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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaMédio

Questão 133ENEM 2022 PPLCaderno azul · 2º Dia

Uma intervenção no meio ambiente tem inquietado muitos pesquisadores que consideram um risco reviver uma espécie extinta. Os envolvidos são os mamutes, paquidermes peludos extintos há milhares de anos. Em cadáveres de mamutes recuperados de locais como a Sibéria, estão sendo conduzidas buscas por células somáticas com núcleos viáveis para, posteriormente, ser tentada a sua inserção em zigotos anucleados de elefantes.

COOPER, A. The Year of Mammoth. PLoS Biol, n. 3, mar. 2006 (adaptado).

O método citado é denominado clonagem embrionária porque

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Biotecnologia (clonagem por transferência nuclear)
  • ⚡ Nível: Médio — exige diferenciar com precisão clonagem, hibridização e transgenia, três conceitos que o ENEM adora confundir de propósito.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Compreender técnicas biotecnológicas (clonagem por transferência de núcleo) e relacionar a origem do material genético ao produto biológico formado.
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Por que o processo descrito — transferir o núcleo de uma célula do mamute para um óvulo sem núcleo do elefante — recebe o nome de 'clonagem embrionária'?"
  • Palavras-chave decisivas: células somáticas com núcleos viáveis, zigotos anucleados, clonagem embrionária
  • Armadilha típica: associar o fato de duas espécies estarem envolvidas (mamute e elefante) a "hibridização" ou "transferência de genes entre espécies" — quando, na verdade, apenas o citoplasma vem do elefante, não o núcleo.
  • O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que o critério que define "clone" é a identidade genética (cromossômica) entre o embrião formado e o indivíduo que doou o núcleo.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Clonagem por transferência nuclear (a técnica da ovelha Dolly): retira-se o núcleo de uma célula somática (diploide, 2n, com o genoma completo do doador) e o insere em um óvulo de outro indivíduo que teve seu próprio núcleo removido (enucleado). A célula reconstruída é estimulada eletricamente/quimicamente a se dividir como se fosse um zigoto recém-fecundado.
  • Célula somática: qualquer célula do corpo que não seja gameta; é diploide (2n) e carrega todos os cromossomos do organismo — por isso funciona como "molde genético completo" para gerar um clone.
  • Papel do citoplasma receptor (óvulo/zigoto anucleado): fornece apenas organelas, nutrientes e fatores necessários ao início do desenvolvimento embrionário; não contribui com cromossomos nucleares. Por isso o óvulo ser de elefante não torna o embrião geneticamente "meio-elefante".
  • Clonagem × Hibridização × Transgenia: clonagem gera uma cópia idêntica de um único genoma; hibridização combina dois genomas parentais por reprodução sexuada (ex.: mula = égua × jumento); transgenia insere um gene específico de uma espécie no genoma de outra, criando um organismo transgênico.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "buscas por células somáticas com núcleos viáveis" → revela que o material-alvo é o núcleo diploide de uma célula do corpo do mamute, com seu genoma nuclear completo — não um gameta, não um gene isolado.
  • Evidência 2: "inserção em zigotos anucleados de elefantes" → revela que a célula receptora do elefante foi esvaziada do próprio material genético nuclear, restando apenas estrutura celular (citoplasma); ela funciona como "incubadora", não como fonte de cromossomos.
  • Síntese: as duas evidências desenham exatamente o experimento de transferência nuclear de célula somática: o núcleo (cromossomos) é 100% mamute, o citoplasma é do elefante. O produto — o embrião — herda a identidade genética nuclear do mamute, e é isso que justifica chamá-lo de "clone".

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Reconhecer a técnica descrita

O texto narra, em sequência, a Transferência Nuclear de Célula Somática: (1) coleta de célula somática do mamute em tecido preservado no gelo da Sibéria; (2) isolamento do núcleo dessa célula, que carrega os cromossomos do animal extinto; (3) um óvulo de elefante tem seu próprio núcleo removido (anucleação); (4) o núcleo do mamute é inserido na célula anucleada; (5) a célula reconstruída é estimulada a iniciar divisões como um zigoto, originando um embrião.

