Mapa de questões · 1º dia
Questão 51 — ENEM 2018 PPLCaderno azul · 1º Dia
Os antigos filósofos, observando o grande volume de água de rios como o Nilo, Reno e outros, imaginavam que as chuvas eram insuficientes para alimentar tão consideráveis massas de água. Foi no século XVIII que Pierre Pernault mediu a quantidade de chuva durante três anos na cabeceira do rio Sena. Também mediu o volume de água do referido rio e chegou à conclusão de que apenas a sexta parte se escoava e o restante era evaporado.
LEINZ, V. Geologia geral. São Paulo: Editora Nacional, 1989 (adaptado).
A investigação feita por Pierre Pernault contribuiu diretamente para a explicação científica sobre
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Hidrologia e Ciclo da Água (Geografia Física), com apoio de noções de História da Ciência
- ⚡ Nível: Médio — o conceito central (ciclo hidrológico) é conhecido, mas a questão exige diferenciá-lo de processos "parecidos" (erosão, drenagem, degelo, intemperismo) que também envolvem água e relevo
- 🎯 Tema/Habilidade: Ciclo hidrológico e balanço entre precipitação, escoamento e evaporação — compreensão de processos físico-naturais do planeta e da construção histórica do conhecimento científico
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O experimento de Pernault — medir a chuva e comparar com a vazão do rio — ajudou a comprovar cientificamente qual fenômeno da natureza?"
- Palavras-chave decisivas: mediu a quantidade de chuva, mediu o volume de água do... rio, apenas a sexta parte se escoava e o restante era evaporado
- Armadilha típica: associar "chuva" a erosão pluvial (D) ou "rio" a rede de drenagem (B) por semelhança superficial de palavras, ignorando que o texto fala de quantidade comparada de água, não de desgaste do solo nem de organização espacial dos canais
- O que a resposta precisa demonstrar: entender que comparar entrada de água (chuva) com saída de água (vazão do rio + evaporação) é o método que comprova o funcionamento contínuo e cíclico da água na natureza
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Ciclo hidrológico (ciclo da água): movimento contínuo e fechado da água entre atmosfera, superfície e subsolo, via evaporação/evapotranspiração, condensação, precipitação, escoamento superficial e infiltração — a água não se cria nem se perde, só muda de estado e de lugar.
- Teoria pré-científica sobre a origem dos rios: desde a Antiguidade, filósofos julgavam a chuva visível insuficiente para justificar rios caudalosos como o Nilo; recorriam então a "mares subterrâneos" hipotéticos que alimentariam as nascentes, sem qualquer medição que comprovasse isso.
- Balanço hídrico: comparação quantitativa entre o volume de água que entra em uma bacia (precipitação) e o que sai dela (escoamento + evapotranspiração + infiltração) — exatamente a ferramenta que Pernault aplicou, séculos antes de o termo existir formalmente.
- Nascimento da hidrologia científica: Pierre Pernault (grafado na fonte original em francês como Perrault) substituiu a especulação filosófica por medição sistemática de campo, sendo depois complementado por Edme Mariotte e Edmond Halley, que refinaram os cálculos de evaporação e fecharam o modelo do ciclo da água.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "os antigos filósofos... imaginavam que as chuvas eram insuficientes para alimentar tão consideráveis massas de água" → expõe o problema científico anterior a Pernault: como rios volumosos se mantinham com chuva aparentemente "pequena"?
- Evidência 2: "mediu a quantidade de chuva durante três anos... também mediu o volume de água do referido rio" → método comparativo: cruzar entrada (chuva sobre a bacia) com saída (vazão do rio) — a essência de um balanço hídrico.
- Evidência 3: "apenas a sexta parte se escoava e o restante era evaporado" → conclusão central: a chuva é suficiente e ainda sobra — o excedente retorna à atmosfera por evaporação, fechando o circuito da água.
- Síntese: as três evidências descrevem, juntas, os três grandes processos do ciclo hidrológico (precipitação → escoamento → evaporação) sendo medidos e comprovados matematicamente pela primeira vez. Em nenhum momento o texto fala de desgaste de rochas, traçado de canais ou degelo.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — O enigma que intrigava os antigos
Observando rios volumosos como o Nilo e o Reno, filósofos e estudiosos concluíam, por impressão visual e sem qualquer medição, que a chuva não parecia suficiente para manter tamanho volume de água correndo o ano inteiro. Para explicar esse aparente "excesso", recorriam a hipóteses especulativas — reservatórios ou mares subterrâneos que alimentariam as nascentes por vias ocultas. No fundo, era um problema sobre a origem e a quantidade de água dos rios, exatamente o que Pernault viria a resolver com dados.
