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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 89ENEM 2018 PPLCaderno azul · 1º Dia

O Decreto Federal n. 7.390/2010, que regulamenta a Lei da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) no Brasil, projeta que as emissões nacionais de gases de efeito estufa (GEE) em 2020 serão de 3,236 milhões. Esse mesmo decreto define o compromisso nacional voluntário do Brasil em reduzir as emissões de GEE projetadas para 2020 entre 38,6% e 38,9%.

BRASIL. Decreto n. 7.390, de 9 de dezembro de 2010. Disponível em:
www.planalto.gov.br. Acesso em: 2 jun. 2014 (adaptado).

O cumprimento da meta mencionada está condicionada por

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) e matriz energética
  • ⚡ Nível: Médio — exige reconhecer, entre cinco alternativas, quais fontes/medidas são fósseis (aumentam emissão) e qual é renovável (reduz emissão)
  • 🎯 Tema/Habilidade: Mudanças climáticas globais e políticas nacionais de redução de gases de efeito estufa (GEE) — competência de interpretar textos normativos e relacioná-los a processos socioambientais
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual condição é necessária para que o Brasil consiga cumprir a meta de redução de emissões de GEE prevista no Decreto 7.390/2010?"
  • Palavras-chave decisivas: reduzir as emissões, compromisso nacional voluntário, gases de efeito estufa
  • Armadilha típica: confundir "exploração de recursos energéticos nacionais" (pré-sal, xisto) com desenvolvimento sustentável — o candidato apressado associa "energia nova" a "energia limpa", mas petróleo do pré-sal e gás de xisto são combustíveis fósseis, portanto emissores de carbono, não redutores.
  • O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que cumprir uma meta de redução de emissões só é fisicamente possível substituindo fontes emissoras de carbono por fontes que não emitem (ou emitem muito pouco) GEE em sua geração — ou seja, mudança na matriz energética em direção à sustentabilidade.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Gases de Efeito Estufa (GEE): CO₂, CH₄, N₂O e outros gases que retêm radiação infravermelha na atmosfera, intensificando o efeito estufa natural e provocando o aquecimento global antropogênico. A queima de combustíveis fósseis é a principal fonte antrópica de CO₂.
  • PNMC (Lei 12.187/2009) e Decreto 7.390/2010: instrumentos legais que formalizaram o compromisso voluntário do Brasil, assumido na Conferência de Copenhague (COP-15, 2009), de reduzir suas emissões projetadas para 2020 em 36,1% a 38,9% — o decreto detalha as ações setoriais (desmatamento, agropecuária, energia, indústria) que tornam essa meta exequível.
  • Matriz energética e sustentabilidade: energias sustentáveis (eólica, solar, hídrica, biomassa, biocombustíveis) geram eletricidade ou movimento com emissão de carbono muito inferior à de termelétricas a carvão, gás ou derivados de petróleo. Investir nessas fontes é o principal mecanismo estrutural de descarbonização de uma matriz energética.
  • Combustíveis fósseis não convencionais (pré-sal e xisto): são reservas de petróleo e gás natural. Mesmo sendo tecnicamente "novas" fontes de exploração, química e ambientalmente continuam sendo hidrocarbonetos fósseis — sua queima libera CO₂ e outros GEE, contrariando diretamente o objetivo de redução.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "compromisso nacional voluntário do Brasil em reduzir as emissões de GEE projetadas para 2020 entre 38,6% e 38,9%" → estabelece que a meta é numérica e obrigatória do ponto de vista político: um corte percentual real nas emissões futuras, não apenas uma intenção genérica.
  • Evidência 2: "Decreto Federal n. 7.390/2010, que regulamenta a Lei da Política Nacional sobre Mudança do Clima" → situa a questão no arcabouço jurídico-ambiental brasileiro, remetendo ao conjunto de ações setoriais (energia, uso do solo, indústria) que a PNMC prevê para viabilizar a meta — entre elas, a diversificação da matriz energética para fontes limpas.
  • Síntese: se a meta é reduzir emissões, a condição para cumpri-la só pode ser uma ação que diminua a intensidade de carbono da economia — e isso se traduz, no campo energético, em substituir fontes fósseis por fontes renováveis/sustentáveis. Qualquer alternativa que amplie a exploração ou o consumo de combustíveis fósseis vai na direção contrária da meta.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a natureza da meta

O decreto fixa uma meta de redução percentual (38,6% a 38,9%) sobre a projeção de emissões de GEE para 2020. Isso significa que o Brasil precisa emitir, em termos absolutos, uma quantidade de GEE bem menor do que emitiria "sem controle". Logo, qualquer alternativa de resposta precisa apontar para uma ação que efetivamente reduza a quantidade de carbono lançada na atmosfera pelas atividades econômicas do país.

