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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaFácil

Questão 94ENEM 2022 PPLCaderno azul · 2º Dia

A alteração de hábitats é uma causa bem documentada no que tange à redução de populações de anfíbios no mundo. Uma pesquisa feita em um remanescente da Floresta de Araucária, no município de Fazenda Rio Grande (PR), revelou que cerca de 40% das espécies de anfíbios anuros daquela região estão associadas à mata estudada, distribuindo-se desde o seu interior até o entorno.

ROSSA-FERES, D. C.; CONTE, C. E. Rev. Bras. de Zoologia, n. 4, dez. 2007 (adaptado).

Qual é a proposta adequada para a conservação da diversidade biológica dos anuros na região citada?

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Ecologia (conservação da biodiversidade, fragmentação de hábitats, herpetofauna)
  • ⚡ Nível: Fácil — basta perceber que a causa apontada pelo próprio texto (alteração do hábitat) só se resolve atacando essa mesma causa.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Conservação in situ da biodiversidade; competência de relacionar um dado ecológico do texto a uma medida coerente de manejo ambiental.
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual ação protege de fato as espécies de anuros que dependem do fragmento de Floresta de Araucária estudado?"
  • Palavras-chave decisivas: alteração de hábitats, associadas à mata, remanescente
  • Armadilha típica: confundir "fazer algo pela fauna" com qualquer intervenção humana bem-intencionada — reflorestar com árvores quaisquer, soltar bichos de cativeiro, mexer geneticamente nas espécies — sem perceber que nenhuma dessas ações interrompe a causa real da perda de biodiversidade descrita no texto.
  • O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que, quando o próprio enunciado nomeia a causa do problema (alteração/perda de hábitat), a "proposta adequada" é a que elimina essa causa, e não uma solução paliativa ou artificial.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Conservação in situ: estratégia de proteger a espécie dentro do seu próprio ambiente natural, preservando as relações ecológicas (sítios de reprodução, abrigo, alimentação, umidade do solo) que sustentam a população; é reconhecida como a forma mais eficaz e completa de conservação da biodiversidade.
  • Conservação ex situ: manutenção de indivíduos fora do hábitat natural (cativeiro, bancos genéticos, zoológicos); tem valor científico e emergencial, mas não substitui a preservação do ambiente — se o hábitat continua sendo destruído, qualquer animal solto ali volta a sofrer a mesma pressão.
  • Anfíbios como bioindicadores: anuros têm pele fina e permeável e ciclo de vida bifásico (girino aquático + adulto terrestre), o que os torna extremamente sensíveis a alterações de umidade, temperatura e cobertura vegetal — por isso a riqueza de anfíbios é um indicador confiável da qualidade de um remanescente florestal.
  • Fragmentação e efeito de borda: quando uma floresta é reduzida a "ilhas" cercadas por áreas abertas, as bordas ficam expostas a maior insolação e ressecamento, alterando microclimas dos quais muitas espécies de anuros dependem para sobreviver e se reproduzir.
  • Espécies exóticas x nativas: a introdução de espécies não nativas (como o eucalipto) não recompõe a cadeia trófica original; ao contrário, pode competir por água e nutrientes, alterar o solo e empobrecer ainda mais a fauna nativa associada.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "A alteração de hábitats é uma causa bem documentada... na redução de populações de anfíbios no mundo" → o texto já entrega, de forma explícita, a causa-raiz do declínio: a modificação do ambiente natural, não fatores genéticos, nem falta de indivíduos em cativeiro.
  • Evidência 2: "cerca de 40% das espécies de anfíbios anuros daquela região estão associadas à mata estudada, distribuindo-se desde o seu interior até o entorno" → revela que o remanescente de Araucária é hábitat indispensável para quase metade da anurofauna local, e que essa dependência não se limita ao núcleo da mata: envolve também as bordas (entorno), reforçando que todo o fragmento — e não só uma parte — precisa ser preservado.
  • Síntese: se a causa da queda populacional é a alteração do hábitat, e boa parte das espécies depende justamente desse fragmento remanescente (do interior às bordas), a única proposta coerente é impedir que esse hábitat continue sendo destruído, ou seja, deter o desmatamento.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a lógica causa-efeito do texto

O texto-base constrói um raciocínio científico simples e direto: alteração de hábitat → redução das populações de anfíbios. O comando pede a "proposta adequada para a conservação da diversidade biológica dos anuros na região citada", isto é, pede exatamente a ação capaz de neutralizar a causa que o próprio texto identificou. Toda alternativa que não atue sobre essa causa (a integridade do hábitat) está fora do escopo da pergunta.

