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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 69ENEM 2018 PPLCaderno azul · 1º Dia

Existe uma concorrência global, forçando redefinições constantes de produtos, processos, mercados e insumos econômicos, inclusive capital e informação.

CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 2011.

Nos últimos anos do século XX, o sistema industrial experimentou muitas modificações na forma de produzir, que implicaram transformações em diferentes campos da vida social e econômica. A redefinição produtiva e seu respectivo impacto territorial ocorrem no uso da

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geografia Industrial (modelos de produção, globalização e divisão internacional do trabalho)
  • ⚡ Nível: Médio — exige articular a teoria (fordismo × toyotismo, "sociedade em rede" de Castells) com as consequências territoriais concretas da produção globalizada, e não apenas decorar definições.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Reestruturação produtiva do capitalismo pós-1970 (toyotismo/acumulação flexível) e a Nova Divisão Internacional do Trabalho — competência de analisar processos de industrialização e seus impactos socioespaciais.
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual modelo produtivo surgiu no fim do século XX para enfrentar a concorrência global, e como esse modelo reorganizou o território entre países centrais e periféricos?"
  • Palavras-chave decisivas: concorrência global, redefinições constantes, impacto territorial
  • Armadilha típica: confundir características do fordismo (modelo anterior, rígido e concentrado) com as do modelo pós-fordista/toyotista (flexível e fragmentado), ou inverter a lógica territorial, imaginando que a gestão migrou para a periferia junto com as fábricas.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que a "redefinição produtiva" citada por Castells corresponde ao toyotismo/just in time, e que seu impacto territorial é separar geograficamente a manufatura (periferia) do comando estratégico (centro).

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Fordismo: modelo criado por Henry Ford (Detroit, início do século XX), baseado em linha de montagem, produção em massa e padronizada, grandes estoques e integração vertical — a mesma empresa controla quase toda a cadeia, concentrada territorialmente.
  • Toyotismo (produção flexível/just in time): modelo japonês (Toyota, a partir do pós-guerra e difundido globalmente após a crise do petróleo de 1973), baseado em estoque mínimo, produção sob encomenda, flexibilidade para responder rápido à demanda e terceirização — o oposto da rigidez fordista.
  • Nova Divisão Internacional do Trabalho: a partir dos anos 1970, as etapas de baixo valor agregado (montagem, manufatura intensiva em mão de obra) migram para países periféricos e semiperiféricos, enquanto as etapas de alto valor agregado (pesquisa, design, finanças, sede administrativa) permanecem nos países centrais.
  • Sociedade em rede (Castells): capital, informação e gestão circulam de forma instantânea e desterritorializada — o "espaço de fluxos" —, mas essa circulação não elimina as hierarquias territoriais; ao contrário, ela organiza a nova divisão entre lugares que decidem e lugares que executam.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "concorrência global, forçando redefinições constantes de produtos, processos, mercados e insumos" → revela um modelo produtivo flexível, capaz de se adaptar rapidamente às oscilações do mercado — a marca do toyotismo, e não do fordismo, que era rígido e padronizado.
  • Evidência 2: "transformações em diferentes campos da vida social e econômica" associadas a um "impacto territorial" → mostra que a questão não quer só o nome do modelo produtivo, mas a geografia que ele produziu: onde ficaram as fábricas e onde ficou o comando.
  • Síntese: o enunciado descreve a lógica da produção flexível globalizada — cadeias produtivas fragmentadas em escala mundial, nas quais a "redefinição de insumos, mercados e capital" citada por Castells se traduz espacialmente na separação entre países que produzem (periferia) e países que administram e decidem (centro).

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o modelo produtivo descrito

O enunciado fala em "concorrência global" e "redefinições constantes" de produtos e processos — isso é incompatível com o fordismo, que produzia em massa produtos padronizados e tinha baixíssima capacidade de adaptação. O modelo que nasce exatamente para responder a essa exigência de flexibilidade é o toyotismo, cujo princípio operacional central é o just in time: produzir a peça certa, na quantidade certa, no momento exato em que ela é necessária, eliminando estoques e reduzindo custos e desperdícios (o chamado "estoque zero"). Esse sistema, criado na Toyota japonesa e difundido mundialmente sobretudo após a crise do petróleo de 1973 — quando ficou evidente que o fordismo era caro e rígido demais para absorver choques de demanda —, é a resposta correta para o "modelo produtivo" que a questão pede.

Subpasso 4.2 — Identificar o impacto territorial

Se a produção precisa ser flexível e barata para vencer a "concorrência global", as empresas transnacionais passam a fragmentar geograficamente suas cadeias produtivas: transferem as etapas de manufatura — intensivas em mão de obra, de baixo valor agregado — para países periféricos e semiperiféricos (Sudeste Asiático, México, China), onde os custos trabalhistas são menores e a legislação, mais frouxa. Ao mesmo tempo, mantêm nos países centrais (Estados Unidos, Europa Ocidental, Japão) as funções estratégicas: pesquisa e desenvolvimento, design, marketing, finanças e a sede administrativa da corporação. Essa divisão espacial do trabalho é o que Castells chama de "sociedade em rede": fluxos de capital e informação conectam instantaneamente matriz e filiais, mas a hierarquia de poder entre quem decide e quem executa permanece — e até se intensifica.

