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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 64ENEM 2018 PPLCaderno azul · 1º Dia

No planejamento das ações governamentais, a segunda forma de regionalização apresenta a vantagem de

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Regionalização do Brasil (divisão político-administrativa do IBGE × complexos geoeconômicos de Pedro Geiger)
  • ⚡ Nível: Médio — não basta decorar as regiões; é preciso identificar o critério que gerou cada figura e associá-lo corretamente à vantagem pedida, evitando a troca entre os dois modelos.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Formas de regionalização do território brasileiro e sua utilidade para o planejamento de políticas públicas — leitura e interpretação de mapas temáticos aplicada à organização territorial do Estado.
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual é a vantagem, para o planejamento de ações do governo, de usar a divisão em Norte/Nordeste/Centro-Oeste/Sudeste/Sul (Figura 2) em vez da divisão em Amazônia/Nordeste/Centro-Sul (Figura 1)?"
  • Palavras-chave decisivas: segunda forma de regionalização, planejamento das ações governamentais, vantagem
  • Armadilha típica: confundir a vantagem da Figura 2 com a vantagem que, na verdade, pertence à Figura 1 (valorizar a dinâmica econômica). O examinador conta com essa inversão para eliminar quem não checou com atenção qual figura é a "segunda".
  • O que a resposta precisa demonstrar: domínio do critério estruturante de cada regionalização (administrativo × econômico) e da razão pela qual esse critério interessa especificamente à gestão pública.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Regionalização político-administrativa (IBGE): divide o país em 5 grandes regiões — Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul — formadas pela soma de estados inteiros, sem cortar nenhuma fronteira estadual. É a base oficial de censos, estatísticas, repasses constitucionais (FPE, FPM) e organização político-eleitoral desde 1970.
  • Complexos geoeconômicos (Pedro Geiger, IBGE, décadas de 1960-70): agrupa o território em 3 grandes conjuntos — Amazônia, Nordeste e Centro-Sul — segundo semelhanças de formação histórica e dinâmica produtiva, critério que pode atravessar limites estaduais (Mato Grosso e Maranhão, por exemplo, aparecem fatiados entre complexos diferentes).
  • Planejamento governamental: as ações do Estado — orçamento, leis, políticas públicas, eleições — são executadas por ente federativo (União, estados, municípios). Qualquer regionalização que não coincida com esses limites administrativos dificulta a aplicação de recursos e a cobrança de resultados.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1 (Figura 1): o mapa traz apenas três manchas — "AMAZÔNIA", "NORDESTE" e "CENTRO-SUL" — com contornos grossos que não seguem os limites estaduais finos ao fundo → é a regionalização geoeconômica de Geiger, baseada em dinâmica econômica e formação histórica, e por isso corta estados ao meio.
  • Evidência 2 (Figura 2): o mapa traz cinco regiões — "NORTE", "NORDESTE", "CENTRO-OESTE", "SUDESTE" e "SUL" —, cada uma preenchendo exatamente um conjunto fechado de estados inteiros → é a divisão regional oficial do IBGE, que respeita integralmente a divisão político-administrativa.
  • Síntese: como o comando pergunta pela vantagem da "segunda forma" (Figura 2 = IBGE) especificamente para o planejamento de ações governamentais, a resposta precisa destacar a compatibilidade dessa divisão com os limites dos entes federativos — exatamente o que permite cruzar dados, alocar orçamento e cobrar resultados por estado sem nenhum ajuste ou fracionamento.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o critério de cada figura

Observando os dois mapas: a Figura 1 tem apenas três grandes manchas (Amazônia, Nordeste, Centro-Sul) com contornos que ignoram as fronteiras estaduais — é o modelo dos complexos regionais formulado por Pedro Geiger nos anos 1960, incorporado pelo próprio IBGE como leitura complementar da economia nacional. A Figura 2 tem cinco regiões (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste, Sul), cada uma delimitada exatamente pela soma de estados — é a divisão regional oficial do IBGE, adotada desde 1970 (quando a região Centro-Oeste foi criada) e usada até hoje em censos, livros didáticos e estatísticas públicas.

Subpasso 4.2 — Relacionar cada critério à função de planejar ações de governo

O comando fala em "ações governamentais": orçamento público, legislação, políticas sociais, repasses do Fundo de Participação dos Estados e dos Municípios, organização de secretarias e superintendências regionais. Toda essa engrenagem administrativa é montada por estado e por município — nunca por "complexo econômico". Uma regionalização que preserva os limites estaduais (Figura 2) permite somar diretamente dados municipais e estaduais para compor o retrato de cada região, sem precisar recortar ou estimar frações de estado. Já a Figura 1, ao cortar estados ao meio, tornaria inviável, por exemplo, dizer que "o governo do Mato Grosso vai investir X na região Amazônica e Y na região Centro-Sul", pois não existe estrutura administrativa correspondente a esse recorte territorial.

