Pular para o conteúdo
MemorizeMemorize
Mapa de questões · 1º dia
HumanasSociologiaMédio

Questão 75ENEM 2018 PPLCaderno azul · 1º Dia

De certo modo o toxicômano diz a verdade sobre nossa condição social atual, quer dizer, temos a tendência de tornarmo-nos todos adictos em relação a determinados objetos, cuja presença se tornou para nós indispensável. Todas as nossas referências éticas ou morais não têm nada de sério diante do toxicômano, porque fundamentalmente somos viciados como ele.

MELMAN, C. Novas formas clínicas no início do terceiro milênio. Porto Alegre: CMC, 2003.

No trecho, o autor propõe uma analogia entre o vício individual e as práticas de consumo sustentada no argumento da

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → sociedade de consumo, subjetividade contemporânea e dependência de objetos
  • ⚡ Nível: Médio — a dificuldade está em decodificar uma analogia abstrata (toxicômano ↔ consumidor), não em nenhum conceito raro
  • 🎯 Tema/Habilidade: Sociedade de consumo e novas formas de dependência subjetiva — leitura crítica de texto teórico, identificando a tese por trás de uma metáfora
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Que argumento sustenta a comparação entre o vício em drogas e o consumo na sociedade atual?"
  • Palavras-chave decisivas: adictos, objetos... indispensável, analogia
  • Armadilha típica: ler "toxicômano" literalmente e marcar a alternativa E, achando que o texto fala de drogas — quando o dependente químico é apenas figura de linguagem para todos nós.
  • O que a resposta precisa demonstrar: qual "objeto indispensável" da vida contemporânea ocupa, no consumo, o lugar que a droga ocupa para o toxicômano.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Toxicomania como metáfora social (Charles Melman): psicanalista francês para quem o "viciado" não é exceção, mas espelho da normalidade da sociedade de consumo.
  • Sociedade de consumo: identidade e pertencimento construídos pela posse de objetos, transformando desejos em necessidades quase compulsórias.
  • Dependência tecnológica: hoje, o objeto de "presença indispensável" por excelência é o dispositivo digital — celular, redes sociais, aplicativos —, cuja ausência já provoca ansiedade (nomofobia).
  • Esvaziamento ético: a moral tradicional "não tem nada de sério" diante do toxicômano — ela perde força, não é reinventada.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "temos a tendência de tornarmo-nos todos adictos em relação a determinados objetos" → o vício deixa de ser exceção e vira regra do consumidor comum.
  • Evidência 2: "cuja presença se tornou para nós indispensável" → a dependência não está na natureza química de uma substância, mas na imprescindibilidade do objeto — hoje, papel ocupado majoritariamente pela tecnologia.
  • Síntese: a analogia funciona porque toxicômano e consumidor compartilham o mesmo mecanismo psíquico — a necessidade compulsiva de algo indispensável. No consumo atual, esse algo é a tecnologia, o que sustenta a alternativa C.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Isolar o núcleo da analogia

Melman não discute drogas ilícitas: usa o toxicômano como figura retórica para descrever todos os consumidores. A frase "fundamentalmente somos viciados como ele" iguala consumidor comum e dependente químico. A pergunta da prova não é "sobre o que o texto fala?", mas "qual argumento sustenta essa equivalência?".

Subpasso 4.2 — Localizar o elemento comum entre os dois polos

O próprio texto entrega a resposta: "objetos... cuja presença se tornou indispensável". Essa é a definição operacional de dependência — viver incapaz de dispensar algo que, em tese, seria dispensável. Transportando essa lógica para o consumo contemporâneo, os objetos mais indispensáveis do cotidiano são os dispositivos e serviços tecnológicos: é a tecnologia que hoje ocupa, no consumo, a mesma posição estrutural que a droga ocupa para o toxicômano.

Subpasso 4.3 — Verificação

Reencaixando no enunciado: "a analogia é sustentada pelo argumento da dependência das novas tecnologias" fecha perfeitamente com "objetos... indispensáveis". Nenhuma outra alternativa dialoga diretamente com essa expressão-chave do texto. Resposta confirmada: C.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) exposição da vida privada.

❌ Incorreta: exposição da intimidade pertence a outra discussão sociológica (sociedade do espetáculo, redes como vitrine do "eu"). O texto trata da dependência entre sujeito e objeto, não da exibição pública dessa relação.

B) reinvenção dos valores tradicionais.

❌ Incorreta: o texto afirma o oposto de uma reinvenção — a moral tradicional "não tem nada de sério" diante do toxicômano, ou seja, perde força e é esvaziada, não recriada. Confundir enfraquecimento moral com reinvenção de valores é o erro conceitual da alternativa.

C) dependência das novas tecnologias.

✅ Correta: o argumento estrutural da analogia é a existência de "objetos... indispensáveis". No consumo contemporâneo, esse objeto é sobretudo o aparato tecnológico — celular, internet, redes sociais —, reproduzindo no cotidiano a mesma lógica psíquica da toxicomania.

D) recorrência de transtornos mentais.

❌ Incorreta: transtorno mental é categoria clínica de diagnóstico; o texto não discute frequência de quadros psiquiátricos, mas usa a toxicomania como metáfora social — trocar o argumento social pelo clínico é o deslize dessa opção.

E) banalização de substâncias psicotrópicas.

❌ Incorreta: é a leitura literal mais tentadora — o texto cita "toxicômano", mas a droga é apenas o ponto de partida da comparação, não seu objeto final. O autor não afirma que as drogas se banalizaram; usa o dependente químico para revelar o vício de todos os consumidores, hoje majoritariamente tecnológico.

🏆 Gabarito: C — a analogia entre toxicômano e consumidor se sustenta porque ambos dependem de um "objeto indispensável"; no consumo atual, esse objeto é, por excelência, a tecnologia.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa C dialoga diretamente com "objetos... indispensáveis", sem recorrer à leitura literal da droga (E), sem inverter o sentido do enfraquecimento moral (B) e sem confundir metáfora social com diagnóstico clínico (D) ou exposição pessoal (A).
  • Padrão de cobrança: o ENEM gosta de textos de Filosofia/Sociologia (Bauman, Debord, Melman, Lipovetsky) com metáforas fortes — vício, espetáculo, liquidez — para criticar a sociedade de consumo, testando se o candidato entende a metáfora ou lê apenas ao pé da letra.
  • Generalização: quando um texto compara um fenômeno "chocante" (vício, doença, crime) a um comportamento cotidiano, a resposta certa está na característica compartilhada entre os dois polos — nunca na leitura literal do termo mais chamativo.
  • Dica de eliminação rápida: risque de cara qualquer alternativa que repita o vocabulário mais óbvio do texto de forma literal (aqui, "substâncias psicotrópicas" — alternativa E); procure o conceito que traduz a metáfora para a vida real do candidato.
  • Conexões: sociedade do consumo e alienação (Guy Debord, "sociedade do espetáculo"); modernidade líquida (Zygmunt Bauman); dependência tecnológica e saúde mental na contemporaneidade (nomofobia, hiperconectividade).

Comunidade Memorize · Grátis

Não perca nenhuma live, aula ou material.

Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.