Mapa de questões · 1º dia
Questão 80 — ENEM 2018 PPLCaderno azul · 1º Dia

O critério que rege a hierarquia urbana é a
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Rede urbana e hierarquia urbana brasileira (REGIC/IBGE)
- ⚡ Nível: Médio — a questão exige articular a leitura de um mapa temático com o conceito abstrato de centralidade urbana, e não apenas decorar nomes de categorias.
- 🎯 Tema/Habilidade: Hierarquia urbana brasileira e leitura de mapas temáticos (organização do espaço geográfico em rede)
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual é o critério — a lógica de organização — que classifica as cidades brasileiras nos diferentes níveis hierárquicos mostrados no mapa?"
- Palavras-chave decisivas: hierarquia urbana, critério, rege
- Armadilha típica: confundir características que acompanham cidades importantes (indústria, história, sedes de multinacionais) com o critério que efetivamente as posiciona na hierarquia. Essas características são correlatas ou consequências, não a causa da classificação.
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que a hierarquia urbana é definida pelo grau de influência/comando que uma cidade exerce sobre uma área polarizada (bens, serviços e fluxos), e não por um atributo isolado e fixo.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Rede urbana: conjunto de cidades interligadas por fluxos de pessoas, mercadorias, capitais e informações, organizadas de forma hierárquica e não isolada.
- Hierarquia urbana: classificação das cidades conforme o alcance espacial (raio de influência) e a diversidade/complexidade de bens e serviços que oferecem às demais.
- REGIC (Regiões de Influência das Cidades): estudo periódico do IBGE que organiza os centros urbanos brasileiros em níveis — Grande Metrópole Nacional, Metrópole Nacional, Metrópole, Capital Regional A/B/C, Centro Sub-regional, Centro de Zona e Centro Local — exatamente a escala reproduzida na legenda do mapa da questão.
- Centralidade: capacidade de uma cidade concentrar equipamentos, comércio e serviços especializados (saúde de alta complexidade, ensino superior, justiça, finanças, aeroportos) e, com isso, polarizar/atrair a dependência de cidades menores. É esse alcance funcional que determina a posição de cada cidade na hierarquia.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1 (legenda do mapa): os símbolos aparecem em escala descendente — Grande Metrópole Nacional > Metrópole Nacional > Metrópole > Capital Regional A > B > C — distribuídos por todo o território → revela que existe uma escala funcional de importância entre as cidades, não uma simples divisão administrativa.
- Evidência 2 (distribuição espacial): cidades do interior (por exemplo, no Centro-Oeste e no interior do Nordeste) também aparecem classificadas como Capital Regional, ao lado de metrópoles litorâneas → mostra que o critério não é a localização geográfica fixa (litoral) nem um atributo único, mas sim o papel funcional que a cidade exerce sobre sua região.
- Síntese: o mapa retrata a REGIC, cujos níveis são construídos a partir do grau de comando/influência que cada cidade exerce sobre uma área — ou seja, sua centralidade em relação às demais cidades da rede.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o que o mapa representa
O mapa exibe a hierarquia urbana brasileira segundo o estudo REGIC do IBGE. Cada símbolo da legenda corresponde a um nível de importância da cidade dentro da rede urbana nacional, do topo (Grande Metrópole Nacional, ocupado por São Paulo) até a base (centros de menor alcance, como as Capitais Regionais C).
Subpasso 4.2 — Entender a lógica da classificação
A posição de uma cidade nessa hierarquia não decorre de um único atributo isolado — não é "ter fábricas", "ser antiga" ou "ficar perto do mar" que define o nível. O critério é a extensão e a complexidade da área que a cidade consegue polarizar: quantas cidades dependem dela para serviços de saúde de alta complexidade, ensino superior, sedes bancárias, justiça, logística e comércio especializado. Quanto maior o alcance territorial e a diversidade de funções urbanas oferecidas por uma cidade a outras, mais alto o seu nível na hierarquia. Esse comando de umas cidades sobre as outras é o que os geógrafos chamam de centralidade.
Subpasso 4.3 — Verificação
Comparando essa conclusão com as alternativas, apenas a opção que menciona "centralidade... em relação às demais" traduz corretamente esse conceito de comando/polarização, compatível tanto com o mapa quanto com o referencial teórico do REGIC/IBGE. As demais alternativas descrevem características que podem estar presentes em algumas cidades de alto nível hierárquico, mas não constituem o critério geral que organiza toda a rede urbana brasileira.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) existência de distritos industriais de grande porte.
❌ Incorreta: a industrialização pode reforçar a centralidade de algumas cidades, mas não é o critério que define a hierarquia urbana — há metrópoles e capitais regionais com centralidade elevada sem grande parque industrial, e há cidades industriais que não funcionam como polos de serviços para uma região.
B) importância histórica dos centros urbanos tradicionais.
❌ Incorreta: a tradição histórica não garante a posição hierárquica atual de uma cidade. Centros historicamente relevantes podem ter perdido centralidade ao longo do tempo, enquanto cidades "novas" — como polos do agronegócio no Centro-Oeste — ascenderam na hierarquia justamente por concentrarem serviços e fluxos, e não por peso histórico.
C) centralidade exercida por algumas cidades em relação às demais.
✅ Correta: é exatamente o critério adotado pelo REGIC/IBGE. As cidades comandam ou influenciam outras por meio da oferta de bens, serviços e fluxos (financeiros, de informação, de pessoas), e é esse grau de influência — a centralidade — que gera a estrutura hierárquica retratada no mapa.
D) proximidade em relação ao litoral das principais cidades brasileiras.
❌ Incorreta: embora a rede urbana brasileira seja historicamente mais densa no litoral (herança do processo de colonização e ocupação do território), isso é um padrão de distribuição espacial, não o critério de hierarquização em si — o próprio mapa mostra Capitais Regionais no interior do país.
E) presença de sedes de multinacionais potencializando a conexão global.
❌ Incorreta: essa característica está presente sobretudo em metrópoles globais, como São Paulo, mas é uma consequência ou reflexo da alta centralidade dessas cidades, não o critério geral que organiza toda a hierarquia urbana do país — a maioria das cidades classificadas no mapa não possui sedes de multinacionais.
🏆 Gabarito: C — a hierarquia urbana brasileira, tal como representada pela REGIC/IBGE no mapa, é organizada pelo grau de centralidade que cada cidade exerce sobre as demais, ou seja, pela extensão e diversidade de bens, serviços e fluxos que ela consegue polarizar em sua área de influência.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa C descreve o mecanismo estrutural (centralidade/polarização) que organiza toda a rede urbana; as demais opções citam atributos pontuais que, no máximo, acompanham algumas cidades de nível elevado, sem explicar o sistema como um todo.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz mapas ou tabelas do REGIC para testar se o estudante entende que a rede urbana é hierarquizada por funções e serviços, e não por tamanho populacional isolado ou localização geográfica.
- Generalização: sempre que uma questão apresentar uma classificação hierárquica de cidades (metrópole, capital regional, centro local etc.), a resposta correta tende a girar em torno de centralidade, polarização ou grau de influência/comando — e não em torno de um atributo único e isolado.
- Dica de eliminação rápida: elimine de cara alternativas que descrevem apenas um traço específico (só indústria, só história, só litoral, só multinacionais) — esses são efeitos ou reforços da centralidade, não o critério estrutural que a questão pede.
- Conexões: REGIC (IBGE); metropolização e macrocefalia urbana no Brasil; conceito de cidade global e conexão em rede (Milton Santos).
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