Pular para o conteúdo
MemorizeMemorize
Mapa de questões · 1º dia
HumanasFilosofiaMédio

Questão 90ENEM 2018 PPLCaderno azul · 1º Dia

Quando analisamos nossos pensamentos ou ideias, por mais complexos e sublimes que sejam, sempre descobrimos que se resolvem em ideias simples que são cópias de uma sensação ou sentimento anterior. Mesmo as ideias que, à primeira vista, parecem mais afastadas dessa origem mostram, a um exame mais atento, ser derivadas dela.

HUME, D. Investigação sobre o entendimento humano. São Paulo: Abril Cultural, 1973.

Depreende-se deste excerto da obra de Hume que o conhecimento tem a sua gênese na

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Filosofia → Teoria do Conhecimento (Epistemologia) e Empirismo Britânico (David Hume)
  • ⚡ Nível: Médio — exige reconhecer, dentro de um texto filosófico denso, qual corrente epistemológica está sendo descrita, sem que o autor seja nomeado de forma explícita nas alternativas
  • 🎯 Tema/Habilidade: Gênese do conhecimento segundo o empirismo humeano; competência de leitura e interpretação de textos filosóficos clássicos (H8/H9 da matriz de Ciências Humanas)
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Segundo Hume, de onde vem, originalmente, todo conhecimento humano?"
  • Palavras-chave decisivas: ideias simples, cópias de uma sensação ou sentimento anterior, derivadas dela
  • Armadilha típica: confundir "sentimento" com algo inato ou subjetivo desconectado do mundo externo, e assim marcar "convicção inata" (A) — ou associar "sublime"/"complexo" a uma origem puramente racional, marcando "elaboração do intelecto" (C)
  • O que a resposta precisa demonstrar: que, para Hume, mesmo as ideias mais abstratas e elaboradas remontam, na origem, a uma experiência sensível — ou seja, o conhecimento nasce daquilo que os sentidos captam, não de uma faculdade racional autônoma nem de conteúdos inatos

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Empirismo: corrente filosófica (Locke, Berkeley, Hume) segundo a qual todo conhecimento deriva da experiência — não há ideias gravadas na mente antes do contato com o mundo.
  • Impressões e ideias (Hume): impressões são sensações e sentimentos vivos, imediatos; ideias são cópias mais fracas dessas impressões, usadas no pensamento. Toda ideia complexa é combinação de impressões simples.
  • Inatismo (contraponto): para Descartes, certas ideias (Deus, matemática pura) já estariam na mente antes de qualquer experiência — tese que Hume rejeita.
  • Racionalismo (contraponto): atribui à razão pura, e não aos sentidos, o papel central no conhecimento. Hume inverte essa hierarquia: a razão depende da experiência, não o contrário.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "sempre descobrimos que se resolvem em ideias simples que são cópias de uma sensação ou sentimento anterior" → ao decompor qualquer pensamento, chega-se sempre a um elemento simples cuja origem é uma sensação ou um sentimento — nunca um conteúdo racional puro ou inato.
  • Evidência 2: "Mesmo as ideias que, à primeira vista, parecem mais afastadas dessa origem mostram... ser derivadas dela" → até os conceitos mais abstratos (como "infinito" ou "causa") remontam, num exame atento, a impressões sensíveis. Não há exceção que aponte para outra origem.
  • Síntese: as duas evidências formam o núcleo da tese empirista — toda a arquitetura do conhecimento, da ideia mais simples à mais sofisticada, assenta-se na percepção sensorial. É esse fundamento que o comando pede para identificar.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a tese do autor

David Hume é o principal expoente do empirismo cético britânico do século XVIII. Em "Investigação sobre o entendimento humano", ele defende que a mente humana, ao nascer, é como uma "tábula rasa": não possui conteúdo algum até que a experiência a preencha. O trecho reproduz esse argumento — todo pensamento, por mais "complexo e sublime", decompõe-se em unidades simples, que são sempre cópias de impressões: sensações (visão, tato, audição) ou sentimentos (prazer, dor, medo).

