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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaFísicaFácil

Questão 131ENEM 2022 PPLCaderno azul · 2º Dia

Estudos apontam que o meteorito que atingiu o céu da Rússia em fevereiro de 2013 liberou uma energia equivalente a 500 quilotoneladas de TNT (trinitrotolueno), cerca de 30 vezes mais forte que a bomba atômica lançada pelos Estados Unidos em Hiroshima, no Japão, em 1945. Os cálculos estimam que o meteorito estava a 19 quilômetros por segundo no momento em que atingiu a atmosfera e que seu brilho era 30 vezes mais intenso do que o brilho do Sol.

A energia liberada pelo meteorito ao entrar na atmosfera terrestre é proveniente, principalmente,

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Física → Mecânica (Energia Cinética e Conservação de Energia)
  • ⚡ Nível: Fácil — a questão é essencialmente conceitual, sem exigir cálculo, bastando reconhecer qual grandeza física explica a energia liberada por um corpo em altíssima velocidade
  • 🎯 Tema/Habilidade: Energia cinética e conversão de energia mecânica em calor e luz — competência de interpretar fenômenos naturais à luz de princípios físicos (área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias)
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "De onde vem, principalmente, a energia liberada pelo meteorito ao entrar na atmosfera terrestre?"
  • Palavras-chave decisivas: 19 quilômetros por segundo, energia liberada, principalmente
  • Armadilha típica: deixar-se levar pelos números "chamativos" do texto — bomba de Hiroshima, TNT, brilho 30 vezes maior que o do Sol — e marcar a alternativa que apenas repete esses termos de comparação, confundindo unidade de medida ou analogia ilustrativa com causa física real.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato entende que a energia de um corpo em movimento depende de sua massa e, sobretudo, de sua velocidade, e que essa energia pode se converter em calor, luz e onda de choque sem qualquer reação química ou nuclear envolvida.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Energia cinética: energia associada ao movimento de um corpo, dada por Ec = (m·v²)/2, em que m é a massa e v é a velocidade. Como a velocidade aparece ao quadrado, pequenos aumentos de v provocam aumentos enormes de energia — por isso corpos relativamente pequenos, em velocidades extremas, carregam energias comparáveis a explosões.
  • Atrito atmosférico e conversão de energia: ao atravessar a atmosfera a dezenas de milhares de km/h, o meteorito comprime bruscamente o ar à sua frente, gerando atrito intensíssimo. Pela conservação de energia, a energia cinética se transforma em calor (aquecendo e vaporizando o material a milhares de graus, gerando o brilho ofuscante do bólido) e em energia sonora/mecânica (a onda de choque), podendo culminar em explosão aérea (airburst) quando as tensões internas rompem a rocha.
  • Fonte física × unidade de comparação: expressar uma energia em "quilotoneladas de TNT" é apenas uma convenção para dar noção de grandeza ao leitor (como usar "cavalos" para potência), e não significa que houve explosivo químico envolvido. Da mesma forma, comparar o brilho ao do Sol descreve intensidade luminosa, não indica que houve fusão nuclear.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "o meteorito estava a 19 quilômetros por segundo no momento em que atingiu a atmosfera" → revela uma velocidade extrema (equivalente a 68.400 km/h), o dado físico central para calcular energia cinética.
  • Evidência 2: "liberou uma energia equivalente a 500 quilotoneladas de TNT" → o verbo "equivalente" é a chave de leitura: o texto compara a energia liberada a uma quantidade de TNT só para dimensionar o fenômeno, sem afirmar que havia explosivo dentro do meteorito.
  • Síntese: o enunciado fornece um dado físico real (velocidade) e duas comparações ilustrativas (TNT e brilho do Sol), mas nenhuma informação sobre composição explosiva ou processo nuclear. Isso direciona logicamente à energia cinética como a origem real do fenômeno.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a natureza física do fenômeno

Um meteorito é um fragmento rochoso e/ou metálico (silicatos, ferro, níquel) que viaja pelo espaço e entra na atmosfera terrestre a dezenas de quilômetros por segundo. Ele não carrega combustível, não contém material físsil e não passa por fusão nuclear — é apenas massa em movimento extremamente rápido. Pela definição de energia cinética, Ec = (m·v²)/2, essa energia já está "armazenada" no corpo simplesmente por ele estar em altíssima velocidade, antes mesmo de tocar a atmosfera.

