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Mapa de questões · 1º dia
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Questão 28ENEM 2018 PPLCaderno azul · 1º Dia

Para os chineses da dinastia Ming, talvez as favelas cariocas fossem lugares nobres e seguros: acreditava-se por lá, assim como em boa parte do Oriente, que os espíritos malévolos só viajam em linha reta. Em vielas sinuosas, portanto, estaríamos livres de assombrações malditas. Qualidades sobrenaturais não são as únicas razões para considerarmos as favelas um modelo urbano viável, merecedor de investimentos infraestruturais em escala maciça. Lugares com conhecidos e sérios problemas, elas podem ser também solução para uma série de desafios das cidades hoje. Contanto que não sejam encaradas com olhar pitoresco ou preconceituoso. As favelas são, afinal, produto direto do urbanismo moderno e sua história se confunde com a formação do Brasil.

CARVALHO, B. A favela e sua hora. Piauí, n. 67, abr. 2012.

Os enunciados que compõem os textos encadeiam-se por meio de elementos linguísticos que contribuem para construir diferentes relações de sentido.

No trecho “Em vielas sinuosas, portanto, estaríamos livres de assombrações malditas”, o conector “portanto” estabelece a mesma relação semântica que ocorre em

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Coesão textual e conectivos (conjunções coordenativas)
  • ⚡ Nível: Médio — a dificuldade não está em identificar "portanto" como conclusivo, mas em perceber que "afinal", na alternativa correta, também exerce essa função, algo menos óbvio do que reconhecer "logo" ou "por isso".
  • 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecimento de relações lógico-discursivas marcadas por conectivos (conjunções e advérbios conectivos) dentro de um texto argumentativo autêntico.
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Entre as cinco alternativas, qual usa um conectivo que expressa a MESMA relação de sentido que 'portanto' expressa no trecho destacado?"
  • Palavras-chave decisivas: portanto, mesma relação semântica, conector
  • Armadilha típica: procurar semelhança na posição do conectivo na frase (todas as alternativas trazem a palavra isolada por vírgulas, intercalada no meio da oração) em vez de comparar o VALOR SEMÂNTICO que cada uma introduz. Posição sintática parecida não significa função igual.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de classificar "portanto" como conectivo de conclusão e de rastrear, nas cinco opções, qual conectivo pertence à mesma classe semântica — não bastando "parecer" formal.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Conjunções conclusivas: portanto, logo, por conseguinte, assim, pois (posposto ao verbo), então, afinal, enfim, em suma. Introduzem uma dedução, consequência lógica ou fechamento de raciocínio construído nas frases anteriores.
  • Outras classes semânticas em jogo nas alternativas: condicionais (contanto que, se, caso) impõem uma exigência para que algo se valide; comparativas (assim como, tal qual) aproximam dois elementos por semelhança; aditivas (também, além disso) somam uma nova informação a outra já dada; advérbios de dúvida (talvez, possivelmente) marcam hipótese, não certeza.
  • "Afinal" como polissêmico: essa palavra pode significar "por fim/finalmente" (valor temporal) ou introduzir uma justificativa final que resume o argumento (valor conclusivo/explicativo) — é exatamente esse segundo uso que a questão explora, exigindo leitura atenta do contexto e não decoreba isolada da palavra.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "acreditava-se [...] que os espíritos malévolos só viajam em linha reta. Em vielas sinuosas, portanto, estaríamos livres de assombrações malditas." → "portanto" liga uma premissa (espíritos só se deslocam em linha reta) a uma conclusão que decorre logicamente dela (logo, ruas tortas = proteção). Relação de causa lógica → consequência/conclusão.
  • Evidência 2: "As favelas são, afinal, produto direto do urbanismo moderno [...]." → depois de encadear argumentos ao longo do parágrafo (potencial de solução urbana, desde que vistas sem preconceito), o autor fecha com "afinal", apresentando a razão última que sintetiza e justifica toda a defesa anterior das favelas.
  • Síntese: nos dois casos, o conectivo assume o papel de fechar um raciocínio anterior, apresentando o que vem a seguir como conclusão dele — a diferença de "sabor" argumentativo entre um conector mais lógico-formal ("portanto") e outro mais próximo do discurso ensaístico ("afinal") não muda a classificação: ambos operam como conjunções conclusivas dentro de seus contextos.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Classificar o conectivo-modelo

"Portanto" é, pela gramática normativa, conjunção coordenativa conclusiva: liga duas orações de modo que a segunda apresente uma dedução ou efeito lógico decorrente da primeira. No trecho-base, a crença de que espíritos maus só andam em linha reta funciona como premissa; "portanto" introduz a conclusão natural dessa premissa (vielas sinuosas nos protegem). É essa relação — premissa → conclusão — que precisamos encontrar repetida em uma das alternativas.

