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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 50ENEM 2018 PPLCaderno azul · 1º Dia

O modelo de conservacionismo norte-americano espalhou-se rapidamente pelo mundo recriando a dicotomia entre “povos” e “parques”. Como essa ideologia se expandiu, sobretudo para os países do Terceiro Mundo, seu efeito foi devastador sobre as “populações tradicionais” de extrativistas, pescadores, índios, cuja relação com a natureza é diferente da analisada pelos primeiros “ideólogos” dos parques nacionais norte-americanos. É fundamental enfatizar que a transposição deste “modelo” de parques sem moradores, vindo de países industrializados e de clima temperado, para países cujas florestas remanescentes foram e continuam sendo, em grande parte, habitadas por populações tradicionais, está na base não só de conflitos insuperáveis, mas de uma visão inadequada de áreas protegidas.

DIEGUES, A. C. O mito da natureza intocada. São Paulo: Hucitec; Nupaub-USP/CEC, 2008 (adaptado).

O modelo de preservação ambiental criticado no texto é considerado inadequado para o Brasil por promover ações que

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Conservação Ambiental e Populações Tradicionais (Unidades de Conservação)
  • ⚡ Nível: Médio — a resposta está evidenciada no texto, mas exige distinguir com precisão o argumento social/territorial da crítica de argumentos econômicos ou biológicos sugeridos pelas alternativas.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Crítica de Antonio Carlos Diegues ao "mito da natureza intocada"; leitura crítica de texto científico articulada a conceitos de conflitos socioambientais.
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Por que aplicar no Brasil o modelo de parque nacional sem moradores é considerado inadequado?"
  • Palavras-chave decisivas: dicotomia entre "povos" e "parques", efeito devastador sobre populações tradicionais, parques sem moradores
  • Armadilha típica: trocar o sujeito prejudicado pelo modelo. O texto fala em pessoas (extrativistas, pescadores, índios), mas alternativas como "diversidade biológica" ou "turismo" tentam deslocar a crítica para o campo ecológico ou econômico, que não é o argumento central de Diegues.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o leitor entendeu que a crítica é territorial e social — o modelo, ao exigir áreas "vazias" de gente, provoca a retirada de populações tradicionais de onde sempre viveram.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Conservacionismo norte-americano: modelo consolidado com o Parque de Yellowstone (1872), fundado na ideia de wilderness — natureza selvagem intocada, que via a presença humana como ameaça e, por isso, exigia parques sem moradores.
  • Mito da natureza intocada (Diegues): tese de que essa concepção de natureza "pura" é uma construção cultural de países industrializados de clima temperado — e ignora que, em regiões tropicais como o Brasil, florestas "naturais" são, há séculos, também espaços de vida humana.
  • Populações tradicionais: extrativistas, pescadores artesanais, ribeirinhos, quilombolas e povos indígenas, cuja relação com o território é de manejo sustentável e identidade cultural — diferente do colono predatório que o modelo original tinha em mente.
  • SNUC (Lei 9.985/2000): distingue UCs de Proteção Integral (ex.: Parques Nacionais), que não admitem moradores, de UCs de Uso Sustentável (ex.: Reservas Extrativistas – RESEX), criadas para conciliar conservação e permanência de populações tradicionais.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "seu efeito foi devastador sobre as 'populações tradicionais' de extrativistas, pescadores, índios" → o impacto recai sobre grupos humanos que habitam essas áreas — o sujeito atingido é a população, não a fauna ou a flora.
  • Evidência 2: "a transposição deste 'modelo' de parques sem moradores... para países cujas florestas remanescentes... continuam sendo... habitadas por populações tradicionais" → o problema é a incompatibilidade entre um modelo pensado para territórios desabitados e a realidade brasileira, em que florestas têm gente morando nelas.
  • Síntese: as evidências convergem para a mesma ideia: aplicar esse modelo no Brasil significa impor a ausência de moradores a territórios já ocupados — promove-se a separação entre o homem e o lugar onde ele historicamente vive.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o "modelo" criticado

O texto define o modelo com precisão: parques nacionais ao estilo Yellowstone, que pressupõem território sem moradores (correspondendo, no Brasil, às UCs de Proteção Integral). Esse modelo nasceu em país industrializado de clima temperado — cenário muito diferente do brasileiro, onde as florestas remanescentes são, em grande parte, ocupadas por populações tradicionais.

