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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaFácil

Questão 47ENEM 2018 PPLCaderno azul · 1º Dia

Anualmente, são usadas no mundo, aproximadamente, 2,5 milhões de toneladas de agrotóxicos. O consumo anual de agrotóxicos no Brasil tem sido superior a 300 mil toneladas de produtos comerciais, representando um aumento no consumo de agrotóxicos de 700% nos últimos quarenta anos, enquanto a área agrícola aumentou 78% nesse período.

SPADOTTO, C. A. Disponível em: www.fmr.edu.br. Acesso em: 7 nov. 2014.

No contexto da produção agrícola, a utilização do insumo citado implica o(a)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geografia Agrária e impactos socioambientais do agronegócio
  • ⚡ Nível: Fácil — a relação entre agrotóxicos e dano ambiental é conhecimento consolidado, mas a questão exige descartar armadilhas conceituais, como confundir agrotóxico com fertilizante
  • 🎯 Tema/Habilidade: Consequências socioambientais da modernização agrícola (Revolução Verde/agronegócio) — relacionar dados quantitativos sobre insumos agrícolas aos seus efeitos sobre os ecossistemas
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual é a principal implicação do uso intensivo de agrotóxicos para a produção agrícola?"
  • Palavras-chave decisivas: 2,5 milhões de toneladas, aumento... de 700%, área agrícola aumentou 78%
  • Armadilha típica: confundir agrotóxico (biocida) com adubo/fertilizante e imaginar que ele "nutre" o solo (C); ou supor que, por serem caros, os agrotóxicos "reduzem o lucro" do produtor (A), ignorando a lógica econômica que sustenta seu uso em massa.
  • O que a resposta precisa demonstrar: entender que o crescimento desproporcional entre consumo do insumo (700%) e expansão da área plantada (78%) indica intensificação do uso por hectare — e que intensificação de biocida gera consequência ambiental negativa, não positiva.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Agrotóxicos: herbicidas, inseticidas, fungicidas e acaricidas usados para eliminar organismos nocivos à lavoura. Não são fertilizantes — não fornecem nutrientes ao solo.
  • Revolução Verde / pacote tecnológico: modernização agrícola (a partir de 1960-70) baseada em mecanização, sementes selecionadas/transgênicas, irrigação e insumos químicos. É a base técnica do agronegócio exportador brasileiro (soja, milho, cana, algodão).
  • Desequilíbrio ecológico: ruptura do equilíbrio entre populações de um ecossistema. Agrotóxicos de amplo espectro não são seletivos: ao matar a praga-alvo, também atingem predadores naturais, polinizadores e microbiota do solo, além de contaminar água por escoamento e lixiviação.
  • Resistência de pragas: o uso contínuo do mesmo princípio ativo seleciona populações resistentes, exigindo doses cada vez mais potentes — mecanismo que ajuda a explicar por que o consumo cresce muito mais rápido do que a área plantada.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "aumento no consumo de agrotóxicos de 700% nos últimos quarenta anos" → crescimento explosivo do uso do insumo.
  • Evidência 2: "enquanto a área agrícola aumentou 78% nesse período" → a expansão da lavoura foi muito menor que o crescimento químico: cada hectare passou a receber, em média, uma carga de agrotóxico bem maior.
  • Síntese: a disparidade entre 700% e 78% é a chave estatística da questão — comprova que o Brasil intensificou fortemente a aplicação de biocidas sobre a mesma base territorial, o que se traduz em maior pressão sobre solo, água, fauna e flora, ou seja, em aumento do desequilíbrio ecológico.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Interpretar a disparidade estatística

700% ÷ 78% ≈ 9. O consumo de agrotóxicos cresceu a uma taxa quase 9 vezes maior que a expansão da área cultivada no mesmo período de 40 anos. Se o crescimento fosse apenas proporcional à abertura de novas áreas, os dois percentuais estariam próximos. A distância enorme entre eles descreve um processo de intensificação do uso químico por hectare, e não apenas de expansão geográfica.