Subpasso 4.3 — Verificação

Testando a alternativa A ("respeitar a divisão político-administrativa") contra a Figura 2: cada uma das cinco regiões é, de fato, um agrupamento fechado de estados inteiros, sem sobreposição nem fracionamento. Essa coincidência com os limites dos entes federativos é exatamente o que viabiliza o uso da divisão do IBGE como ferramenta de planejamento público, confirmando que a vantagem pedida pelo comando está na alternativa A.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) respeitar a divisão político-administrativa.

✅ Correta: a Figura 2 (IBGE) é construída somando estados inteiros, sem cortar nenhuma fronteira estadual. Essa coincidência com os limites político-administrativos é o que permite ao governo planejar, orçar e avaliar políticas por região sem perder a referência do estado — a unidade real de gestão pública no federalismo brasileiro.

B) reconhecer as desigualdades sociais.

❌ Incorreta: reconhecer desigualdades sociais é um ponto forte da regionalização geoeconômica (Figura 1), que agrupa áreas por semelhança de dinamismo produtivo — por isso o Centro-Sul concentra a industrialização e a Amazônia aparece como fronteira de ocupação recente. A divisão do IBGE, ao contrário, pode reunir dentro de uma mesma região "oficial" estados com realidades sociais bem distintas, como Piauí e Bahia dentro do Nordeste.

C) considerar as identidades culturais.

❌ Incorreta: nem a Figura 1 nem a Figura 2 foram desenhadas a partir de critérios culturais, como língua, tradições ou formação étnica. As identidades regionais do Brasil — "nordestino", "gaúcho", "amazônida" — são construções históricas e culturais que não correspondem exatamente a nenhuma das duas regionalizações técnicas apresentadas na questão.

D) valorizar a dinâmica econômica.

❌ Incorreta: essa é a vantagem típica da primeira forma de regionalização (Figura 1, complexos geoeconômicos de Geiger), não da segunda. É a principal armadilha da questão — o candidato reconhece a dinâmica econômica como critério relevante, mas erra ao atribuí-la à figura errada.

E) incorporar os critérios naturais.

❌ Incorreta: nenhuma das duas regionalizações usa critérios físicos, como relevo, clima, vegetação ou bacias hidrográficas, como base do recorte. Uma regionalização natural do Brasil usaria, por exemplo, os domínios morfoclimáticos (Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pradarias, Pantanal) — categoria distinta das duas regionalizações socioeconômicas mostradas nas figuras.

🏆 Gabarito: A — a Figura 2 (IBGE) tem como principal vantagem para o planejamento governamental respeitar integralmente a divisão político-administrativa em estados, o que viabiliza a gestão pública por região.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa A descreve uma vantagem exclusiva e real da divisão do IBGE (Figura 2): preservar os limites estaduais, tornando a região compatível com a estrutura federativa que executa as políticas públicas.
  • Padrão de cobrança: o ENEM gosta de comparar a regionalização do IBGE (político-administrativa, 5 regiões) com a regionalização geoeconômica de Pedro Geiger (3 complexos: Amazônia, Nordeste, Centro-Sul) ou com regionalizações temáticas (por IDH, por biomas, por complexos regionais funcionais), sempre exigindo que o candidato saiba qual critério gerou qual mapa.
  • Generalização: sempre que o enunciado mencionar "ações governamentais", "políticas públicas" ou "planejamento estatal" associados a uma regionalização, a resposta tende a valorizar o critério político-administrativo (estados e municípios), pois é nele que a máquina pública se apoia para arrecadar, orçar e prestar contas.
  • Dica de eliminação rápida: identifique primeiro o critério de cada figura com uma regra mental simples — "a que corta estado é econômica; a que não corta estado é do IBGE/administrativa" — depois combine com a pergunta ("vantagem para o governo" → administrativa). Isso elimina de cara B, D e E, que descrevem vantagens de outros tipos de regionalização.
  • Conexões: divisão regional do IBGE (1970); complexos geoeconômicos de Pedro Geiger; regionalização por IDH/PNUD; políticas de desenvolvimento regional (Sudam, Sudene, Sudeco).

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