Pular para o conteúdo
MemorizeMemorize
Mapa de questões · 2º dia
NaturezaQuímicaFácil

Questão 96ENEM 2022 PPLCaderno azul · 2º Dia

O Brasil foi o primeiro país a usar o álcool em larga escala como combustível de automóvel. Hoje, a indústria automobilística produz e equipa os automóveis com motores que funcionam tanto com gasolina como com álcool, ou ainda com uma mistura dos dois. No Brasil, o álcool é obtido principalmente da cana-de-açúcar, razão pela qual o classificam como biocombustível.

Com essa atitude, contribui-se diretamente para a

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Química → química ambiental e biocombustíveis (ciclo do carbono)
  • ⚡ Nível: Fácil — exige apenas relacionar "biocombustível" ao ciclo fechado de CO₂, sem cálculos ou fórmulas
  • 🎯 Tema/Habilidade: Efeito estufa e balanço de carbono na queima de combustíveis renováveis (Competência de Área 6 — meio ambiente e tecnologia)
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual é a consequência ambiental direta de o Brasil usar álcool (etanol) da cana-de-açúcar como combustível automotivo?"
  • Palavras-chave decisivas: álcool, cana-de-açúcar, biocombustível
  • Armadilha típica: confundir "biocombustível" com "combustível 100% limpo, sem nenhuma emissão" ou associá-lo a benefícios ambientais genéricos (biodiversidade, camada de ozônio, espécies ameaçadas) que soam ecologicamente corretos, mas não são o efeito direto da queima do etanol.
  • O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que o etanol continua liberando CO₂ na combustão, mas esse carbono já havia sido retirado da atmosfera pela cana durante seu crescimento — logo, o efeito direto é sobre o balanço (emissão efetiva) de dióxido de carbono, não sobre biodiversidade, água ou ozônio.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Biocombustível: combustível derivado de biomassa vegetal recente (no caso, cana-de-açúcar), em oposição aos combustíveis fósseis, cujo carbono ficou soterrado por milhões de anos.
  • Ciclo do carbono da cana-de-açúcar: durante o crescimento, a cana realiza fotossíntese e captura CO₂ atmosférico, fixando-o como carboidratos (sacarose, celulose). Esse açúcar é fermentado a etanol, que, ao ser queimado no motor, devolve CO₂ à atmosfera.
  • Emissão efetiva (líquida) de CO₂: é o saldo entre o CO₂ liberado na queima e o CO₂ absorvido no cultivo da matéria-prima. Como a cana recaptura boa parte do carbono que será emitido, o balanço líquido do etanol é bem menor do que o de um combustível fóssil equivalente (gasolina), no qual todo o carbono emitido é "novo" na atmosfera.
  • Diferença crucial em relação a combustíveis fósseis: a gasolina libera carbono que estava geologicamente sequestrado há milhões de anos — um acréscimo líquido de CO₂ ao ciclo atual. O etanol libera carbono que fazia parte do ciclo atmosférico contemporâneo há poucos meses, por isso seu impacto líquido é reduzido, embora não seja exatamente zero (há emissões associadas ao plantio, colheita, transporte e processamento industrial).

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "o álcool é obtido principalmente da cana-de-açúcar" → revela a origem vegetal e renovável do combustível, condição necessária para existir captura fotossintética prévia de CO₂.
  • Evidência 2: "razão pela qual o classificam como biocombustível" → o próprio texto amarra a origem vegetal ao rótulo "biocombustível", direcionando o raciocínio para o conceito de ciclo do carbono, e não para outros temas ambientais como poluição hídrica ou biodiversidade.
  • Síntese: o enunciado constrói uma cadeia lógica — cana-de-açúcar → fotossíntese → etanol → combustão → CO₂ — cujo efeito direto e mensurável é a redução da emissão efetiva de dióxido de carbono em relação ao uso exclusivo de combustíveis fósseis.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a natureza do combustível

O texto afirma que o álcool usado no Brasil vem "principalmente da cana-de-açúcar" e é classificado como "biocombustível". Isso significa que sua matéria-prima é biomassa vegetal cultivada recentemente, não petróleo fóssil.

Subpasso 4.2 — Rastrear o caminho do carbono

Durante seu crescimento, a cana-de-açúcar realiza fotossíntese, retirando CO₂ da atmosfera e convertendo-o em sacarose (6 CO₂ + 6 H₂O + luz → C₆H₁₂O₆ + 6 O₂). Esse açúcar é fermentado por leveduras, gerando etanol (C₂H₅OH). Quando o etanol é queimado no motor, ocorre a reação:

C₂H₅OH + 3 O₂ → 2 CO₂ + 3 H₂O

O CO₂ liberado na combustão é, em grande parte, o mesmo CO₂ que a planta havia capturado poucos meses antes. Isso fecha um ciclo curto de carbono, diferente do que ocorre com a gasolina, cujo carbono estava fossilizado há milhões de anos e representa uma injeção líquida de carbono "novo" no ciclo atmosférico atual.

