Mapa de questões · 1º dia
Questão 86 — ENEM 2018 PPLCaderno azul · 1º Dia

A causa da formação do curso-d’água encachoeirado, tal como ilustrado na imagem, é a
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geomorfologia fluvial (processos erosivos, formação de cachoeiras e knickpoints)
- ⚡ Nível: Médio — exige interpretar uma imagem de perfil geológico e associá-la a um conceito específico de erosão diferencial, mas o raciocínio, uma vez identificado, é direto
- 🎯 Tema/Habilidade: Causas da formação de cachoeiras (corredeiras/quedas d'água) por erosão diferencial das rochas; competência de analisar formas de relevo a partir de estruturas geológicas
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Observando a imagem, qual é o fator geológico que originou o desnível do curso-d'água (a cachoeira)?"
- Palavras-chave decisivas: causa, encachoeirado, ilustrado na imagem
- Armadilha típica: confundir a causa estrutural (o que gera o degrau) com as consequências visuais do fenômeno já formado — redemoinhos, caldeirões e material transportado são efeitos que ocorrem depois que a cachoeira existe, não o motivo de ela ter surgido.
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que a origem do desnível está na estrutura geológica do leito — mais especificamente, em rochas de resistências distintas dispostas em camadas ao longo do curso do rio.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Erosão diferencial: rochas de dureza distinta, submetidas ao mesmo agente erosivo (a água), se desgastam em ritmos diferentes. As mais resistentes (arenitos silicificados, basaltos) permanecem em relevo; as menos resistentes (folhelhos, argilitos) são removidas mais rapidamente.
- Knickpoint (ruptura de declive): quebra abrupta no perfil longitudinal do rio, onde a inclinação do leito muda bruscamente, formando quedas d'água. Sua origem está quase sempre em um contraste de resistência entre litologias.
- Erosão remontante: o desgaste na base faz o degrau "recuar" rio acima ao longo do tempo geológico, mas o desnível persiste porque a rocha dura do topo continua servindo de borda.
- Caldeirões (potholes) e redemoinhos: cavidades e vórtices formados pelo impacto da água na base da queda — manifestações posteriores e locais, não a causa geológica original.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado e da Imagem
- Evidência 1 (imagem): a camada superior, por onde a água escoa antes de despencar, tem textura maciça e compacta, formando um patamar horizontal bem definido — trata-se da rocha mais resistente à erosão.
- Evidência 2 (imagem): logo abaixo, existe uma camada mais escura e granulada, visivelmente recuada em relação à borda de cima, criando uma reentrância (undercut) atrás da cortina d'água — é a rocha menos resistente, sendo escavada pelo impacto contínuo da água.
- Síntese: a disposição em camadas de dureza distinta — rocha dura no topo sustentando o patamar, rocha frágil embaixo sendo corroída — é a assinatura visual clássica da erosão diferencial. É esse desnível estrutural, e não os efeitos secundários na base, que caracteriza e mantém o curso-d'água encachoeirado.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Lendo a estrutura geológica representada
A imagem mostra um curso d'água que escoa sobre um patamar de rocha hachurada e compacta e, ao atingir a borda, cai em queda livre, formando espuma branca. Logo abaixo do ponto de queda, há uma camada escura, de textura mais solta, recuada em relação à linha da queda — foi escavada para dentro, deixando a camada superior "pendurada" sobre um vão (efeito overhang).
Subpasso 4.2 — Relacionando a estrutura ao processo formador
Uma cachoeira nasce no ponto em que o leito de um rio atravessa o contato entre duas litologias de resistência diferente. Sobre a rocha mais resistente, o desgaste é lento; ao alcançar a rocha menos resistente, a energia hidráulica da água passa a desgastá-la muito mais rápido — por abrasão e por ação hidráulica direta. Esse desgaste diferencial abre um vão sob a camada resistente, que passa a funcionar como "aba" da queda. Com o tempo, o processo se repete rio acima (erosão remontante), mas o desnível persiste, pois sempre há uma rocha dura segurando a borda e uma rocha frágil sendo escavada por baixo.
Subpasso 4.3 — Verificação
Redemoinhos, caldeirões e material transportado só existem depois que a queda já está formada — são efeitos da energia da água ao cair, não a origem do degrau. A deposição de fragmentos vai na direção oposta ao observado: cachoeira é forma erosiva, não deposicional. A única alternativa que explica a origem estrutural do desnível, compatível com as duas camadas de rocha visíveis na imagem, é a diferença de resistência à erosão entre as rochas — confirmando a alternativa E.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) deposição de fragmentos rochosos.
❌ Incorreta: a cachoeira é forma de relevo produzida por erosão (remoção de material), não por deposição. Blocos que se acumulam na base após desabamentos são, no máximo, subproduto tardio do recuo da escarpa, não a causa do desnível.
B) circulação das águas em redemoinho.
❌ Incorreta: o redemoinho (vórtice) é efeito hidráulico formado na base da queda pelo impacto e turbulência da água sobre o degrau já existente. É consequência da cachoeira, não sua causa.
C) quantidade de material sólido transportado.
❌ Incorreta: a carga sedimentar do rio pode intensificar a abrasão, mas é fator que acelera o desgaste — não o que origina o degrau estrutural. Um leito homogêneo em resistência não forma cachoeira só por transportar muito sedimento.
D) escavação de caldeirões pelo turbilhonamento.
❌ Incorreta: caldeirões (potholes) são cavidades escavadas na base pela rotação de seixos presos no turbilhão de água — processo secundário e localizado, que ocorre depois de a cachoeira já existir.
E) diferente resistência à erosão oferecida pelas rochas.
✅ Correta: a imagem evidencia duas camadas de litologia distinta — a superior, resistente, sustenta o patamar; a inferior, frágil, recua sob a erosão, mantendo o vão que sustenta o desnível vertical. Esse contraste de resistência é o mecanismo — a erosão diferencial — que origina e perpetua o curso-d'água encachoeirado.
🏆 Gabarito: E — a formação de uma cachoeira depende de um contato entre rochas de resistências distintas ao longo do leito fluvial; a rocha resistente forma o patamar, a rocha frágil é escavada por baixo, e esse contraste — não os efeitos posteriores da queda — é a verdadeira causa do relevo encachoeirado.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa E aponta para o fator estrutural que origina o desnível; as demais descrevem manifestações que só existem depois que a cachoeira já está formada.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente geomorfologia fluvial associando imagem ou perfil esquemático a um processo geológico (erosão diferencial, capturas fluviais, terraços, meandros) — a leitura correta da figura costuma ser o ponto decisivo.
- Generalização: quando a pergunta pedir a causa de uma forma de relevo, procure o fator estrutural de fundo (tipo de rocha, disposição das camadas) e descarte alternativas que só descrevem o comportamento visível do processo em andamento.
- Dica de eliminação rápida: elimine primeiro o que acontece "na base" ou "depois da queda" (redemoinho, caldeirões, material transportado) — são efeitos. Entre as restantes, deposição não combina com relevo erosivo, sobrando a diferença de resistência das rochas.
- Conexões: erosão diferencial em cuestas e relevos residuais (mesas, chapadões); capturas fluviais e terraços de rio.
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