Mapa de questões · 2º dia
Questão 97 — ENEM 2020 PPLCaderno azul · 2º Dia
Em um grupo de roedores, a presença de um gene dominante (A) determina indivíduos com pelagem na cor amarela. Entretanto, em homozigose é letal, ou seja, provoca a morte dos indivíduos no útero. Já o alelo recessivo (a) não é letal e determina a presença de pelos pretos. Com base nessas informações, considere o heredograma:

Qual é a probabilidade de, na próxima ninhada do casal de roedores que está representado na figura pelos números 7 e 8, nascer uma fêmea de pelagem amarela (representada pelo número 11)?
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Genética Mendeliana, heredogramas e alelos letais
- ⚡ Nível: Difícil — exige combinar leitura de heredograma, dedução de genótipos e correção da proporção mendeliana por causa da letalidade em homozigose
- 🎯 Tema/Habilidade: Herança autossômica com alelo letal dominante; interpretação de heredogramas e cálculo de probabilidades genéticas (competência de Ciências da Natureza)
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Cruzando o casal 7 e 8, qual fração dos filhotes que efetivamente nascerão terá o fenótipo do indivíduo 11 (pelagem amarela)?"
- Palavras-chave decisivas: letal em homozigose, casal 7 e 8, próxima ninhada
- Armadilha típica: aplicar direto a proporção mendeliana clássica 3:1 (dominante:recessivo) sem descontar os embriões AA que morrem antes de nascer, ou recalcular a proporção certa (2:1) e depois, por engano, multiplicá-la de novo por 1/2 "para o sexo", como se a cor da pelagem dependesse do sexo do animal.
- O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato sabe (1) deduzir os genótipos de 7 e 8 a partir dos pais, (2) montar o cruzamento Aa × Aa, (3) eliminar a classe letal AA e recalcular a proporção entre os nascidos vivos.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Herança com dominância e alelo letal: o alelo A é dominante para a cor amarela, mas o genótipo homozigoto AA é letal e provoca morte intrauterina — ou seja, nenhum indivíduo AA chega a nascer.
- Genótipo obrigatório dos amarelos: como AA nunca sobrevive, todo animal amarelo vivo é necessariamente heterozigoto Aa. Já todo animal preto é homozigoto recessivo aa (genótipo viável).
- Proporção 2:1 (padrão clássico de gene letal): um cruzamento Aa × Aa gera, na concepção, 1 AA : 2 Aa : 1 aa. Como 1/4 (os AA) morre no útero, a proporção observada entre os nascidos vivos se reajusta para 2 Aa (amarelo) : 1 aa (preto), ou seja, 2/3 de amarelos e 1/3 de pretos.
- Independência entre cor e sexo: o gene da pelagem é autossômico, não está ligado aos cromossomos sexuais. Isso significa que a proporção 2:1 entre amarelo e preto vale igualmente entre os machos e entre as fêmeas nascidas — o sexo não "filtra" nem altera essa razão de cores.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "a presença de um gene dominante (A) [...] em homozigose é letal" → sinaliza que o quadro clássico de Mendel (AA, Aa, aa na proporção 1:2:1) precisa ser corrigido, pois uma dessas classes genotípicas nunca chega a nascer.
- Evidência 2: heredograma mostra 5, 6 e 7 (filhos de 1 × 2) e 8, 9, 10 (filhos de 3 × 4) todos compatíveis com um cruzamento Aa (amarelo) × aa (preto) → confirma que os progenitores amarelos da geração dos avós (1 e 3) são heterozigotos, pois amarelo homozigoto não sobrevive para gerar prole.
- Evidência 3: 7 é amarelo (macho) e 8 é amarela (fêmea), ambos oriundos de cruzamentos Aa × aa → garante que 7 e 8 são, cada um, obrigatoriamente Aa — não há outra possibilidade genotípica compatível com serem amarelos vivos.
- Síntese: o cruzamento que interessa é 7 (Aa) × 8 (Aa); a resposta depende de aplicar corretamente a segregação mendeliana e, em seguida, remover a classe letal AA do total de nascidos.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Determinar os genótipos de 7 e 8
- Casal 1 (amarelo) × 2 (preta): como todo amarelo vivo é Aa, o cruzamento real é Aa × aa. Esse cruzamento produz 1/2 Aa (amarelo) e 1/2 aa (preto) — coerente com 5 e 6 amarelas e 7 amarelo entre os descendentes observados. Logo, 7 é Aa.
- Casal 3 (amarelo) × 4 (preta): mesmo raciocínio, Aa × aa. Produz 1/2 Aa (amarelo) e 1/2 aa (preto) — coerente com 8 amarela, 9 e 10 pretos. Logo, 8 é Aa.
