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Mapa de questões · 1º dia
HumanasSociologiaFácil

Questão 84ENEM 2018 PPLCaderno azul · 1º Dia

Quer um conselho? Vá conhecer alguma coisa da terra e deixe os homens em paz… Os homens mudam, a terra é inalterável. Vá por aí dentro, embrenhe-se pelo interior e observe alguma coisa de proveitoso. Aqui na capital só encontrará casas mais altas, ruas mais cheias e coisas parecidas ao que de igual existe em todas as cidades modernas. Mas ao contato com a terra você sentirá o que não pode sentir nas avenidas asfaltadas.

LOBATO, M. Lobatiana: meio ambiente. São Paulo: Brasiliense, 1985.

O texto literário evidencia uma percepção dual sobre a cidade e o campo, fundamentada na ideia de

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → dualidade campo × cidade na literatura; Monteiro Lobato e a valorização da natureza
  • ⚡ Nível: Fácil — o texto entrega as pistas de forma explícita, bastando identificar o eixo temático central da fala do narrador
  • 🎯 Tema/Habilidade: Percepção crítica sobre cidade e campo na literatura brasileira; competência de leitura e interpretação de textos literários com viés sociológico (relações entre indivíduo, sociedade e meio ambiente)
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual ideia sustenta a oposição que o texto de Monteiro Lobato constrói entre a cidade e o campo?"
  • Palavras-chave decisivas: terra é inalterável, avenidas asfaltadas, ao contato com a terra você sentirá
  • Armadilha típica: confundir a crítica de Lobato à cidade moderna com uma defesa do "progresso científico" (A) ou da "racionalidade econômica" (D) — o texto não fala de tecnologia, ciência ou economia, mas de uma experiência sensível e existencial com a natureza.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que a alternativa correta capta o eixo real da dualidade lobatiana — não geografia física, não urbanismo, mas o valor atribuído à terra/natureza como fonte de autenticidade que a cidade não oferece.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Dualidade campo × cidade na literatura brasileira: tradição que remonta ao regionalismo e ao romantismo, na qual o campo aparece como espaço de verdade, permanência e contato direto com a natureza, enquanto a cidade é retratada como artificial, efêmera e homogeneizada pela modernização.
  • Monteiro Lobato e a natureza: autor conhecido por obras como "Urupês" e pela criação do Sítio do Picapau Amarelo, Lobato tematiza recorrentemente a relação do brasileiro com a terra — ora denunciando o atraso rural (caso do Jeca Tatu antes da "cura"), ora exaltando a força e a autenticidade do contato com o meio natural, como ocorre no texto da questão.
  • Crítica à cidade moderna: no trecho, "casas mais altas, ruas mais cheias" e "avenidas asfaltadas" funcionam como símbolos de uma modernidade padronizada e vazia, que se repete "em todas as cidades modernas" — ou seja, sem singularidade, sem identidade própria.
  • Sociologia do meio ambiente: o texto dialoga com uma reflexão sociológica sobre como as sociedades constroem sentido a partir da relação com o espaço natural, valorizando-o como antídoto à artificialidade urbana — tema caro à sociologia ambiental e à crítica da vida moderna.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Os homens mudam, a terra é inalterável" → contrapõe a instabilidade humana/urbana à permanência da natureza, atribuindo à terra um valor de autenticidade e verdade que resiste ao tempo.
  • Evidência 2: "ao contato com a terra você sentirá o que não pode sentir nas avenidas asfaltadas" → afirma que a experiência com a natureza produz uma sensação/vivência insubstituível, impossível de ser replicada no ambiente urbano — ou seja, a terra tem um valor que a cidade não alcança.
  • Síntese: as duas evidências convergem para o mesmo ponto: o narrador não está comparando cidades entre si nem discutindo progresso ou economia — ele está afirmando que a natureza (a terra) possui um valor superior, autêntico e insubstituível diante da artificialidade urbana. Esse é exatamente o conceito de valorização da natureza.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o núcleo da oposição

O texto de Lobato constrói uma comparação binária: de um lado, a capital, marcada por "casas mais altas, ruas mais cheias" e "avenidas asfaltadas" — elementos que remetem à padronização urbana; de outro, "a terra", associada à ideia de algo "proveitoso" e a uma sensação que só o contato direto com o meio natural pode proporcionar. O eixo da oposição, portanto, não é técnico nem econômico: é experiencial e valorativo, centrado na natureza.

