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Mapa de questões · 1º dia
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Questão 34ENEM 2018 PPLCaderno azul · 1º Dia

Questão 034 - ENEM PPL 2018 -

TEXTO II

Manuel da Costa Ataíde (Mariana, MG, 1762-1830), assim como os demais artistas do seu tempo, recorria a bíblias e a missais impressos na Europa como ponto de partida para a seleção iconográfica das suas composições, que então recriava com inventiva liberdade.

Se Mário de Andrade houvesse conseguido a oportunidade de acesso aos meios de aproximação ótica da pintura dos forros de Manuel da Costa Ataíde, imaginamos como não teria vibrado com o mulatismo das figuras do mestre marianense, ratificando, ao lado de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, a sua percepção pioneira de um surto de racialidade brasileira em nossa terra, em pleno século XVIII.

FROTA, L. C. Ataíde: vida e obra de Manuel da Costa Ataíde. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.

O Texto II destaca a inovação na representação artística setecentista, expressa no Texto I pela

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Artes → Barroco/Rococó mineiro; Mestre Ataíde; iconografia religiosa colonial e identidade racial brasileira
  • ⚡ Nível: Médio — exige cruzar um texto crítico com uma imagem (pintura de forro) e reconhecer um conceito historiográfico pouco literal: "racialidade brasileira"
  • 🎯 Tema/Habilidade: Arte colonial como expressão de identidade nacional; leitura comparativa entre linguagem verbal e não verbal
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual inovação do século XVIII o Texto II aponta em Ataíde, e como ela aparece na pintura do Texto I?"
  • Palavras-chave decisivas: mulatismo, racialidade brasileira, inventiva liberdade
  • Armadilha típica: tomar o uso de bíblias/missais europeus (comum a "todos os artistas do seu tempo") como se fosse a inovação — quando na verdade é só o ponto de partida; ou confundir mistura racial com sincretismo religioso.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que a novidade não está no tema religioso, mas nos traços fisionômicos dados aos personagens sacros.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Barroco/Rococó mineiro: arte do século XVIII em Minas Gerais, ligada ao ciclo do ouro; Aleijadinho na escultura/arquitetura, Mestre Ataíde na pintura.
  • Método de Ataíde: partia de gravuras europeias como roteiro de composição, mas "recriava com inventiva liberdade" — não copiava, transformava o resultado.
  • Mulatismo: termo da crítica de arte (retomado de Mário de Andrade) para a fisionomia mestiça — traços da miscigenação entre europeus, africanos escravizados e indígenas — que Ataíde deu a santos, anjos e à própria Virgem.
  • Racialidade como identidade: ainda no período colonial, sem projeto nacionalista organizado, essa fisionomia mestiça já expressa uma "brasilidade" visual espontânea, décadas antes de qualquer movimento de arte nacional.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "recorria a bíblias e a missais impressos na Europa como ponto de partida (...) que então recriava com inventiva liberdade" → a fonte é europeia; a inovação está na recriação, não na fonte.
  • Evidência 2: "o mulatismo das figuras (...) um surto de racialidade brasileira em nossa terra, em pleno século XVIII" → nomeia o elemento inovador: feições que remetem à população mestiça mineira, não ao ideal europeu.
  • Evidência 3 (imagem): na "Coroação de Nossa Senhora de Porciúncula" (forro da nave de São Francisco de Assis, Ouro Preto, 1801-12), mesmo em preto e branco, a Virgem e os querubins têm rostos arredondados e encorpados — bem diferentes do padrão anguloso e idealizado das gravuras europeias de origem.
  • Síntese: a inovação do Texto II (mulatismo/racialidade) é a mesma coisa vista no Texto I: personagens sacros de origem europeia com traços que remetem à identidade étnico-racial brasileira.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — O que é comum a todos os artistas (logo, não é a inovação)

O Texto II abre dizendo que Ataíde agia "assim como os demais artistas do seu tempo": partir de bíblias e missais europeus era procedimento padrão da pintura sacra colonial, não exclusividade dele. Tudo que descreva "seguir a Bíblia" ou "usar modelos europeus" descreve a regra da época, não o que diferencia Ataíde — e a questão pede justamente a diferença.