Subpasso 4.2 — Montar o cruzamento do casal-alvo (7 × 8) e aplicar a correção da letalidade
O cruzamento é Aa × Aa. No quadro de possibilidades de fecundação (antes de qualquer morte):
| Gametas | A | a |
|---|---|---|
| A | AA | Aa |
| a | Aa | aa |
Proporção na concepção: 1/4 AA : 2/4 Aa : 1/4 aa.
Como AA é letal em homozigose, esses embriões morrem no útero e nunca nascem — precisam ser retirados do grupo que conta como "ninhada nascida". Sobra 3/4 do total original como filhotes viáveis, distribuídos em 2/4 Aa e 1/4 aa. Renormalizando sobre os sobreviventes:
P(Aa, amarelo) = (2/4) ÷ (3/4) = 2/3
P(aa, preto) = (1/4) ÷ (3/4) = 1/3
Esse é o clássico padrão 2:1 dos genes dominantes letais, no lugar do 3:1 mendeliano "ingênuo".
Subpasso 4.3 — Verificação (entrando com o sexo)
Como a cor da pelagem é determinada por um gene autossômico, a proporção 2:1 vale igualmente entre machos e fêmeas nascidos — o sexo é sorteado de forma independente e não altera a fração de amarelos. Assim, tomando qualquer filhote nascido (macho ou fêmea, como o 11), a probabilidade de ele apresentar a pelagem amarela — o traço que caracteriza o indivíduo 11 no heredograma — é exatamente 2/3 (≈ 66%). Esse valor bate com a alternativa D e é o único que reflete corretamente a correção pela letalidade do genótipo AA.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) 1/4 (25%)
❌ Incorreta: corresponde à fração de embriões AA concebidos (os que morrem), não à fração de nascidos amarelos. Confunde a classe letal com a classe de interesse.
B) 1/3 (33%)
❌ Incorreta: é o resultado de multiplicar erradamente a proporção correta de amarelos entre os nascidos (2/3) por 1/2, como se a cor dependesse do sexo. Como o gene é autossômico e independente do sexo, essa multiplicação extra não deveria ser feita para obter a fração de amarelos entre os nascidos — 1/3 é, na verdade, a proporção de pretos (aa) entre os sobreviventes, não de amarelos.
C) 1/2 (50%)
❌ Incorreta: reproduz ingenuamente a ideia de "50% para cada fenótipo", como se fosse um sorteio simples entre duas opções, ignorando completamente a segregação mendeliana 1:2:1 e o efeito da letalidade sobre essa proporção.
D) 2/3 (66%)
✅ Correta: é exatamente a proporção de indivíduos Aa (amarelos) entre os filhotes que sobrevivem ao cruzamento Aa × Aa, depois de excluir a classe letal AA (1/4 do total concebido) e renormalizar os 3/4 restantes. Como a cor não depende do sexo, essa é a probabilidade de nascer um filhote amarelo — o fenótipo de 11.
E) 3/4 (75%)
❌ Incorreta: é a proporção mendeliana "ingênua" de fenótipo dominante (AA + Aa) sobre o total concebido, aplicada como se nenhum genótipo fosse letal. Ignora que a classe AA nunca chega a nascer, então 3/4 não representa a realidade dos filhotes efetivamente vivos.
🏆 Gabarito: D — descontados os embriões AA (letais), a proporção entre os filhotes nascidos do cruzamento Aa × Aa se reajusta de 1:2:1 para 2:1 (amarelo:preto), resultando em 2/3 de probabilidade de nascer um filhote amarelo, como o indivíduo 11.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a letra D reflete corretamente o ajuste da proporção mendeliana após a remoção da classe genotípica letal (AA), que morre no útero e nunca compõe a ninhada nascida.
- Padrão de cobrança: o ENEM gosta de testar genes letais dominantes (como o clássico "camundongo amarelo") justamente porque eles quebram a expectativa da proporção 3:1, exigindo que o candidato refaça a conta considerando apenas os genótipos viáveis.
- Generalização: sempre que um alelo for letal em determinada condição (homozigose dominante ou recessiva), remova essa classe do quadro de Punnett antes de calcular qualquer probabilidade e renormalize as frações restantes para que somem 1 (ou 100%).
- Dica de eliminação rápida: se uma alternativa reproduzir exatamente 1/4, 1/2 ou 3/4 — os valores "puros" de um cruzamento mendeliano comum — desconfie: a presença explícita de um alelo letal no enunciado quase sempre exige um recálculo que produz frações "quebradas" como 2/3 ou 1/3.
- Conexões: compare com outros casos clássicos de alelos letais (camundongos amarelos, gatos Manx) e com problemas de heredograma que exigem primeiro deduzir genótipos ocultos dos ascendentes antes de calcular a probabilidade pedida.
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