Pular para o conteúdo
MemorizeMemorize
Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaMédio

Questão 70ENEM 2018 PPLCaderno azul · 1º Dia

Embora a compra de cargos e títulos fosse bem difundida na América, muitos nobres, aí moradores, receberam títulos da monarquia devido a suas qualidades e serviços. Desde o século XVI, os títulos de marquês e conde (títulos de Castela) eram concedidos, sobretudo, aos vice-reis e capitães-gerais nascidos na Espanha. Com menor incidência, esta mercê régia também podia ser remuneração de serviços militares, de feitos na conquista, colonização e fundação de cidades.

RAMINELLI, R. Nobreza e riqueza no Antigo Regime ibérico setecentista. Revista de História, n. 169, jul.-dez. 2013.

Segundo o texto, as concessões da Coroa espanhola visavam o fortalecimento do seu poder na América ao

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Colonização espanhola na América; Antigo Regime ibérico; sistema de mercês régias e nobreza colonial
  • ⚡ Nível: Médio — a resposta exige leitura atenta e domínio conceitual do sistema de mercês do Antigo Regime, já que os distratores usam vocabulário histórico plausível (tropas, magistrados, comerciantes) para desviar do argumento central do texto
  • 🎯 Tema/Habilidade: Mecanismos de dominação política e vinculação de elites no Antigo Regime ibérico + habilidade de identificar a tese central de um texto historiográfico
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "O que a concessão de títulos nobiliárquicos pela Coroa espanhola buscava garantir, em termos de poder, na América?"
  • Palavras-chave decisivas: títulos da monarquia, qualidades e serviços, mercê régia, remuneração de serviços militares, de feitos na conquista, colonização e fundação de cidades
  • Armadilha típica: confundir o grupo ou a área citada de passagem no texto (comerciantes, tropas, magistrados) com o objetivo político central da concessão de títulos, que é criar vínculo pessoal de fidelidade entre o agraciado e o rei
  • O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que a mercê régia (título de nobreza) funciona como moeda simbólica trocada por fidelidade política contínua, e não apenas como reconhecimento técnico de uma função administrativa específica

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Antigo Regime: sistema social e político europeu, transplantado à América ibérica, organizado em ordens hierárquicas (clero, nobreza, povo), em que a honra e o serviço ao rei — não apenas a riqueza — definiam o status social de um indivíduo e de sua linhagem
  • Mercê régia: graça concedida pelo rei (título, cargo, isenção) como retribuição por serviços prestados à Coroa; era o principal instrumento de governo à distância nos impérios ibéricos, usado para administrar territórios imensos sem burocracia ou exército permanentes suficientes
  • Economia da dádiva: lógica de reciprocidade em que o "presente" do rei (o título) gera no receptor uma obrigação moral de gratidão e fidelidade duradoura, muitas vezes herdada junto com o próprio título
  • Monarquia corporativa (ou composta): modelo de governo em que o rei não concentra todo o poder por força ou burocracia centralizada, mas negocia com elites locais, distribuindo privilégios simbólicos em troca de obediência e serviço

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "muitos nobres, aí moradores, receberam títulos da monarquia devido a suas qualidades e serviços" → o título não era automático nem hereditário na origem: nascia de um reconhecimento individualizado, o que reforça o vínculo pessoal e direto entre o agraciado e o rei, e não apenas entre o cargo e a instituição
  • Evidência 2: "esta mercê régia também podia ser remuneração de serviços militares, de feitos na conquista, colonização e fundação de cidades" → o título de nobreza funciona como "pagamento" simbólico por serviços que sustentam e expandem o domínio espanhol — ou seja, é moeda de troca por lealdade e serviço contínuo, não uma medida técnica ou restritiva
  • Síntese: ao trocar títulos de nobreza (marquês, conde) por serviços prestados — administrativos, militares ou de colonização —, a Coroa espanhola tece uma rede de súditos gratos e comprometidos com a preservação do seu poder; a lealdade é o produto político direto dessa engrenagem de honras e recompensas

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identifique o sujeito e a ação central do texto

O texto descreve a concessão (ação da Coroa espanhola) de títulos de marquês e conde — os chamados "títulos de Castela" — a vice-reis e capitães-gerais nascidos na Espanha e, com menor frequência, a quem prestasse serviços militares ou participasse da conquista, colonização e fundação de cidades. Em síntese: a Coroa distribui honra em troca de serviço prestado ao projeto colonial.