Subpasso 4.2 — O experimento de Pernault: nascimento da hidrologia quantitativa
Rompendo com a especulação, Pernault testou a hipótese antiga com números reais: durante três anos consecutivos, mediu o total de chuva sobre a bacia da cabeceira do Sena e, paralelamente, o volume de água que efetivamente escoava pelo rio. O resultado foi revolucionário — a chuva era muito maior do que o necessário para alimentar o curso d'água: apenas cerca de um sexto (1/6) da água precipitada virava vazão do rio; o restante (cerca de 5/6) retornava à atmosfera pela evaporação. (A obra de Perrault é de 1674, século XVII; o enunciado, seguindo a adaptação do livro de Leinz, situa o episódio no século XVIII — detalhe que não altera a lógica da resolução, pois o essencial é o método quantitativo empregado.)
Subpasso 4.3 — Verificação
Ao comparar entrada (chuva) e saída (escoamento + evaporação) de água em um mesmo sistema, Pernault demonstrou, de forma mensurável, que a água se movimenta em um circuito contínuo entre atmosfera e superfície, sem reservatórios subterrâneos misteriosos — a comprovação científica do ciclo hidrológico. Nenhuma outra alternativa descreve esse balanço entre entrada e saída de água em um sistema cíclico.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) intemperismo químico.
❌ Incorreta: é a decomposição de minerais e rochas por agentes químicos (água, oxigênio, ácidos), processo ligado à formação do solo. Pernault não estudou rochas — mediu apenas volumes de água.
B) rede de drenagem.
❌ Incorreta: é a organização espacial dos cursos d'água de uma bacia (padrões dendrítico, retangular, treliça etc.) — descreve a forma dos canais, não a quantidade de água que os alimenta. Pernault comparou volumes, não mapeou o traçado do Sena.
C) degelo de altitude.
❌ Incorreta: é o derretimento de neve e gelo em regiões montanhosas, fonte típica de rios de regime glacial. O texto não menciona neve, gelo ou altitude, e o Sena não depende desse regime.
D) erosão pluvial.
❌ Incorreta: é o desgaste e transporte de partículas do solo pela força mecânica da chuva — processo de modificação do relevo, não de quantificação do balanço entre chuva, vazão e evaporação.
E) ciclo hidrológico.
✅ Correta: a pesquisa de Pernault comprovou, com medição direta ao longo de três anos, que o volume de chuva é suficiente — e até superior — ao volume escoado pelo rio, sendo o excedente evaporado e devolvido à atmosfera. É exatamente o movimento entre precipitação, escoamento e evaporação que define o ciclo hidrológico.
🏆 Gabarito: E — Pernault mediu, comparou e comprovou numericamente a relação entre chuva, vazão do rio e evaporação, produzindo a primeira evidência científica quantitativa do funcionamento do ciclo hidrológico.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a alternativa E trata de um balanço quantitativo entre entrada e saída de água em um sistema fechado — exatamente o que Pernault mediu na bacia do Sena.
- Padrão de cobrança: o ENEM gosta de narrar episódios da história da ciência (experimentos, biografias, medições pioneiras) e pedir que o aluno reconheça, por trás do relato, o conceito correspondente, muitas vezes sem citar o termo técnico no texto.
- Generalização: sempre que a questão comparar volume de chuva, volume de rio e evaporação, o conceito-alvo é ciclo hidrológico (ou balanço hídrico) — não erosão, não drenagem, não degelo, não intemperismo.
- Dica de eliminação rápida: identifique o verbo-chave do processo narrado — "desgastar/transportar sedimento" → erosão; "traçar/organizar canais" → drenagem; "derreter neve/gelo" → degelo; "decompor minerais" → intemperismo; "medir e comparar volumes de água" → ciclo hidrológico. Só o último se aplica aqui.
- Conexões: bacias hidrográficas e balanço hídrico climático (método de Thornthwaite); história da hidrologia moderna (Edme Mariotte e Edmond Halley, que confirmaram e completaram o modelo iniciado por Pernault no fim do século XVII).
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