Subpasso 4.2 — Rastrear a origem dos cromossomos do embrião

Como todo o material genético nuclear inserido vem de uma única célula somática do mamute, o embrião formado carrega exatamente o mesmo conjunto de cromossomos (mesmo cariótipo, mesmo DNA nuclear) desse indivíduo doador — chamado no enunciado de "parental". O elefante entra apenas com a estrutura celular receptora (citoplasma, organelas, maquinaria de divisão), sem alterar o conteúdo cromossômico do núcleo transferido.

Subpasso 4.3 — Verificação

Por definição, um clone é uma cópia geneticamente idêntica de um organismo já existente. Se o embrião produzido é cromossomicamente idêntico ao mamute que forneceu o núcleo, o processo satisfaz exatamente essa definição — e, como o produto imediato é um embrião (ainda não um mamute adulto), o nome técnico é "clonagem embrionária". Confrontando com as cinco alternativas, apenas a opção que fala em "embriões cromossomicamente idênticos ao parental" traduz esse raciocínio: a alternativa D.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) permite a criação de híbridos.

❌ Incorreta: híbrido é o organismo resultante do cruzamento sexuado entre duas espécies ou variedades diferentes, combinando dois genomas parentais distintos (como a mula, de égua × jumento). Na técnica descrita, o núcleo do óvulo do elefante foi removido antes da inserção do núcleo do mamute — não há fusão de dois genomas nucleares, logo não há hibridização.

B) depende da reprodução assistida.

❌ Incorreta: o processo até pode envolver procedimentos laboratoriais parecidos com os de reprodução assistida (manipulação de óvulos, implantação em útero), mas esse não é o critério que define o nome "clonagem". O termo "clone" se refere à identidade genética com o doador do núcleo, não ao tipo de suporte técnico empregado no laboratório.

C) leva à formação de uma nova espécie.

❌ Incorreta: é o oposto do que ocorre. A clonagem reproduz geneticamente um indivíduo já existente da mesma espécie (o mamute), não cria uma espécie nova. Todo o esforço de "desextinção" descrito no texto busca justamente recuperar uma espécie que já existiu, não inventar uma inédita.

D) gera embriões cromossomicamente idênticos ao parental.

✅ Correta: como demonstrado no Passo 4, o embrião formado carrega o mesmo conjunto de cromossomos da célula somática doadora (o mamute "parental"), pois o óvulo receptor apenas cedeu citoplasma depois de ter seu próprio núcleo removido. Essa identidade cromossômica com o doador é exatamente o que define e nomeia o processo como clonagem.

E) está associado com transferência de genes entre espécies.

❌ Incorreta: essa descrição corresponde à transgenia (engenharia genética), técnica em que genes específicos e isolados de uma espécie são inseridos no genoma de outra (como bactérias transgênicas produtoras de insulina humana). Na clonagem, transfere-se o núcleo inteiro de uma única espécie (o mamute), não genes isolados entre espécies diferentes.

🏆 Gabarito: D — o método é chamado de clonagem embrionária porque o embrião resultante é cromossomicamente idêntico ao mamute que doou o núcleo somático; o óvulo do elefante contribui apenas com o citoplasma, sem alterar essa identidade genética.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa que aponta o critério real de definição de um clone — igualdade cromossômica/genética com o organismo doador do núcleo — por isso é a resposta correta.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz reportagens ou trechos científicos sobre biotecnologia (clonagem, transgenia, terapia gênica, técnicas reprodutivas) para testar se o estudante distingue os mecanismos por trás de termos parecidos.
  • Generalização: sempre que o enunciado descrever "núcleo de célula somática inserido em óvulo/célula anucleada", a resposta correta gira em torno da identidade genética com o doador do núcleo (clonagem) — não em torno de mistura de espécies (hibridização) nem de genes isolados (transgenia).
  • Dica de eliminação rápida: risque de cara qualquer alternativa que fale em "nova espécie" ou "híbrido" (clone preserva a espécie e o genoma do doador) e qualquer uma que fale em "genes" sendo transferidos entre espécies (isso é transgenia, não clonagem).
  • Conexões: ovelha Dolly (1996, primeiro mamífero clonado a partir de célula somática adulta, mesma técnica de transferência nuclear); projetos de "desextinção" de espécies (mamute-lanoso, tigre-da-tasmânia) e os debates de bioética envolvidos nesses experimentos.

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