Subpasso 4.2 — Aplicar o princípio de conservação in situ

Como 40% das espécies de anuros da região dependem do remanescente — do interior até o entorno —, a manutenção da floresta como um todo é condição indispensável para a sobrevivência dessas populações. Isso significa que qualquer redução adicional da área florestal (novo desmatamento) elimina hábitat crítico para uma fração expressiva da anurofauna regional. A medida cientificamente correta, e coerente com o diagnóstico do próprio texto, é impedir que esse desmatamento continue, garantindo a preservação in situ do remanescente.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando essa conclusão com as cinco alternativas, apenas uma delas ataca diretamente a causa apontada no texto (perda/alteração de hábitat) sem introduzir elementos artificiais, exóticos ou paliativos que não resolvem o problema de fundo. Essa alternativa é a que propõe acabar com o desmatamento do remanescente — a letra E.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Reflorestar com eucaliptos, por crescerem rapidamente.

❌ Incorreta: o eucalipto é uma espécie exótica, de origem australiana, cultivada em monocultura para fins madeireiros. Sua rápida taxa de crescimento não compensa o fato de não recompor a estrutura de sub-bosque, a umidade do solo e a rede de interações ecológicas da Floresta de Araucária original — pelo contrário, monoculturas de eucalipto tendem a reduzir ainda mais a biodiversidade local, inclusive de anuros.

B) Modificar geneticamente as espécies de anuros nativas.

❌ Incorreta: a modificação genética não tem relação alguma com a causa identificada no texto (alteração do hábitat). Alterar o genoma das espécies não restaura o ambiente destruído nem impede novos desmatamentos; é uma proposta tecnicamente descabida para um problema de natureza ambiental e não genética.

C) Soltar anuros criados em cativeiro no fragmento florestal.

❌ Incorreta: trata-se de conservação ex situ aplicada de forma isolada. Reintroduzir indivíduos criados em cativeiro não resolve o problema se o hábitat continuar sendo degradado — os animais soltos estariam sujeitos exatamente às mesmas pressões (perda de área, alteração de microclima) que causaram o declínio populacional relatado.

D) Introduzir novas espécies de árvores no fragmento florestal.

❌ Incorreta: introduzir espécies arbóreas não nativas no remanescente pode competir com a vegetação original, alterar as condições de solo, luminosidade e umidade, e desequilibrar ainda mais o ecossistema — indo na direção oposta à conservação da Floresta de Araucária e de sua fauna associada.

E) Acabar com o desmatamento do remanescente de Floresta de Araucária.

✅ Correta: é a única proposta que ataca diretamente a causa citada no texto — a alteração de hábitats. Preservar intacto o remanescente (interior e entorno) garante a manutenção das condições ambientais das quais 40% das espécies de anuros da região dependem, caracterizando a estratégia de conservação in situ, reconhecida como a mais eficaz para proteger a biodiversidade.

🏆 Gabarito: E — interromper o desmatamento é a única medida que elimina a causa real do declínio populacional apontada no texto, preservando o hábitat do qual depende a maior parte da anurofauna regional.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a letra E é a única alternativa que corresponde à conservação in situ, atacando diretamente a causa (alteração de hábitat) que o próprio texto identificou como responsável pela redução das populações de anfíbios.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra a lógica "diagnóstico ambiental no texto → proposta de solução compatível", tanto em ecologia de populações quanto em questões sobre desmatamento, fragmentação de hábitats e espécies exóticas.
  • Generalização: sempre que uma questão de conservação apresentar uma causa de degradação no enunciado, a resposta correta é, quase sempre, a alternativa que elimina ou reverte essa causa específica — raramente será uma solução tecnológica, genética ou paliativa.
  • Dica de eliminação rápida: descarte de imediato alternativas que envolvam espécies exóticas ("eucalipto", "novas espécies de árvores") e intervenções artificiais desconectadas do hábitat ("modificação genética", "cativeiro") — em questões de conservação, esses são quase sempre distratores clássicos.
  • Conexões: fragmentação de hábitats e efeito de borda; espécies exóticas invasoras; conservação in situ x ex situ; anfíbios como bioindicadores de qualidade ambiental.

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