Subpasso 4.3 — Verificação

Cruzando as duas conclusões — modelo = just in time; território = fábricas na periferia, gestão no centro — chega-se exatamente à descrição da alternativa D. Um exemplo real sintetiza esse processo: o smartphone contemporâneo é projetado, financiado e comandado por empresas de países centrais, mas fisicamente montado em fábricas do Sudeste Asiático — a etiqueta "Designed in California, Assembled in China" resume, na prática, o que a questão pede em teoria.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) técnica fordista, com treinamento em altas tecnologias e difusão do capital pelo território.

❌ Incorreta: a questão pede o modelo que sucedeu o fordismo diante da "concorrência global" — citar a "técnica fordista" é anacrônico. Além disso, o fordismo está associado à produção em massa e à concentração territorial da produção, não à "difusão do capital pelo território", característica típica da fase posterior, de dispersão produtiva.

B) linha de montagem, com capacitação da mão de obra em países centrais e aumento das discrepâncias regionais.

❌ Incorreta: "linha de montagem" rígida e padronizada é marca do fordismo, não da produção flexível descrita no enunciado. Além disso, no modelo que de fato se globalizou, a mão de obra fabril intensiva foi capacitada e empregada majoritariamente nos países periféricos, e não nos centrais — a alternativa inverte essa localização.

C) robotização, com melhorias nas condições de trabalho e remuneração em empresas no Sudeste asiático.

❌ Incorreta: embora a automação faça parte da modernização produtiva, a afirmação sobre "melhorias nas condições de trabalho e remuneração" nas fábricas do Sudeste Asiático inverte a realidade histórica — essas fábricas ficaram conhecidas justamente por baixos salários, jornadas extensas e condições precárias, sendo essa vantagem comparativa (mão de obra barata) o que atraiu as empresas transnacionais para a região.

D) produção just in time, com territorialização das indústrias em países periféricos e manutenção das bases de gestão nos países centrais.

✅ Correta: descreve com exatidão o toyotismo/produção flexível (just in time) e sua consequência territorial — a fragmentação da cadeia produtiva entre periferia (manufatura) e centro (gestão, finanças, tecnologia), exatamente o que o trecho de Castells descreve como redefinição de "produtos, processos, mercados e insumos econômicos, inclusive capital e informação".

E) fabricação em grandes lotes, com transferências financeiras de países centrais para países periféricos e diminuição das diferenças territoriais.

❌ Incorreta: "fabricação em grandes lotes" é característica do fordismo (produção em massa, padronizada), o oposto da produção flexível e diversificada do toyotismo. Além disso, a globalização produtiva não diminuiu as diferenças territoriais entre centro e periferia — ela as reorganizou, mantendo e muitas vezes aprofundando a desigualdade entre quem comanda e quem executa.

🏆 Gabarito: D — a produção just in time (toyotismo) é o único modelo compatível com a "concorrência global" e as "redefinições constantes" citadas por Castells, e seu impacto territorial real é exatamente a territorialização fabril na periferia associada à manutenção da gestão nos países centrais.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa D combina corretamente o modelo produtivo certo (just in time) com a geografia certa (fábricas na periferia, comando no centro); todas as demais erram no modelo produtivo, na direção do fluxo territorial, ou em ambos.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente o contraste fordismo × toyotismo associado à globalização e à Nova Divisão Internacional do Trabalho, quase sempre citando um teórico (Castells, Milton Santos, David Harvey) para contextualizar a "sociedade em rede" ou o "meio técnico-científico-informacional".
  • Generalização: sempre que o enunciado falar em "flexibilidade", "concorrência global", "redefinição constante" ou "estoque zero", pense em toyotismo/just in time; sempre que falar em "produção em massa", "padronização" ou "linha de montagem" rígida, pense em fordismo.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de cara qualquer alternativa que combine "fordista", "linha de montagem" ou "grandes lotes" com um contexto de "concorrência global" e "redefinição constante" — são conceitos de épocas opostas; desconfie também de alternativas que afirmem "melhoria nas condições de trabalho" ou "diminuição das diferenças territoriais" na periferia, pois a globalização produtiva é marcada pela exploração de mão de obra barata e pela manutenção das desigualdades, não pela sua superação.
  • Conexões: Nova Divisão Internacional do Trabalho; acumulação flexível (David Harvey); meio técnico-científico-informacional (Milton Santos); Tigres Asiáticos e maquiladoras mexicanas.

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