Mapa de questões · 2º dia
Questão 154 — ENEM 2022 PPLCaderno azul · 2º Dia
A tarifa da energia elétrica no Brasil tem sofrido variações em função do seu custo de produção, seguindo um sistema de bandeiras tarifárias. Esse sistema indica se haverá ou não acréscimo no valor do quilowatt-hora (kWh). Suponha que o repasse ao consumidor final seja da seguinte maneira:
• bandeira verde: a tarifa não sofre acréscimo;
• bandeira amarela: a tarifa sofre acréscimo de R$ 0,015 para cada kWh consumido;
• bandeira vermelha — patamar 1: a tarifa sofre acréscimo de R$ 0,04 para cada kWh consumido;
• bandeira vermelha — patamar 2: a tarifa sofre acréscimo de R$ 0,06 para cada kWh consumido.
A conta de energia elétrica em uma residência é constituída apenas por um valor correspondente à quantidade de energia elétrica consumida no período medido, multiplicada pela tarifa correspondente.
O valor da tarifa em um período com uso da bandeira verde é R$ 0,42 por kWh consumido. Uma forte estiagem justificou a alteração da bandeira verde para a bandeira vermelha — patamar 2.
Um usuário, cujo consumo é tarifado na bandeira verde, observa o seu consumo médio mensal. Para não afetar o seu orçamento familiar, ele pretende alterar a sua prática de uso de energia, reduzindo o seu consumo, de maneira que a sua próxima fatura tenha, no máximo, o mesmo valor da conta de energia do período em que era aplicada a bandeira verde.
Qual percentual mínimo de redução de consumo esse usuário deverá praticar de forma a atingir seu objetivo?
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Matemática → Porcentagem (aumento e redução percentual) e razão entre grandezas
- ⚡ Nível: Médio — a inequação é simples de montar, mas exige distinguir "fração que resta" de "percentual reduzido", ponto em que a proporcionalidade inversa costuma confundir.
- 🎯 Tema/Habilidade: Resolução de situações-problema envolvendo porcentagens em contextos socioeconômicos (tarifas públicas), com uso de razão e proporção inversa entre preço e quantidade.
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual o menor corte percentual no consumo capaz de impedir que a fatura, já com a tarifa da vermelha–patamar 2, ultrapasse o valor pago na bandeira verde?"
- Palavras-chave decisivas: percentual mínimo, redução de consumo, no máximo, o mesmo valor
- Armadilha típica: encontrar corretamente que o novo consumo pode ser, no máximo, 87,5% do antigo — e parar aí, marcando 87,5% em vez de calcular o complemento (a redução em si).
- O que a resposta precisa demonstrar: traduzir "a conta não pode aumentar" em uma inequação, resolvê-la e reler o resultado à luz exata do que foi perguntado: a redução, não a fração que resta.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Valor da fatura como produto: conta de energia = tarifa (R$/kWh) × consumo (kWh). Toda a questão gira em torno de manter esse produto constante (ou menor) quando um dos fatores aumenta.
- Bandeira tarifária como acréscimo aditivo à tarifa-base: cada bandeira soma um valor fixo por kWh à tarifa verde; aqui, a mudança relevante é de verde (sem acréscimo) para vermelha–patamar 2 (acréscimo de R$ 0,06/kWh).
- Dado de contexto x dado de cálculo: o enunciado cita quatro faixas para explicar o sistema, mas o cálculo usa só duas — a tarifa de partida (verde) e a de chegada (vermelha–patamar 2); amarela e patamar 1 são apenas contexto.
- Proporcionalidade inversa entre preço e quantidade: para o gasto total não crescer, se o preço unitário sobe, a quantidade consumida precisa cair — mas em uma proporção diferente (menor) da proporção em que o preço subiu, porque a base de cada porcentagem é diferente.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "o valor da tarifa em um período com uso da bandeira verde é R$ 0,42 por kWh" → fixa a tarifa e o consumo antigos como referência (base 100%) de toda a comparação.
- Evidência 2: "alteração da bandeira verde para a bandeira vermelha — patamar 2" → ativa especificamente o acréscimo de R$ 0,06/kWh; a nova tarifa é 0,42 + 0,06 = R$ 0,48/kWh.
- Evidência 3: "a sua próxima fatura tenha, no máximo, o mesmo valor da conta [...] da bandeira verde" → estabelece uma desigualdade (≤): a nova conta pode até ficar menor, mas nunca pode superar a antiga.
- Evidência 4: "qual percentual mínimo de redução de consumo" → pede o valor-limite exato: a menor redução que ainda garante a desigualdade.
- Síntese: o problema pede o menor valor de (1 − C'/C) tal que 0,48 · C' ≤ 0,42 · C, sendo C o consumo antigo (bandeira verde) e C' o novo consumo (bandeira vermelha–patamar 2).