Subpasso 4.2 — Classificar cada alternativa segundo seu efeito sobre as emissões

Energia nuclear (alternativa A) tem emissão de carbono muito baixa durante a geração de eletricidade — abrir mão dela tenderia a aumentar, e não reduzir, a necessidade de fontes alternativas (muitas vezes fósseis) para suprir a demanda. Pré-sal (B) e gás de xisto betuminoso (C) são hidrocarbonetos fósseis: sua exploração amplia a oferta e o consumo de petróleo e gás, elevando as emissões de CO₂ na queima. Encarecer a produção de automóveis (E) não ataca diretamente a fonte de energia usada nem necessariamente reduz emissões — é uma medida indireta, sem relação causal clara com o cumprimento da meta climática do decreto. Investir em energias sustentáveis (D) é a única alternativa que promove, de forma direta e estrutural, a diminuição da intensidade de carbono da matriz energética nacional — que é exatamente o mecanismo pelo qual metas de redução de GEE se tornam factíveis.

Subpasso 4.3 — Verificação

Cruzando a lógica da meta (reduzir emissões) com o efeito de cada alternativa sobre as emissões, apenas a opção D produz redução líquida e sustentada de GEE, compatível com o texto do decreto e com o espírito da PNMC (que, na prática, previu ações como controle do desmatamento e expansão de fontes renováveis, como a energia eólica e os biocombustíveis, para atingir a meta). As demais alternativas ou mantêm/aumentam emissões (B, C), ou enfraquecem uma fonte limpa (A), ou não têm relação direta com a redução de GEE (E). A resposta correta é a alternativa D.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) abdicar das usinas nucleares.

❌ Incorreta: a energia nuclear é uma fonte de baixíssima emissão de carbono na geração de eletricidade. Abandoná-la tenderia a exigir mais geração termelétrica a combustível fóssil para compensar a energia perdida, o que aumentaria as emissões — o oposto do que a meta exige.

B) explorar reservas do pré-sal.

❌ Incorreta: o pré-sal é petróleo, um combustível fóssil. Ampliar sua exploração e uso significa mais queima de derivados de petróleo, portanto mais emissão de CO₂ — contraria diretamente o objetivo de redução de GEE do decreto.

C) utilizar gás de xisto betuminoso.

❌ Incorreta: o gás de xisto também é um combustível fóssil não convencional. Sua exploração é intensiva em emissões (tanto na extração quanto na queima), o que também vai na contramão da meta de redução prevista na PNMC.

D) investir em energias sustentáveis.

✅ Correta: fontes como eólica, solar, biomassa e biocombustíveis emitem muito menos GEE do que fontes fósseis. É o único caminho, entre as opções apresentadas, que reduz estruturalmente a intensidade de carbono da matriz energética brasileira, tornando viável o cumprimento da meta de 38,6% a 38,9% de redução.

E) encarecer a produção de automóveis.

❌ Incorreta: essa medida não altera diretamente a fonte de energia utilizada pela economia nem garante redução de emissões — é uma ação de efeito incerto e indireto, sem correspondência com os mecanismos previstos no decreto para o cumprimento da meta climática.

🏆 Gabarito: D — investir em energias sustentáveis é a única alternativa que reduz, de forma direta e estrutural, as emissões de GEE, condição indispensável para que o Brasil cumpra a meta voluntária fixada pelo Decreto 7.390/2010.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: entre as cinco opções, apenas "investir em energias sustentáveis" tem relação causal direta com a redução de emissões de GEE; as demais mantêm, aumentam ou não afetam de forma clara a intensidade de carbono da matriz energética — por isso a resposta é D.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra a relação entre matriz energética, fontes fósseis versus renováveis e compromissos climáticos internacionais/nacionais (Protocolo de Kyoto, Acordo de Paris, PNMC), sempre pedindo que o candidato identifique qual medida é ambientalmente compatível com metas de sustentabilidade.
  • Generalização: em questões sobre redução de emissões de GEE, elimine imediatamente qualquer alternativa que envolva exploração, ampliação ou uso de combustíveis fósseis (petróleo, carvão, gás natural, xisto) — a resposta correta quase sempre aponta para fontes renováveis, eficiência energética ou controle do desmatamento.
  • Dica de eliminação rápida: leia as alternativas procurando palavras-chave associadas a combustíveis fósseis (pré-sal, xisto, petróleo, carvão) e descarte-as de imediato; depois avalie se a opção restante tem relação de causa-efeito clara com "redução de emissões" — isso corta 3 de 5 alternativas em segundos.
  • Conexões: Lei 12.187/2009 (PNMC) e Acordo de Paris (2015); matriz energética brasileira e o papel da hidroeletricidade, eólica e biocombustíveis na composição relativamente limpa do setor elétrico nacional.

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