Subpasso 4.2 — Relacione a concessão de títulos ao fortalecimento do poder régio

O comando pergunta qual efeito político essa prática produzia sobre o "fortalecimento do seu poder" na América. A Espanha não dispunha de exército permanente nem de burocracia suficiente para controlar sozinha um território tão vasto e distante; precisava, portanto, de colaboradores locais comprometidos com a manutenção da ordem colonial. O título nobiliárquico era uma moeda de troca barata para os cofres reais e, ao mesmo tempo, simbolicamente poderosa: quem recebia a mercê tornava-se devedor de honra ao rei, e essa dívida se traduzia em fidelidade política duradoura, muitas vezes transmitida à descendência junto com o próprio título.

Subpasso 4.3 — Verificação

Ao contrastar essa lógica com as cinco alternativas, nenhuma delas menciona "restrição a comerciantes", "reorganização de tropas", "reconhecimento de opositores" ou "atuação de magistrados" como o núcleo do que o texto descreve. O texto fala, do início ao fim, em reconhecimento, recompensa e vínculo pessoal com o soberano — vocabulário que converge diretamente para "fortalecer a lealdade dos súditos". A alternativa correta é a E.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) restringir os privilégios dos comerciantes.

❌ Incorreta: o texto afirma que "a compra de cargos e títulos fosse bem difundida na América", ou seja, o acesso a distinções sociais — inclusive por via financeira — era amplo, não restrito a nenhum grupo. Nada no trecho sugere exclusão de comerciantes; a lógica das mercês é inclusiva de diferentes grupos capazes de prestar serviço ou de custear sua ascensão social.

B) reestruturar a organização das tropas.

❌ Incorreta: o serviço militar aparece apenas como uma entre várias causas possíveis para a concessão de um título ("com menor incidência, esta mercê régia também podia ser remuneração de serviços militares"), não como uma política de reforma estrutural das forças armadas. Confundir a recompensa individual com uma reorganização institucional das tropas é o erro típico desta alternativa.

C) reconhecer os opositores do regime.

❌ Incorreta: é o oposto do que o texto descreve. A mercê régia premiava fidelidade e serviço — "feitos na conquista, colonização e fundação de cidades" —, atos que sustentavam o domínio espanhol. Premiar opositores contradiria a própria lógica de recompensar quem serve à Coroa, e não quem a combate.

D) facilitar a atuação dos magistrados.

❌ Incorreta: os magistrados (letrados, oidores) formavam categoria à parte da administração colonial, ligada à Justiça, e o texto não trata de facilitar seu trabalho burocrático. A concessão de títulos a vice-reis, capitães-gerais e conquistadores tem propósito distinto: reconhecimento honorífico e vinculação política, não instrumentalização da magistratura.

E) fortalecer a lealdade dos súditos.

✅ Correta: toda a lógica textual — títulos concedidos por "qualidades e serviços", oferecidos como "remuneração" de feitos de conquista, colonização e fundação de cidades — converge para a criação e a manutenção de vínculos de fidelidade entre os agraciados e a Coroa. É exatamente esse mecanismo de reciprocidade (serviço trocado por honra) que sustentava o poder régio a distância, marca registrada do Antigo Regime ibérico na América.

🏆 Gabarito: E — as concessões de títulos de nobreza funcionavam como moeda simbólica trocada por serviço, fidelidade e lealdade, fortalecendo o vínculo político entre os súditos coloniais e a Coroa espanhola.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa E traduz o mecanismo central descrito no texto — a mercê régia como instrumento de fidelização política —, e não uma medida restritiva, uma reforma militar, um gesto de reconciliação com opositores ou uma providência administrativa.
  • Padrão de cobrança: o ENEM explora com regularidade o funcionamento do Antigo Regime ibérico (Portugal e Espanha) na América: sistema de mercês, hierarquias de honra, cargos vendáveis ou concedidos, e o modo como esses mecanismos sustentavam impérios sem burocracia moderna nem exércitos permanentes suficientes.
  • Generalização: sempre que um texto de história colonial mencionar "recompensa", "concessão", "mercê" ou "título" trocados por "serviços prestados ao rei/à Coroa", a resposta correta tende a apontar para o fortalecimento de vínculos de lealdade — não para medidas administrativas, militares ou punitivas que o texto não desenvolveu.
  • Dica de eliminação rápida: descarte de imediato qualquer alternativa que cite um grupo ou instituição que não seja o foco direto da ação narrada (aqui, "magistrados" e "reorganização de tropas" não são o assunto do texto) e qualquer alternativa que inverta a lógica de recompensa por punição ou exclusão (como "restringir" e "opositores").
  • Conexões: Antigo Regime nos trópicos; economia da dádiva e reciprocidade; nobreza da terra; sistema de capitanias e cargos vendáveis na América portuguesa.

Comunidade Memorize · Grátis

Não perca nenhuma live, aula ou material.

Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.