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Determinar a nova tarifa e montar a inequação
A tarifa verde vale R$ 0,42/kWh. Na bandeira vermelha — patamar 2, soma-se o acréscimo de R$ 0,06/kWh (atenção: não confundir com o patamar 1, que vale R$ 0,04/kWh):
Tarifa nova = 0,42 + 0,06 = R$ 0,48/kWh
Sejam C o consumo (kWh) no período de bandeira verde e C' o novo consumo, já sob a bandeira vermelha–patamar 2. A exigência do usuário — a nova fatura não pode ultrapassar a antiga — vira:
0,48 · C' ≤ 0,42 · C
Subpasso 4.2 — Resolver a inequação e converter em percentual de redução
Isolando a razão entre os consumos:
C'/C ≤ 0,42 ÷ 0,48 = 42/48 = 7/8 = 0,875
Ou seja: o novo consumo pode ser, no máximo, 87,5% do consumo original — esse é o teto do que "sobra". O percentual de redução é o complemento dessa fração até 100%:
Redução mínima = 1 − 7/8 = 1/8 = 0,125 = 12,5%
Subpasso 4.3 — Verificação
Teste com um valor redondo, C = 1000 kWh:
- Conta antiga: 0,42 × 1000 = R$ 420,00
- Reduzindo exatamente 12,5%: C' = 1000 × 0,875 = 875 kWh
- Conta nova: 0,48 × 875 = R$ 420,00 ✓
As duas contas dão exatamente o mesmo valor — confirmando que 12,5% é o limite mínimo de redução: qualquer corte menor que esse deixaria a nova conta mais cara que a antiga. O resultado confirma a alternativa B.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) 6,0%
❌ Incorreta: surge ao ler o acréscimo em reais (R$ 0,06) direto como porcentagem ("0,06 vira 6%"), sem dividi-lo pela tarifa-base de R$ 0,42. Toda porcentagem exige uma razão com referência clara — aqui, a tarifa antiga —, e não pode ser lida direto do valor monetário do acréscimo.
B) 12,5%
✅ Correta: é o complemento exato da razão entre as tarifas, 1 − 0,42/0,48 = 1 − 7/8 = 1/8 = 12,5%, ou seja, o menor corte percentual no consumo que faz 0,48 × C' se igualar, no limite, a 0,42 × C — exatamente o que o enunciado pede.
C) 14,3%
❌ Incorreta: esse número é o aumento percentual da tarifa, não a redução necessária no consumo: (0,48 − 0,42) ÷ 0,42 = 0,06/0,42 = 1/7 ≈ 14,3%. É o erro clássico de tratar preço e quantidade como se variassem na mesma proporção (proporcionalidade direta), quando na verdade a relação é inversa: como a tarifa maior passa a incidir sobre um consumo menor, a base do cálculo muda, e a redução real necessária (12,5%) é menor que o aumento percentual do preço (14,3%).
D) 16,6%
❌ Incorreta: é o tipo de valor que aparece quando há um deslize na simplificação da fração 42/48. O caminho correto é dividir os dois termos pelo MDC (que é 6), chegando a 7/8 e a uma redução de 1/8 = 12,5%; um erro nesse processo — obtendo uma fração vizinha incorreta, como 5/6 — leva a uma redução de 1/6 ≈ 16,6%, que não corresponde à razão real entre as duas tarifas do problema.
E) 87,5%
❌ Incorreta: 87,5% é exatamente C'/C, isto é, o percentual do consumo antigo que ainda pode ser mantido — o que "sobra", não o que precisa ser cortado. É o número certo para a pergunta errada: a questão pede a redução, que é o complemento, 100% − 87,5% = 12,5%.
🏆 Gabarito: B — a fatura só deixa de aumentar se o novo consumo for, no máximo, 7/8 (87,5%) do consumo antigo; portanto, o corte mínimo necessário é o 1/8 restante, ou seja, 12,5%.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas 12,5% satisfaz, ao mesmo tempo, a inequação da fatura (0,48 · C' ≤ 0,42 · C) e a pergunta exata do enunciado (a redução, não a fração que resta) — nenhuma outra alternativa atende às duas condições simultaneamente.
- Padrão de cobrança: o ENEM repete com frequência o cenário "preço sobe, quantidade precisa cair para compensar" — tarifas de energia, combustíveis, planos de internet, reajuste de aluguel — sempre testando se o estudante entende que preço e quantidade se relacionam por proporcionalidade inversa, e não por subtração direta de porcentagens.
- Generalização: se um preço aumenta X% (é multiplicado por 1+X), o percentual de redução Y necessário na quantidade para manter o gasto igual é sempre Y = 1 − 1/(1+X), nunca Y = X. Quanto maior o aumento X, maior a diferença entre X e Y.
- Dica de eliminação rápida: calcule primeiro a razão tarifa antiga ÷ tarifa nova — esse resultado é sempre a fração de consumo que RESTA, nunca a redução. Se esse valor aparecer entre as alternativas (aqui, 87,5%), desconfie: ele é a armadilha mais comum da questão; a resposta certa costuma ser "100% menos esse valor".
- Conexões: matemática financeira (juros e descontos sucessivos); proporcionalidade inversa; problemas de "aumento de preço x queda de consumo" em contas de água, gás e combustível.
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