Subpasso 4.2 — Testar o conectivo de cada alternativa

  • A) "talvez" → advérbio de dúvida; abre uma hipótese especulativa, sem premissa anterior da qual decorra.
  • B) "assim como" → locução comparativa; aproxima duas crenças semelhantes ("por lá" e "no Oriente"), sem relação de causa-efeito.
  • C) "também" → palavra denotativa de adição; soma mais uma qualidade (solução) às já elencadas, sem indicar conclusão.
  • D) "contanto que" → locução condicional; exige uma condição (ausência de preconceito) para que a afirmação anterior valha, o que é o oposto de "fechar" um raciocínio.
  • E) "afinal" → conjunção conclusiva; encerra o parágrafo apresentando a razão definitiva que resume e justifica o argumento construído até ali.

Subpasso 4.3 — Verificação por substituição

Um teste seguro para confirmar equivalência semântica entre conectivos é a substituição: trocar um pelo outro sem quebrar a lógica da frase. Em E, "As favelas são, portanto, produto direto do urbanismo moderno..." mantém perfeitamente o sentido original. Já tentar essa troca nas demais falha: "talvez… portanto as favelas fossem nobres" (quebra a ideia de hipótese), "portanto em boa parte do Oriente" (destrói a comparação), "elas podem ser portanto solução" (perde o sentido de adição) e "Portanto não sejam encaradas..." (anula a condição). Isso confirma que apenas a alternativa E preserva a relação de conclusão.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) "[…] talvez as favelas cariocas fossem lugares nobres e seguros […]."

❌ Incorreta: "talvez" é advérbio de dúvida/possibilidade. A frase apresenta uma hipótese especulativa decorrente da crença chinesa citada no início do texto, não uma conclusão amarrada logicamente a uma premissa anterior.

B) "[…] acreditava-se por lá, assim como em boa parte do Oriente […]."

❌ Incorreta: "assim como" é conectivo comparativo. Ele aproxima duas realidades por semelhança (a crença "por lá" nas favelas e a crença "no Oriente"), estabelecendo comparação, não decorrência lógica.

C) "[…] elas podem ser também solução para uma série de desafios das cidades hoje."

❌ Incorreta: "também" é palavra denotativa de inclusão/adição. Ele soma a ideia de "solução" a outras qualidades já atribuídas às favelas, sem indicar que essa ideia resulta de algo afirmado antes.

D) "Contanto que não sejam encaradas com olhar pitoresco ou preconceituoso."

❌ Incorreta: "contanto que" é locução condicional. Impõe um requisito (ausência de olhar preconceituoso) para que a afirmação anterior — de que as favelas podem ser solução — se sustente. Condição é logicamente diferente de conclusão.

E) "As favelas são, afinal, produto direto do urbanismo moderno […]."

✅ Correta: "afinal" funciona como conjunção conclusiva, exatamente como "portanto" no trecho-base. Depois de encadear os argumentos do parágrafo, o autor usa "afinal" para introduzir a conclusão que resume e justifica sua defesa das favelas como modelo urbano válido.

🏆 Gabarito: E — "Afinal" e "portanto" pertencem à mesma classe semântica (conectivos conclusivos) e cumprem a mesma função textual: fechar um raciocínio anterior apresentando o que vem a seguir como consequência lógica dele.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: E é a única alternativa cujo conectivo introduz uma conclusão decorrente do que foi dito antes — a mesma função exercida por "portanto" no trecho-base; as demais expressam dúvida, comparação, adição e condição, respectivamente.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra o reconhecimento da função semântica de conectivos (conclusão, condição, comparação, adição, causa, oposição) em textos autênticos, sem exigir a nomenclatura gramatical — o candidato precisa "sentir" a relação lógica, não decorar rótulos.
  • Generalização: ao comparar conectivos entre trechos diferentes, ignore a posição na frase (isolado por vírgulas, início ou meio do período) e concentre-se exclusivamente na relação lógica que cada um estabelece entre as ideias que liga.
  • Dica de eliminação rápida: agrupe mentalmente os conectivos por família semântica (conclusão: logo, portanto, assim, afinal, pois pospositivo; condição: se, contanto que, caso; comparação: como, assim como, tal qual; adição: também, além disso, ainda) e use o teste da substituição — troque o conectivo da alternativa pelo da questão; se o sentido lógico permanecer coerente, a relação é a mesma.
  • Conexões: operadores argumentativos e coesão sequencial; classificação das conjunções coordenativas (aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas, explicativas); leitura de textos ensaísticos e articulação de parágrafos argumentativos.

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