Subpasso 4.2 — Identificar o efeito da transposição

Ao ser "transposto" para o Brasil, o modelo recria a "dicotomia entre povos e parques": ou a área é habitada, ou é parque protegido — as duas coisas, nessa lógica, não coexistem. O texto afirma que o efeito foi "devastador" justamente sobre extrativistas, pescadores e índios: a criação de uma UC de proteção integral sobre território tradicionalmente ocupado costuma resultar na remoção ou no cerceamento do modo de vida dessas comunidades, desconectando-as de um território que é fonte de sustento e base de identidade cultural.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando essa síntese com as cinco alternativas, procura-se aquela que descreve "afastamento/expulsão de pessoas de seu território", sem acrescentar elementos ausentes do texto (comércio, disputas fundiárias regulamentadas, biodiversidade deslocada, turismo). Apenas a alternativa que fala em separar o homem do lugar de origem reproduz fielmente esse argumento.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) incentivam o comércio de produtos locais.

❌ Incorreta: o texto não trata de comércio. Pelo contrário, parques de proteção integral costumam proibir atividades extrativistas e comerciais dentro da unidade — é o oposto de um incentivo.

B) separam o homem do lugar de origem.

✅ Correta: sintetiza com precisão a crítica de Diegues. O modelo de "natureza intocada", aplicado a florestas brasileiras habitadas, provoca a retirada ou o afastamento de populações tradicionais de territórios onde vivem há gerações, rompendo o vínculo histórico e cultural entre essas pessoas e seu lugar de origem.

C) regulamentam as disputas fundiárias.

❌ Incorreta: o texto não menciona regulamentação de conflitos de terra; ao contrário, afirma que essa transposição está "na base de conflitos insuperáveis" — o modelo gera disputas, não as resolve.

D) deslocam a diversidade biológica.

❌ Incorreta: inverte o sujeito da crítica. A criação de parques, em tese, visa manter fauna e flora no lugar; quem é deslocado ou expulso pelo modelo são as pessoas, não os elementos da biodiversidade.

E) fomentam a atividade turística.

❌ Incorreta: o turismo pode ocorrer como consequência indireta em alguns parques, mas não é mencionado no texto e não é o foco da crítica de Diegues, que é social e territorial, não econômica.

🏆 Gabarito: B — o texto denuncia que o modelo preservacionista norte-americano, ao ser replicado no Brasil, ignora a presença histórica de populações tradicionais nas florestas e promove sua separação forçada do território de origem.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: B é a única alternativa que traduz o argumento central do texto — a incompatibilidade entre um modelo de "parque sem gente" e a realidade brasileira de florestas habitadas, cujo resultado é a separação entre populações tradicionais e seus territórios.
  • Padrão de cobrança: o ENEM já cobrou mais de uma vez o pensamento de Antonio Carlos Diegues e a crítica ao "mito da natureza intocada", quase sempre contrapondo UCs de Proteção Integral (parques, sem moradores) a UCs de Uso Sustentável (RESEX, RDS), que reconhecem o papel das populações tradicionais na conservação.
  • Generalização: em textos sobre conservação ambiental no Brasil, desconfie de alternativas que deslocam o foco para biodiversidade, turismo ou comércio quando o texto-base fala explicitamente de "populações", "moradores" ou "povos" — a crítica quase sempre é territorial e social, não ecológica ou econômica.
  • Dica de eliminação rápida: grife, no enunciado, quem é o sujeito afetado pela ação criticada. Se o sujeito são pessoas (e não a natureza), elimine de cara alternativas sobre biodiversidade (D) e turismo (E); se o texto não fala de mercado, elimine comércio (A); se não fala de resolução de conflitos, elimine disputas fundiárias (C).
  • Conexões: Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC); Reservas Extrativistas (RESEX), criadas a partir da luta de Chico Mendes; conflitos socioambientais envolvendo populações tradicionais e áreas protegidas no Brasil.

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