Subpasso 4.2 — O que é exclusivo de Ataíde: o mulatismo

A "inventiva liberdade" de Ataíde é detalhada pelo crítico Frota como "mulatismo das figuras" — a incorporação de traços fisionômicos mestiços aos santos e anjos —, o que ele chama de "surto de racialidade brasileira". A inovação é dar rosto brasileiro (mestiço) a uma iconografia de origem europeia, uma identidade visual local entrando na arte sacra mesmo sem intenção nacionalista declarada.

Subpasso 4.3 — Verificação: cruzando texto, imagem e alternativas

A cena da coroação mantém toda a estrutura católica europeia (mãos em oração, coroa, glória celeste, querubins) — isso é o ponto de partida comum. Mas os rostos arredondados e encorpados são o mulatismo descrito no Texto II: aí mora a inovação. Só uma alternativa nomeia esse fenômeno com precisão — incorporar à imagem sacra traços de identidade racial brasileira: a alternativa E.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) reprodução de episódios bíblicos.

❌ Incorreta: reproduzir episódios bíblicos é o procedimento comum "aos demais artistas do seu tempo", afirmado logo na abertura do Texto II — é o ponto de partida compartilhado por toda a pintura sacra colonial, não o que torna Ataíde pioneiro.

B) retratação de elementos europeus.

❌ Incorreta: é o inverso do que o Texto II valoriza. O texto celebra o afastamento do padrão europeu de representação, substituído por feições mestiças. Se a inovação fosse "elementos europeus", a menção ao mulatismo e à racialidade brasileira perderia sentido.

C) valorização do sincretismo religioso.

❌ Incorreta: sincretismo religioso é fusão de crenças de tradições distintas (ex.: orixá associado a santo católico) e não aparece em nenhum dos textos — a cena é integralmente católica. O que se descreve é miscigenação racial/fisionômica dos personagens, um fenômeno étnico, não uma mistura de cultos.

D) recuperação do antropocentrismo clássico.

❌ Incorreta: antropocentrismo clássico é conceito do Renascimento/Classicismo, quando se resgatam os ideais greco-romanos e o ser humano — não Deus — ocupa o centro da composição. A obra de Ataíde é Barroca/Rococó, de tema plenamente religioso e teocêntrico; o texto fala de identidade racial, eixo distinto do humanismo clássico europeu.

E) incorporação de características identitárias.

✅ Correta: é exatamente o "mulatismo das figuras" e o "surto de racialidade brasileira" do Texto II — Ataíde incorpora, aos modelos religiosos europeus, traços fisionômicos que remetem à identidade étnico-racial mestiça de Minas Gerais colonial, visíveis nos rostos da Virgem e dos anjos do Texto I.

🏆 Gabarito: E — a inovação destacada pelo Texto II, e visível no Texto I, é a incorporação de características identitárias (o "mulatismo") aos personagens sacros, não a simples reprodução de episódios bíblicos ou de padrões europeus.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a E descreve o fenômeno nomeado no Texto II e visível no Texto I; as demais descrevem o ponto de partida comum, o oposto do texto, ou conceitos de outros campos.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorre à dupla Aleijadinho/Mestre Ataíde para discutir como a arte colonial mineira antecipou traços de identidade nacional, tema retomado pelo Modernismo de Mário de Andrade.
  • Generalização: em questões que comparam texto crítico e imagem, a resposta certa costuma estar no que o texto marca como "diferencial", nunca no que é descrito como prática comum da época.
  • Dica de eliminação rápida: termos como "mulatismo", "mestiçagem" ou "racialidade" associados a uma obra de base europeia apontam para identidade nacional/étnica — descarte de cara alternativas sobre "padrão europeu puro" (o oposto) e "sincretismo religioso" (categoria diferente: cultos, não raças).
  • Conexões: Barroco mineiro; Aleijadinho; Modernismo brasileiro e a redescoberta do Barroco por Mário de Andrade.

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