Subpasso 4.3 — Verificação

Comparando etanol e gasolina: ambos emitem CO₂ na queima, mas o etanol tem parte desse carbono compensada pela fotossíntese da lavoura de cana, reduzindo a emissão efetiva (líquida) de CO₂ lançada na atmosfera. Esse resultado bate exatamente com a alternativa E, confirmando que o efeito direto da substituição de gasolina por etanol é a diminuição da emissão efetiva de dióxido de carbono — e não ganhos em biodiversidade, recursos hídricos, camada de ozônio ou espécies ameaçadas, que são, no máximo, efeitos indiretos, questionáveis ou mesmo contraditos pela monocultura canavieira.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) preservação de rios e lagos.

❌ Incorreta: o uso do etanol não garante proteção de corpos d'água; ao contrário, o cultivo intensivo de cana-de-açúcar pode gerar impactos hídricos negativos, como consumo elevado de água na irrigação e contaminação por agrotóxicos e fertilizantes (escoamento superficial), além da vinhaça gerada na produção do etanol, que exige tratamento adequado. Não é um efeito direto ligado ao conceito de biocombustível descrito no texto.

B) preservação da biodiversidade.

❌ Incorreta: a expansão de canaviais frequentemente ocorre por meio de monocultura em larga escala, que reduz a diversidade de espécies vegetais e animais locais, podendo inclusive pressionar biomas nativos. O texto não trata de conservação de ecossistemas, mas do ciclo do carbono do combustível.

C) diminuição do buraco da camada de ozônio.

❌ Incorreta: erro conceitual clássico de confundir efeito estufa com destruição da camada de ozônio. O buraco de ozônio é causado principalmente por gases halogenados (como os CFCs — clorofluorcarbonos), que reagem com o ozônio estratosférico, e não pelo CO₂ emitido na queima de combustíveis. O uso de etanol não tem relação direta com esse fenômeno.

D) preservação de espécies ameaçadas de extinção.

❌ Incorreta: não há, no enunciado, qualquer menção a fauna, flora ameaçada ou unidades de conservação. Essa alternativa tenta seduzir o candidato por parecer uma resposta "ambientalmente positiva" genérica, mas está fora do escopo específico da questão, que é o balanço de carbono do biocombustível.

E) diminuição da emissão efetiva de dióxido de carbono.

✅ Correta: como o carbono liberado na queima do etanol foi capturado da atmosfera pela cana-de-açúcar durante seu crescimento (fotossíntese), o saldo líquido de CO₂ adicionado à atmosfera é menor do que o gerado pela queima equivalente de um combustível fóssil como a gasolina. Esse é exatamente o efeito direto descrito e valorizado no texto ao classificar o álcool como biocombustível.

🏆 Gabarito: E — o uso do etanol de cana-de-açúcar fecha um ciclo curto de carbono (captura na fotossíntese e liberação na combustão), reduzindo a emissão efetiva de CO₂ em comparação aos combustíveis fósseis, que é exatamente o que caracteriza um biocombustível.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a única alternativa que decorre diretamente do conceito de "biocombustível" apresentado no texto é a diminuição da emissão efetiva de dióxido de carbono, pois é o único efeito causado diretamente pelo balanço entre captura fotossintética e liberação na combustão.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra o conceito de biocombustíveis (etanol, biodiesel) associando-o ao ciclo do carbono e à mitigação do efeito estufa, muitas vezes contrapondo-o aos combustíveis fósseis, que adicionam carbono "novo" à atmosfera.
  • Generalização: sempre que o enunciado mencionar um combustível de origem vegetal/biomassa recente, associe-o à ideia de "carbono reciclado" (fotossíntese compensa a queima) e não a benefícios ambientais amplos e não relacionados diretamente ao tema (água, biodiversidade, ozônio, espécies).
  • Dica de eliminação rápida: exclua de cara qualquer alternativa que fale em "camada de ozônio" quando o tema for combustão e CO₂ (são fenômenos distintos — ozônio relaciona-se a CFCs, não a gases de efeito estufa como o CO₂); desconfie também de alternativas "bonitas demais" (biodiversidade, espécies ameaçadas) que não decorrem logicamente do texto.
  • Conexões: efeito estufa e aquecimento global; matriz energética renovável brasileira (Proálcool); biodiesel e outras fontes de bioenergia.

Comunidade Memorize · Grátis

Não perca nenhuma live, aula ou material.

Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.