Subpasso 4.2 — Conectar intensificação química e equilíbrio ecológico

Um agroecossistema equilibrado depende de interações entre pragas, predadores naturais, polinizadores, microrganismos do solo e água limpa. Ao eliminar populações indiscriminadamente, o agrotóxico rompe cadeias alimentares, favorece o ressurgimento de pragas secundárias (sem predadores) e contamina solo e lençol freático. Soma-se a seleção de pragas resistentes, que retroalimenta o ciclo e ajuda a explicar por que o consumo dispara acima da área plantada. Esse conjunto é, por definição, aumento do desequilíbrio ecológico.

Subpasso 4.3 — Verificação

Testando a alternativa B contra o texto: quanto maior o consumo de agrotóxicos, maior a pressão sobre solo, água, fauna e flora. A lógica do enunciado — crescimento desproporcional de um insumo biocida — converge para uma consequência ambiental negativa, confirmando B e descartando qualquer leitura que atribua ao agrotóxico efeito benéfico ao solo, ao pequeno produtor ou à autonomia tecnológica nacional.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) redução nos lucros da atividade.

❌ Incorreta: para o produtor do agronegócio, agrotóxicos protegem e ampliam a produtividade, evitando perdas por pragas em commodities de exportação. Se reduzisse o lucro, sua adoção maciça pelo setor que mais se expandiu no período não faria sentido econômico.

B) aumento do desequilíbrio ecológico.

✅ Correta: o crescimento de 700% no consumo, muito superior aos 78% de expansão da área, evidencia intensificação química por hectare. Como agrotóxicos atingem organismos além do alvo — predadores, polinizadores, microbiota do solo, fauna aquática — e contaminam solo e água, esse processo amplia diretamente o desequilíbrio dos ecossistemas agrícolas.

C) manutenção da fertilidade dos solos.

❌ Incorreta: agrotóxicos não são fertilizantes e não repõem nutrientes. O uso intensivo prejudica a microbiota (bactérias, fungos, minhocas) responsável pela ciclagem de nutrientes, tendendo a degradar — não a manter — a fertilidade no médio e longo prazo.

D) priorização de cultivos de subsistência.

❌ Incorreta: o consumo de agrotóxicos concentra-se nas grandes monoculturas de exportação do agronegócio (soja, milho, cana, algodão), não na agricultura de subsistência ou familiar, que usa menos insumos químicos industriais.

E) autonomia no uso de tecnologia nacional.

❌ Incorreta: o mercado brasileiro de agrotóxicos é dominado por corporações transnacionais do setor químico, o que revela dependência tecnológica externa — não autonomia nacional —, incluindo casos de princípios ativos já proibidos em seus países de origem.

🏆 Gabarito: B — o crescimento desproporcional do consumo de agrotóxicos (700%) frente à expansão da área agrícola (78%) evidencia intensificação química que rompe cadeias ecológicas e amplia o desequilíbrio ambiental: a única consequência coerente com os dados do texto.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: nenhuma outra alternativa é compatível com um dado de crescimento explosivo de insumo biocida; só a leitura ambiental (B) fecha logicamente com o texto-base.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz dados quantitativos (percentuais, comparações temporais) sobre agrotóxicos, desmatamento ou recursos naturais para testar se o estudante traduz números em consequência socioambiental.
  • Generalização: insumo químico agrícola + dado de crescimento desproporcional quase sempre aponta para impacto ambiental negativo (contaminação, perda de biodiversidade, desequilíbrio ecológico), raramente para "benefício" ao solo, ao pequeno produtor ou à autonomia tecnológica.
  • Dica de eliminação rápida: elimine alternativas que deem efeito "positivo" ao agrotóxico (fertilidade, autonomia tecnológica, subsistência) — são distratores clássicos; desconfie também de alternativas que contrariem a lógica econômica do agronegócio, como "redução de lucros".
  • Conexões: Revolução Verde, agronegócio e commodities de exportação, contaminação de mananciais, perda de biodiversidade, agroecologia como modelo alternativo.

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