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Mapa de questões · 1º dia
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Questão 2ENEM 2018 PPLCaderno azul · 1º Dia

Which skin colour are you? The human swatch chart that confronts racism

In 1933, in a book called The Masters and the Slaves, the Brazilian anthropologist Gilberto Freyre wrote: "Every Brazilian, even the light-skinned, fair-haired one, carries about him on his soul, when not on soul and body alike, the shadow, or at least the birthmark, of the aborigine or the negro." This was forefront in the mind of the French artist Pierre David when he moved to Brazil in 2009. "When I was in the streets, I could see so many skin colours", he says. He decided to make a human colour chart, like one you would find in the paint section of B&Q shop, but showing the gradations and shades of our skin colour. The project, called Nuancier or "swatches", was first shown at the Museu de Arte Moderna in Salvador – Bahia, and is now on show in his native France. "Brazil has a better attitude to skin colour than other developed nations", he says. "There's no doubt, because the concept of skin colour difference was recognised very early in their history. Now, it even appears on identity documents."

Yet Nuancier, David says, is still a critique of racism, in Brazil and around the world. "This work may seem provocative – to classify men by colour, to industrially produce the colour of an individual so it can be store-bought. But this is a demonstration of the commodification of bodies. It denounces racism anywhere it is found in the world."

SEYMOUR, T. Disponível em: www.theguardian.com. Acesso em: 21 out. 2015 (adaptado).

O artista francês Pierre David, ao evidenciar seu encantamento com a diversidade de cores de peles no Brasil, no projeto Nuancier, também

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Inglês → leitura e interpretação de artigo jornalístico em língua estrangeira; identificação de propósito comunicativo e crítica social em texto sobre arte
  • ⚡ Nível: Médio — o vocabulário do texto é acessível, mas a resposta exige inferir a intenção crítica por trás de uma obra de arte aparentemente ambígua, e não apenas localizar uma informação explícita
  • 🎯 Tema/Habilidade: Compreensão de texto em língua inglesa com foco no propósito comunicativo do autor (Competência de Área 1 de Linguagens — reconhecer diferentes funções da linguagem e a intencionalidade discursiva em textos de gêneros diversos)
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Além de mostrar seu encantamento com a diversidade de cores de pele no Brasil, o que MAIS o projeto Nuancier de Pierre David faz?"
  • Palavras-chave decisivas: commodification of bodies, denounces racism, critique
  • Armadilha típica: parar na primeira impressão da obra — "um artista fazendo uma paleta de cores de pele para vender" — e marcar a alternativa que descreve literalmente o produto (E), sem perceber que o próprio artista explica, no texto, que essa aparência é proposital e serve para denunciar algo, não para simplesmente comercializar.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o aluno entendeu a dupla camada do texto — a obra parece endossar a classificação e a venda de corpos por cor, mas essa aparência é, na fala do próprio artista, uma ferramenta crítica contra o racismo e a mercantilização das pessoas.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Swatch chart / colour chart: cartela de cores como as usadas em lojas de tinta (o texto cita "B&Q shop", uma loja de material de construção britânica) — aqui, um recurso visual comum do comércio é transposto para classificar tons de pele humana.
  • Commodification: processo de transformar algo que não deveria ser mercadoria (no caso, o corpo humano e sua cor) em produto que pode ser fabricado e comprado ("industrially produce... store-bought").
  • Critique through irony (crítica pela ironia): estratégia da arte contemporânea de reproduzir uma lógica opressora (aqui, catalogar pessoas por cor como se fossem tintas) exatamente para expor e questionar essa lógica, e não para validá-la.
  • Provocative art (arte provocativa): o próprio David usa a palavra "provocative" para descrever a obra — sinal linguístico direto de que a intenção é gerar desconforto e reflexão, não apenas apresentar um produto comercial.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "to industrially produce the colour of an individual so it can be store-bought" → mostra a camada superficial da obra: ela simula um processo industrial de produção e venda da cor da pele de uma pessoa, como se fosse tinta de loja.
  • Evidência 2: "But this is a demonstration of the commodification of bodies. It denounces racism anywhere it is found in the world." → é a virada interpretativa da questão: o próprio artista afirma que essa simulação é uma demonstração da mercantilização dos corpos, cujo objetivo final é denunciar o racismo — não legitimar a venda de pessoas por cor.
  • Síntese: as duas evidências, lidas juntas, revelam a estrutura clássica da crítica por ironia: primeiro o texto descreve a aparência provocativa/comercial da obra (Evidência 1) e depois o artista explica a real função crítica por trás dela (Evidência 2). A resposta correta precisa capturar exatamente essa passagem — da aparência de produto à crítica da classificação e da comercialização racial.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o que já foi dado no comando

O comando já afirma que Pierre David "evidencia seu encantamento com a diversidade de cores de peles no Brasil". Isso remete à primeira parte do texto, quando ele diz "I could see so many skin colours" e decide criar a cartela de cores (Nuancier). O comando pede o que a obra faz além disso — ou seja, pede o segundo efeito comunicativo do projeto, que está no segundo parágrafo do texto.