Subpasso 4.2 — Testar a hipótese contra o comando

O comando pede a "ideia" que fundamenta essa percepção dual. Ao reler o trecho central — "Os homens mudam, a terra é inalterável" —, fica claro que o narrador hierarquiza os dois espaços: a cidade é passageira e repetitiva ("iguais em todas as cidades modernas"), enquanto a terra é permanente e única. Essa hierarquia só se sustenta se houver, por trás dela, uma valorização explícita da natureza como fonte de sentido, verdade e experiência genuína — exatamente o que a alternativa C descreve.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando com as demais possibilidades: não há menção a avanços técnico-científicos (elimina A), não há defesa de mudança social ou de estágios de desenvolvimento da sociedade (elimina B), não há qualquer referência a produção, custos ou eficiência econômica (elimina D), e não se discute acesso ou distribuição do espaço urbano entre grupos sociais (elimina E). Resta apenas a ideia de que a terra — a natureza — é o valor central que sustenta a crítica de Lobato à vida urbana. A resposta é a alternativa C.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) progresso científico.

❌ Incorreta: o texto não menciona ciência, tecnologia ou avanços técnicos em nenhum momento; pelo contrário, os elementos urbanos citados (casas altas, ruas cheias, asfalto) são apresentados como repetitivos e sem valor, não como conquistas a serem celebradas.

B) evolução da sociedade.

❌ Incorreta: essa alternativa sugeriria um movimento de aperfeiçoamento social ao longo do tempo, mas o texto faz o oposto — valoriza justamente aquilo que não muda ("a terra é inalterável"), rejeitando a ideia de que a transformação urbana represente evolução.

C) valorização da natureza.

✅ Correta: o texto opõe a permanência e a autenticidade da terra à artificialidade e uniformidade da cidade moderna, afirmando que só o contato direto com o meio natural proporciona uma experiência genuína — este é precisamente o sentido de valorizar a natureza como fonte de valor superior à vida urbana.

D) racionalidade econômica.

❌ Incorreta: não há qualquer referência a produção, mercado, custos ou eficiência; o argumento do narrador é sensível e existencial, não econômico ou calculista.

E) democratização do espaço.

❌ Incorreta: o texto não discute acesso equitativo a espaços urbanos ou rurais entre diferentes grupos sociais; trata-se de uma reflexão sobre o valor intrínseco da natureza, não sobre distribuição ou igualdade de acesso ao território.

🏆 Gabarito: C — o texto de Monteiro Lobato constrói sua dualidade cidade/campo a partir da ideia de que a terra, por ser inalterável e autêntica, oferece uma experiência que a cidade moderna e padronizada jamais poderá proporcionar, evidenciando uma clara valorização da natureza.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa C nomeia corretamente o valor que sustenta o discurso do narrador — a natureza como espaço de permanência, autenticidade e experiência insubstituível diante da artificialidade urbana.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz trechos da literatura regionalista ou de autores como Monteiro Lobato, Euclides da Cunha e Graciliano Ramos para explorar a tensão entre campo e cidade, pedindo que o candidato identifique o valor ou a crítica social embutida no texto.
  • Generalização: sempre que um texto contrapuser "natureza/terra" a "cidade/artificialidade" e atribuir à natureza um caráter de verdade, permanência ou experiência única, a resposta tende a girar em torno da valorização da natureza — não confunda esse eixo temático com progresso, economia ou política.
  • Dica de eliminação rápida: procure no texto termos ligados a técnica, dinheiro ou distribuição social; se não existirem (como neste caso), já é possível descartar de imediato alternativas como "progresso científico", "racionalidade econômica" e "democratização do espaço", restando apenas as opções ligadas ao eixo natureza × sociedade.
  • Conexões: Monteiro Lobato e o regionalismo brasileiro; a crítica sociológica à vida urbana moderna (Simmel, sociologia do meio ambiente); o mito do Jeca Tatu e a relação do brasileiro com a terra.

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