Subpasso 4.2 — Traduzir o vocabulário filosófico para a linguagem do comando

A questão pede a "gênese do conhecimento", isto é, sua origem primeira. No texto essa origem é nomeada: "sensação ou sentimento anterior". Sensação e sentimento são formas de percepção — processos pelos quais o sujeito capta estímulos do mundo externo ou de seu próprio estado interno, sempre por meio dos sentidos e da experiência vivida. Logo, dizer que toda ideia deriva de uma sensação ou sentimento equivale a dizer que ela deriva de uma percepção sensível.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando essa conclusão com as cinco alternativas, só uma expressão sintetiza com precisão "sensação/sentimento" como origem do conhecimento: "percepção dos sentidos". As demais remetem a correntes antagônicas ao empirismo (inatismo, apriorismo, racionalismo, metafísica transcendente), que o próprio Hume combate na obra citada. A resposta converge para a alternativa D.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) convicção inata.

❌ Incorreta: "inato" significa presente na mente desde o nascimento, independentemente de qualquer experiência — é justamente a tese que Hume rejeita. O texto afirma o oposto: toda ideia é "cópia de uma sensação ou sentimento anterior", ou seja, posterior e dependente da experiência, nunca uma convicção já dada de antemão.

B) dimensão apriorística.

❌ Incorreta: "a priori" designa conhecimento que independe da experiência sensível para ser validado (associado sobretudo a Kant, que buscará depois conciliar razão e experiência). Hume defende exatamente o inverso: todo conteúdo mental remonta a uma origem a posteriori, isto é, derivada da experiência sensorial.

C) elaboração do intelecto.

❌ Incorreta: atribuir a gênese do conhecimento ao intelecto (à razão pura, capaz de produzir ideias por si mesma) é a marca do racionalismo, corrente da qual Hume se afasta deliberadamente. Para ele, o intelecto apenas combina, compara e processa material que já lhe foi fornecido pelos sentidos — ele não cria conteúdo do nada.

D) percepção dos sentidos.

✅ Correta: é exatamente o que o texto afirma — toda ideia, mesmo a mais complexa, resolve-se em "ideias simples" copiadas de "uma sensação ou sentimento anterior". Sensação e sentimento são modos de percepção sensível, fundamento sobre o qual Hume constrói toda sua teoria do conhecimento.

E) realidade transcendental.

❌ Incorreta: "transcendental" remete a uma realidade ou princípio que está além da experiência sensível possível — uma dimensão metafísica que Hume, como cético empirista, recusa-se a admitir como fonte de conhecimento legítimo, por não ser verificável pela experiência.

🏆 Gabarito: D — o excerto descreve com clareza a tese central do empirismo de Hume: toda ideia, por mais elaborada, é cópia derivada de uma sensação ou sentimento, ou seja, tem origem na percepção dos sentidos.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa D nomeia corretamente a fonte que o próprio texto indica (sensação/sentimento = percepção sensível); todas as demais descrevem origens que Hume explicitamente nega.
  • Padrão de cobrança: o Enem recorrentemente traz trechos originais de filósofos clássicos (Hume, Descartes, Kant, Locke) e pede que o estudante identifique a corrente filosófica por trás do vocabulário, sem citar o "-ismo" diretamente — a resposta está em traduzir termos como "sensação", "impressão", "razão pura" ou "inato" para a corrente correspondente.
  • Generalização: sempre que um texto disser que o conhecimento "vem da experiência", "é cópia de sensações" ou "nasce do contato com o mundo", a resposta correta apontará para o empirismo (sentidos/experiência); se disser que o conhecimento "independe da experiência" ou "já está na mente", aponta para inatismo/racionalismo/apriorismo.
  • Dica de eliminação rápida: ao ver as palavras "sensação" e "sentimento" no enunciado, elimine imediatamente qualquer alternativa com "inato", "a priori" ou "transcendental" — são antônimos filosóficos de "experiência sensível" e nunca coexistem com a tese empirista no mesmo gabarito.
  • Conexões: empirismo britânico (Locke, Berkeley, Hume); "tábula rasa"; contraste com o racionalismo cartesiano e com o idealismo transcendental de Kant.

Comunidade Memorize · Grátis

Não perca nenhuma live, aula ou material.

Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.