Subpasso 4.2 — Localizar o efeito adicional no texto

O segundo parágrafo começa com "Yet Nuancier, David says, is still a critique of racism, in Brazil and around the world" — a palavra "Yet" (contudo) já sinaliza uma virada de sentido: apesar do encantamento inicial, a obra também carrega uma crítica. Em seguida, o texto reconhece que a obra "may seem provocative – to classify men by colour, to industrially produce the colour of an individual so it can be store-bought", mas imediatamente reenquadra essa aparência: "But this is a demonstration of the commodification of bodies. It denounces racism anywhere it is found in the world."

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando esse raciocínio com as alternativas, apenas uma reproduz fielmente os dois elementos centrais identificados no texto: (1) a classificação de pessoas por cor e (2) a mercantilização ("commodification") como alvo da crítica ("critique"/"denounces"). A alternativa D — "provoca uma reflexão crítica em relação à classificação e à mercantilização das raças" — é a única que une esses dois pontos com o verbo correto (provocar reflexão crítica, e não simplesmente vender ou classificar). As demais alternativas ou mudam o escopo (nacional/local em vez de mundial), ou trocam o alvo da crítica (mobilidade social em vez de mercantilização), ou tomam a aparência da obra pela sua intenção real.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) desencadeia um estudo sobre a atitude dos brasileiros com base na análise de características raciais.

❌ Incorreta: o texto não descreve nenhum estudo sociológico ou científico sobre a atitude dos brasileiros. A única menção a "atitude" aparece quando David elogia o Brasil ("Brazil has a better attitude to skin colour than other developed nations"), mas isso é um comentário lateral, não o propósito do projeto Nuancier, que é uma obra de arte visual, não uma pesquisa acadêmica.

B) denuncia a discriminação social gerada com a distinção de cores na população de Salvador.

❌ Incorreta: erro de escopo geográfico. Salvador é citada apenas como o local da primeira exposição ("first shown at the Museu de Arte Moderna in Salvador – Bahia"), não como o alvo da denúncia. O próprio texto amplia explicitamente o alcance da crítica para o mundo todo: "denounces racism anywhere it is found in the world" — ou seja, universal, não restrito a uma cidade.

C) destaca a mistura racial como elemento-chave no impedimento para a ascensão social.

❌ Incorreta: mistura o tema (diversidade racial) com uma consequência que o texto jamais menciona (ascensão social). Não há qualquer referência a mobilidade social, emprego ou hierarquia socioeconômica no artigo — essa alternativa introduz uma ideia estranha ao texto para testar se o aluno confunde "crítica ao racismo" com "crítica à desigualdade de oportunidades".

D) provoca uma reflexão crítica em relação à classificação e à mercantilização das raças.

✅ Correta: sintetiza com precisão as duas ideias centrais do segundo parágrafo — classificar ("to classify men by colour") e mercantilizar ("commodification of bodies", "store-bought") — e o efeito comunicativo declarado pelo próprio artista: gerar reflexão crítica ("critique of racism", "provocative", "denounces"). É a única alternativa fiel tanto ao conteúdo quanto à intenção do texto.

E) elabora um produto com base na variedade de cores de pele para uso comercial.

❌ Incorreta: essa é a armadilha central da questão — descreve apenas a aparência literal da obra (uma cartela de cores, como um produto de loja de tintas), ignorando que o próprio texto desmonta essa leitura ao afirmar que se trata de uma "demonstração" crítica, não de um produto real para venda. Confundir a metáfora com o objetivo é exatamente o erro que a questão quer identificar.

🏆 Gabarito: D — o texto é explícito ao afirmar que a obra, apesar de parecer classificar e vender corpos por cor como tinta de loja, é na verdade uma "demonstration of the commodification of bodies" que "denounces racism" — ou seja, provoca reflexão crítica sobre classificação e mercantilização racial.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa D reproduz, ao mesmo tempo, o mecanismo da obra (classificar cores de pele) e sua finalidade declarada pelo autor (denunciar/criticar essa mesma classificação e sua mercantilização) — exatamente o que o comando pede ao perguntar o que o projeto faz "também", além de mostrar encantamento com a diversidade.
  • Padrão de cobrança: o ENEM de Inglês recorrentemente traz textos sobre arte, cultura ou ativismo social em que a obra descrita tem uma camada de ironia ou crítica — a questão testa se o candidato consegue ir além da leitura literal e captar a intenção comunicativa real do autor/artista citado no texto.
  • Generalização: sempre que um texto descrever uma obra "provocativa" ou que "parece" fazer algo controverso, busque a frase de virada (geralmente após "but", "yet", "however") — ela normalmente contém a explicação da verdadeira intenção crítica, que costuma ser a resposta correta.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de cara qualquer alternativa que restrinja geograficamente algo que o texto declara mundial (elimina B) e qualquer alternativa que introduza um tema ausente do texto, como mobilidade/ascensão social (elimina C); entre as restantes, prefira a que combine "crítica" com o vocabulário-chave do texto (classify + commodification) em vez da que descreve apenas a aparência do produto (elimina E).
  • Conexões: arte engajada e ativismo social em língua inglesa; estratégias de ironia e paródia como crítica; vocabulário de mercantilização/comodificação em textos sobre desigualdade racial.

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