lona" (Venezuela) vs. "Ni para palomitas, estoy sin blanca" (España) → a MESMA ideia ("não tenho nem para pipoca, estou sem dinheiro") é dita com palavras diferentes, cada uma amarrada a um país específico.
- Evidência 2: "Los argentinos utilizarían otra forma, y los chilenos, y los mexicanos..." → o texto enumera nacionalidade por nacionalidade: muda o país, muda a palavra.
- Evidência 3 (tabela da imagem): organizada em colunas por país (España | Argentina | Chile | México | Venezuela), a tabela amplia o mesmo raciocínio para 11 conceitos. Exemplos: "estar sin blanca" (España) = "estar en la lona" (Venezuela) = "estar pato" (Chile) = "estar sin un quinto" (México) = "estar sin un mango" (Argentina), todas para "estar sem dinheiro"; "palomitas" (España/México) = "cotufas" (Venezuela) = "pochoclo" (Argentina) = "cabritas" (Chile), todas para "pipoca"; "camarero" (España) = "mozo" (Argentina) = "garzón" (Chile) = "mesero" (México) = "mesonero" (Venezuela).
- Síntese: o texto e a tabela não ensinam vocabulário novo por si só, nem apontam "erros" de uma variedade — mostram, de forma sistemática, que cada palavra escolhida entrega uma pista da procedência de quem fala. É esse elo palavra ↔ região ↔ falante que a questão chama de "identificação do falante com uma variedade específica".
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Isolar o fenômeno comum a todos os exemplos
Em nenhum momento o texto diz que uma forma é "certa" e outra "errada", nem apresenta as palavras como gírias estrangeiras incorporadas ao espanhol — isso já descarta a leitura de "estrangeirismo". O texto troca de país e troca de palavra, mantendo o mesmo significado. O núcleo do fenômeno é a variação lexical regional (diatópica).
Subpasso 4.2 — Ler a função comunicativa declarada no próprio texto
A frase final é a chave: "Esta es una guía básica de entendimiento entre los hispanohablantes." Um "guia de entendimento entre falantes" só faz sentido se o problema a resolver for reconhecer a fala do outro a partir da variedade que ele usa. O texto pressupõe que, ao ouvir "cotufas", o interlocutor identifica um falante venezuelano — é essa marca de origem embutida na palavra que o texto evidencia.
Subpasso 4.3 — Verificação com a tabela
A tabela não está organizada por "grau de formalidade" nem por "lista de erros", mas por PAÍS cruzado com CONCEITO (autobús, colega, camarero, trabajo temporal...). Essa organização em colunas nacionais confirma o critério geográfico-identitário: cada coluna reúne o "sotaque lexical" de um país, apontando diretamente para a alternativa A.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) identificação do falante com uma variedade específica.
✅ Correta: o texto e a tabela mostram, exemplo a exemplo, que a palavra escolhida (cotufas, pochoclo, cabritas, palomitas) revela a variedade regional do espanhol à qual o falante pertence — exatamente o "guia de entendimento" citado no enunciado.
B) interferência do estrangeirismo na língua espanhola.
❌ Incorreta: "cotufas", "pochoclo", "changa", "pana" etc. são palavras genuínas do espanhol de cada região, não empréstimos de outras línguas. O texto não aponta nenhum caso de estrangeirismo.
C) necessidade de expandir o vocabulário do leitor.
❌ Incorreta: o objetivo não é didático-lexical (ensinar palavras novas pelo prazer de ampliar vocabulário); é mostrar como o léxico varia de país para país e sinaliza a origem do falante.
D) presença do diminutivo em algumas variedades.
❌ Incorreta: embora a tabela traga formas como "picadita", "changuita" e "pololito", o diminutivo aparece em poucas células e não é o critério organizador — que é claramente geográfico, país a país.
E) diversidade linguística do espanhol.
❌ Incorreta por ser genérica demais: é verdade que o texto mostra diversidade, mas essa leitura para no nível superficial de "existem palavras diferentes". A questão exige o recorte mais preciso — para que serve mostrar essa diversidade —, e a resposta está no próprio texto: para permitir identificar de que variedade (logo, de que região) vem o falante.
🏆 Gabarito: A — o texto usa pares de expressões equivalentes de diferentes países hispanofalantes para mostrar que a palavra escolhida por um falante identifica a variedade regional do espanhol à qual ele pertence.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a alternativa A nomeia a função comunicativa real do texto — usar a palavra para reconhecer a origem de quem fala —, explicitada pela expressão "guía de entendimiento entre hispanohablantes".
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz quadros comparativos de variação lexical/diatópica para testar se o aluno entende que a língua varia no espaço sem deixar de ser a "mesma língua", e que essa variação tem valor identitário — não uma hierarquia de certo/errado.
- Generalização: ao ver tabela/lista com a mesma ideia expressa em países diferentes, desconfie de alternativas genéricas ("diversidade linguística") e procure a alternativa que explique a FUNÇÃO dessa diversidade (identificar, comunicar, aproximar falantes).
- Dica de eliminação rápida: risque de cara qualquer opção que fale em "erro", "estrangeirismo" ou "hierarquia entre variedades" (aqui, B) — o ENEM nunca trata variação regional como desvio. Entre as sobras, prefira a alternativa mais específica e funcional (A) à mais genérica (E).
- Conexões: sociolinguística e preconceito linguístico; variação diatópica também em português (ex.: mandioca/aipim/macaxeira).
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