Mapa de questões · 1º dia
Questão 54 — ENEM 2018 PPLCaderno azul · 1º Dia

A evolução da pirâmide etária apresentada indica a seguinte tendência:
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Demografia (pirâmides etárias e transição demográfica)
- ⚡ Nível: Fácil — exige apenas reconhecer o padrão gráfico clássico de envelhecimento populacional, sem cálculos ou dados numéricos complexos
- 🎯 Tema/Habilidade: Leitura e interpretação de pirâmide etária; compreensão da dinâmica demográfica brasileira (Competência de Área 5 do ENEM — analisar transformações territoriais, redes e dinâmica demográfica)
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Observando como a pirâmide etária mudou de formato ao longo do tempo, qual tendência demográfica essa mudança revela?"
- Palavras-chave decisivas: evolução, pirâmide etária, tendência
- Armadilha típica: confundir "queda da natalidade" (o que encolhe a base) com "aumento da mortalidade" (alternativa E) — são fenômenos opostos, e o candidato apressado às vezes associa "mudança na pirâmide" a qualquer alteração negativa, sem identificar qual variável específica está subindo e qual está caindo.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de traduzir a forma gráfica (base que se estreita, topo que se alarga) no conceito demográfico correspondente — o envelhecimento populacional causado pelo aumento da longevidade.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Pirâmide etária: gráfico de barras horizontais empilhadas por faixa de idade (geralmente de 5 em 5 anos, da base para o topo), com homens de um lado e mulheres do outro. A largura de cada barra representa a proporção (ou número absoluto) de pessoas naquela faixa etária, permitindo "ler" a estrutura populacional de um país em um único desenho.
- Transição demográfica: processo histórico pelo qual uma população passa de altas taxas de natalidade e mortalidade (crescimento lento, mas pirâmide de base larga) para baixas taxas de natalidade e mortalidade (crescimento lento novamente, porém com pirâmide "envelhecida"). No meio desse processo — fase em que o Brasil se encontra — a mortalidade já caiu bastante, mas a natalidade ainda está em queda, gerando forte crescimento seguido de desaceleração.
- Expectativa de vida ao nascer: número médio de anos que uma pessoa nascida em determinado ano deve viver, dado o padrão de mortalidade da época. É o indicador que mede diretamente a longevidade de uma população e que se reflete no alargamento do topo da pirâmide.
- Formato da pirâmide como "fotografia" da história demográfica: uma pirâmide de base larga e topo estreito (formato triangular) indica alta natalidade recente e poucos idosos (mortalidade elevada em todas as idades); uma pirâmide de base estreita e topo largo (formato de "sino" ou colmeia) indica baixa natalidade atual e muitas pessoas sobrevivendo até idades avançadas.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "evolução da pirâmide etária" → o enunciado não pede uma leitura estática de uma única pirâmide, mas a comparação entre pelo menos dois momentos no tempo (por exemplo, uma pirâmide mais antiga sobreposta ou ao lado de uma mais recente, como o IBGE costuma apresentar para décadas como 1980, 2000, 2010 e projeções até 2050).
- Evidência 2: o formato típico dessas comparações no caso brasileiro mostra a base da pirâmide (crianças e jovens) encolhendo relativamente e as faixas do topo (adultos maduros e idosos) se alargando — é exatamente o padrão gráfico que caracteriza qualquer pirâmide etária brasileira das últimas décadas.
- Síntese: ao identificar que a mudança visual central é o "engrossamento" do topo da pirâmide (mais pessoas chegando e permanecendo em faixas etárias avançadas), o candidato conclui que a tendência retratada é o aumento da longevidade da população — ou seja, o aumento da expectativa de vida, consequência direta da melhoria das condições sanitárias, do acesso à saúde e da queda da mortalidade em todas as idades.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o que muda entre a pirâmide "antiga" e a pirâmide "atual"
Toda questão sobre "evolução da pirâmide etária" no Brasil segue o mesmo roteiro visual: comparando um recorte mais antigo (décadas de 1970-1980) com um mais recente (2000-2020 em diante), duas mudanças aparecem simultaneamente — (1) a base da pirâmide (0 a 14 anos) fica proporcionalmente mais estreita, e (2) as faixas etárias do topo (60 anos ou mais) ficam proporcionalmente mais largas. O formato geral migra do clássico "triângulo" (típico de país jovem) para um formato mais próximo de "sino" ou "barril" (típico de país em envelhecimento).