Subpasso 4.2 — Conferindo a ordem de grandeza

Vale a pena verificar que os próprios números do enunciado são coerentes com a explicação por energia cinética. Sabendo que 1 quilotonelada de TNT ≈ 4,184 × 10¹² J:

E = 500 × 4,184×10¹² ≈ 2,09 × 10¹⁵ J

Com v = 19 km/s = 1,9 × 10⁴ m/s, temos v² ≈ 3,61 × 10⁸ m²/s². Isolando a massa em Ec = (m·v²)/2:

m = 2E/v² = (2 × 2,09×10¹⁵) / (3,61×10⁸) ≈ 1,16 × 10⁷ kg ≈ 11.600 toneladas

Esse valor é extremamente próximo das estimativas científicas reais da massa do meteoro de Chelyabinsk (cerca de 12 mil toneladas, ~17-20 m de diâmetro antes de fragmentar-se). Ou seja: a energia cinética, sozinha, já explica com precisão a energia liberada, sem necessidade de nenhuma outra fonte de energia.

Subpasso 4.3 — Verificação

Ao atravessar a atmosfera, essa energia cinética gigantesca é dissipada por atrito com o ar em poucos segundos, convertendo-se em calor (aquecimento e vaporização do material, responsáveis pelo brilho "30 vezes mais intenso que o Sol") e em onda de choque (que, no caso real de Chelyabinsk, estilhaçou vidraças em várias cidades russas). Toda a cadeia de evidências — velocidade extrema, ausência de reação química ou nuclear, consistência numérica — confirma que a energia é, principalmente, cinética.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) da queima de combustíveis contidos no meteorito.

❌ Incorreta: meteoritos são corpos rochosos/metálicos naturais, sem tanques de combustível ou substâncias projetadas para reagir quimicamente. Não existe processo de combustão associado à sua composição.

B) de reações nucleares semelhantes às que ocorrem no Sol.

❌ Incorreta: no Sol ocorre fusão nuclear — núcleos de hidrogênio se fundindo em hélio sob temperaturas e pressões colossais no núcleo estelar. O meteorito não passa por nenhum processo de fusão; a comparação do enunciado ("brilho 30 vezes mais intenso que o Sol") descreve apenas a intensidade luminosa observada, não a origem física da luz.

C) da energia cinética associada à grande velocidade do meteorito.

✅ Correta: a velocidade de 19 km/s confere ao meteorito uma energia cinética descomunal (Ec = m·v²/2), que se converte em calor, luz e onda de choque ao ser dissipada pelo atrito com a atmosfera — como confirmado pelo cálculo de ordem de grandeza do Subpasso 4.2.

D) de reações semelhantes às que ocorrem em explosões nucleares.

❌ Incorreta: explosões nucleares envolvem reações no núcleo dos átomos (fissão ou fusão), com liberação de radiação ionizante e produtos radioativos. Um meteorito rochoso, ao entrar na atmosfera, não sofre nenhuma reação nuclear — o fenômeno observado é puramente mecânico e térmico.

E) da queima da grande quantidade de trinitrotolueno presente no meteorito.

❌ Incorreta: o TNT é citado no texto apenas como referência de unidade de energia — o senso comum usa "toneladas de TNT" para expressar grandes quantidades de energia liberada (terremotos, impactos, explosões). O TNT é um composto orgânico sintético fabricado pelo ser humano; não existe TNT dentro de um meteorito natural.

🏆 Gabarito: C — a energia liberada vem da conversão da energia cinética (associada à altíssima velocidade de 19 km/s) em calor, luz e onda de choque ao atravessar a atmosfera, sem qualquer participação de combustão, fusão ou fissão nuclear.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a energia cinética (Ec = m·v²/2) explica fisicamente por que um simples fragmento de rocha, sem qualquer processo químico ou nuclear, libera uma energia comparável à de uma bomba: a responsável é a velocidade extrema, elevada ao quadrado na fórmula.
  • Padrão de cobrança: o ENEM costuma usar fenômenos "espetaculares" do noticiário (meteoros, reentradas, colisões espaciais, foguetes) como pretexto para cobrar conceitos básicos de energia mecânica, testando se o aluno não se distrai com números grandes e referências históricas (Hiroshima, TNT).
  • Generalização: sempre que um enunciado mencionar um corpo em altíssima velocidade liberando grande quantidade de energia ao ser freado, impactar ou colidir, pense primeiro em energia cinética antes de cogitar reações químicas ou nucleares.
  • Dica de eliminação rápida: desconfie de alternativas que citam "TNT", "explosão nuclear" ou "reação no Sol" quando esses termos aparecem no texto-base apenas como comparação de grandeza — comparação não é explicação de causa. Elimine A e E de imediato (não há combustível/explosivo real no corpo) e B e D em seguida (não há reação nuclear em uma rocha comum).
  • Conexões: este raciocínio se conecta a conservação de energia mecânica, trabalho e atrito, e reaparece no contexto de reentrada de espaçonaves na atmosfera, que aquecem pelo mesmo motivo físico — dissipação de energia cinética por atrito com o ar.

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