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Mapa de questões · 1º dia
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Questão 40ENEM 2018 PPLCaderno azul · 1º Dia

Talvez julguem que isto são voos de imaginação: é possível. Como não dar largas à imaginação, quando a realidade vai tomando proporções quase fantásticas, quando a civilização faz prodígios, quando no nosso próprio país a inteligência, o talento, as artes, o comércio, as grandes ideias, tudo pulula, tudo cresce e se desenvolve?

Na ordem dos melhoramentos materiais, sobretudo, cada dia fazemos um passo, e em cada passo realizamos uma coisa útil para o engrandecimento do país.

ALENCAR, J. Ao correr da pena. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 12 ago. 2013.

No fragmento da crônica de José de Alencar, publicada em 1854, a temática nacionalista constrói-se pelo elogio ao(à)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Literatura → Romantismo brasileiro; José de Alencar; nacionalismo ufanista
  • ⚡ Nível: Médio — vocabulário do século XIX e dois distratores muito próximos do sentido certo
  • 🎯 Tema/Habilidade: Ufanismo romântico e leitura contextualizada de crônica de época
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "O que exatamente o texto elogia para construir seu nacionalismo?"
  • Palavras-chave decisivas: melhoramentos materiais, cresce e se desenvolve, engrandecimento do país
  • Armadilha típica: trocar o tema central por uma palavra citada dentro de uma enumeração, ou um verbo de processo por um adjetivo de estado já consolidado.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato enxerga o campo semântico dominante do texto, não apenas uma palavra isolada que "soa familiar".

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Romantismo e ufanismo: movimento literário (1836–1881) que exaltou o Brasil de modo otimista — ora pela via indianista (natureza/índio), ora, como aqui, pela celebração do avanço material do país.
  • José de Alencar cronista: além dos romances indianistas (Iracema, O Guarani), escreveu crônicas jornalísticas — "Ao correr da pena" (1854–1855) — sobre os avanços do Segundo Reinado.
  • "Melhoramentos materiais": termo de época para obras de modernização — ferrovia (inaugurada em 1854, mesmo ano da crônica), iluminação a gás, telégrafo — símbolos do progresso celebrado pela elite letrada.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "a civilização faz prodígios [...] tudo pulula, tudo cresce e se desenvolve" → verbos de processo descrevem expansão contínua, não um estado alcançado ou lembrança do passado.
  • Evidência 2: "Na ordem dos melhoramentos materiais [...] cada dia fazemos um passo [...] para o engrandecimento do país" → "melhoramentos materiais" nomeia a modernização; "cada dia... um passo" marca avanço gradual.
  • Síntese: o campo lexical inteiro — prodígios, pulula, cresce, desenvolve, passo, melhoramentos, engrandecimento — converge para uma só ideia: o elogio ao avanço contínuo do país.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Isolar o campo semântico dominante

Sublinhando cada verbo e substantivo relevante, quase todos pertencem à mesma família de sentido: movimento para a frente, acúmulo, avanço ("faz prodígios", "pulula", "cresce", "um passo", "melhoramentos", "engrandecimento"). Nenhum remete a memória ou conquista encerrada — todos descrevem processo em andamento, no presente.

Subpasso 4.2 — Testar a hipótese "progresso nacional"

Uma boa alternativa precisa explicar o texto inteiro, não uma frase isolada. "Faz prodígios" = avanço social; "cresce e se desenvolve" = avanço econômico; "melhoramentos materiais" = avanço de infraestrutura; "engrandecimento" = resultado desse avanço. Só "progresso nacional" cobre as duas evidências do Passo 3 por completo.

Subpasso 4.3 — Verificação cruzada (cuidado com a alternativa C)

Em "a inteligência, o talento, as artes, o comércio, as grandes ideias, tudo pulula", inteligência é só o primeiro de cinco itens de uma lista; o sujeito real é "tudo" (a soma dos itens). O elogio é ao crescimento do conjunto, não a um item isolado — confirmando "progresso" como resposta mais precisa que "inteligência brasileira".

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) passado glorioso.

❌ Incorreta: não há feito histórico, herói ou tradição colonial no texto. Toda a temporalidade verbal aponta ao presente contínuo e ao futuro do "engrandecimento" — é antecipação de grandeza, não lembrança dela.

B) progresso nacional.

✅ Correta: sintetiza o campo lexical do texto — "prodígios", "cresce e se desenvolve", "melhoramentos materiais", "cada passo", "engrandecimento" — marcas do ufanismo desenvolvimentista típico das crônicas do Segundo Reinado.

C) inteligência brasileira.

❌ Incorreta: "inteligência" aparece apenas como um item de uma enumeração maior. Tomar uma palavra da lista pelo tema central é erro de escala: o elogio recai sobre o crescimento do conjunto.

D) imponência civilizatória.

❌ Incorreta: paráfrase sedutora que troca o sentido processual por um sentido estático. "Imponência" sugere grandiosidade já estabelecida; o texto insiste em verbos de processo — o elogio é ao movimento de progredir, não a uma grandeza já consolidada.

E) imaginação exacerbada.

❌ Incorreta: a "imaginação" é recurso retórico de abertura — Alencar antecipa a objeção do leitor para negá-la, afirmando que é a própria realidade que se tornou fantástica. É o contraponto descartado, não o objeto do elogio.

🏆 Gabarito: B — o fragmento constrói seu nacionalismo em torno de um vocabulário de crescimento e avanço, sinônimos textuais de progresso nacional — não de inteligência isolada, passado ou grandeza estática.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: B é a única alternativa que dá conta do campo semântico inteiro (crescer, desenvolver-se, avançar, engrandecer); as demais recortam um item isolado (C), trocam processo por estado estático (D), invertem a direção temporal (A) ou apontam recurso retórico secundário (E).
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra reconhecer os diferentes eixos do nacionalismo romântico — indianista, histórico e, como aqui, desenvolvimentista — sem generalizar "Romantismo = índio" automaticamente.
  • Generalização: em textos ufanistas do século XIX, o campo semântico dominante (verbos e substantivos repetidos) quase sempre indica o eixo do elogio nacional; palavras isoladas dentro de uma lista maior raramente são a resposta certa.
  • Dica de eliminação rápida: corte alternativas de passado quando o texto está no presente/futuro (A); corte palavras soltas dentro de uma lista maior (C); desconfie de sinônimos "quase perfeitos" mas mais estáticos que o texto (D).
  • Conexões: Romantismo brasileiro (1ª geração indianista); Segundo Reinado e modernização; a crônica como gênero jornalístico do século XIX.

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