Subpasso 4.2 — Conectar a forma gráfica à causa demográfica
O alargamento do topo da pirâmide só acontece por um motivo: mais pessoas estão sobrevivendo até idades avançadas. Isso é, por definição, o aumento da expectativa de vida — resultado de décadas de avanços em saneamento básico, vacinação, acesso a serviços de saúde, redução da mortalidade infantil e melhoria nas condições nutricionais e de trabalho. Não é coincidência que o Brasil tenha saltado de uma expectativa de vida ao nascer próxima de 62 anos, em 1980, para algo em torno de 76 anos, no final da década de 2010, segundo dados do IBGE — um ganho de mais de uma década de vida em cerca de 40 anos.
Subpasso 4.3 — Verificação
Cruzando a leitura gráfica com o conceito: se a pergunta fosse sobre a base da pirâmide (que encolhe), a resposta apontaria para "queda da fecundidade" — mas nenhuma alternativa oferece essa opção como correta (a única relacionada à base, a "C", afirma justamente o oposto do que ocorre). Isso confirma que a questão foca no topo da pirâmide, e a única alternativa compatível com "topo mais largo, mais idosos vivendo mais tempo" é o aumento da expectativa de vida. A resposta B se confirma como a única coerente com o padrão gráfico descrito.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Crescimento da faixa juvenil.
❌ Incorreta: é o oposto do que a evolução da pirâmide mostra. A faixa juvenil (base) diminui proporcionalmente ao longo do tempo, pois a taxa de fecundidade brasileira caiu de forma acentuada — de cerca de 6,3 filhos por mulher em 1960 para menos de 1,8 filho por mulher a partir da década de 2010, valor já abaixo da taxa de reposição populacional (2,1 filhos por mulher).
B) Aumento da expectativa de vida.
✅ Correta: é exatamente essa a tendência revelada pelo alargamento do topo da pirâmide. Mais pessoas atingem e ultrapassam os 60, 70, 80 anos porque a mortalidade caiu em todas as faixas etárias — efeito direto da melhoria em saúde pública, saneamento, nutrição e condições de vida ao longo das décadas retratadas na comparação.
C) Elevação da taxa de fecundidade.
❌ Incorreta: contraria o próprio mecanismo que estreita a base da pirâmide. A fecundidade não sobe, cai — é justamente essa queda, combinada com o aumento da longevidade, que caracteriza a transição demográfica em curso no Brasil e explica a mudança de formato "triângulo" para "sino".
D) Predomínio da população masculina.
❌ Incorreta: as pirâmides etárias brasileiras mostram o padrão inverso, sobretudo nas faixas de idade mais avançada — mulheres têm expectativa de vida maior que homens (diferença histórica de aproximadamente 7 anos no Brasil), de modo que o lado feminino da pirâmide é visivelmente mais largo no topo. Não há, portanto, "predomínio masculino" associado à evolução descrita.
E) Expansão do índice de mortalidade.
❌ Incorreta: inverte a relação de causa e efeito. É justamente a queda da mortalidade (geral e, principalmente, infantil) que permite o alargamento do topo da pirâmide; se a mortalidade estivesse em expansão, o topo se estreitaria ainda mais, e não o contrário.
🏆 Gabarito: B — a evolução da pirâmide etária, marcada pelo estreitamento da base e alargamento do topo, retrata diretamente o aumento da expectativa de vida da população brasileira.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: entre as cinco alternativas, apenas o aumento da expectativa de vida é compatível com um topo de pirâmide mais largo; todas as demais descrevem fenômenos que produziriam o efeito gráfico oposto ao apresentado.
- Padrão de cobrança: o ENEM repete esse tipo de questão com frequência, sempre comparando pirâmides de anos distintos (real ou projetada pelo IBGE) e pedindo a interpretação da mudança de formato — às vezes pergunta pela causa (transição demográfica), às vezes pelas consequências (previdência, mercado de trabalho, bônus demográfico).
- Generalização: em qualquer pirâmide etária, "base larga que estreita" = queda da natalidade/fecundidade; "topo estreito que alarga" = aumento da expectativa de vida/envelhecimento. Domine essa correspondência gráfico-conceito e qualquer questão sobre pirâmides se resolve em segundos.
- Dica de eliminação rápida: elimine de cara qualquer alternativa que descreva "crescimento" da base (jovens, fecundidade) — o padrão universal de transição demográfica sempre vai na direção contrária; em seguida, desconfie de alternativas sobre "predomínio de sexo", pois raramente é esse o foco de uma pirâmide em evolução, e sim seu formato geral.
- Conexões: teoria da transição demográfica (estágios de Notestein); bônus demográfico e envelhecimento populacional; impactos da mudança de pirâmide etária no sistema previdenciário brasileiro.
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