Mapa de questões · 2º dia
Questão 115 — ENEM 2020 PPLCaderno azul · 2º Dia
Um cidadão que se mudou de Brasília para Recife, após algum tempo, percebeu que partes de seu carro estavam enferrujando muito rapidamente. Perguntou para seu filho, estudante do ensino médio, a explicação para o fenômeno. O filho pesquisou na internet e descobriu que, por causa da maresia, gotículas de água do mar atingem os objetos de aço (liga de ferro e carbono) e intensificam sua corrosão. Com base nessa informação, o estudante explicou corretamente ao pai o efeito do cloreto de sódio na corrosão.
A explicação correta de a maresia acelerar a corrosão do aço é porque
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Química → Eletroquímica (corrosão de metais e condução iônica em soluções)
- ⚡ Nível: Fácil — exige apenas relacionar a presença de íons dissolvidos com o aumento da condutividade elétrica da água, sem cálculos
- 🎯 Tema/Habilidade: Corrosão eletroquímica do ferro/aço e o papel do eletrólito na velocidade da reação (competência de área ligada à compreensão de processos químicos do cotidiano, como enferrujamento de metais)
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Explique, em termos químicos, por que a maresia (água do mar com sal dissolvido) acelera a corrosão do aço."
- Palavras-chave decisivas: maresia, cloreto de sódio, intensificam sua corrosão
- Armadilha típica: confundir corrosão com um simples ataque químico direto do sal sobre o ferro (como se o NaCl "comesse" o metal), ou achar que o sal reage quimicamente com o carbono do aço — nenhuma das duas coisas é o mecanismo real.
- O que a resposta precisa demonstrar: entender que a corrosão do aço é um processo eletroquímico (uma pilha em miniatura na superfície do metal) e que qualquer fator que aumente a condutividade elétrica do meio aquoso acelera esse processo, permitindo maior fluxo de elétrons entre as regiões anódica e catódica.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Corrosão do ferro/aço: é um processo eletroquímico espontâneo em que o ferro metálico (Fe⁰) se oxida a Fe²⁺ (perdendo elétrons) em uma região da superfície (ânodo), enquanto, em outra região próxima (cátodo), o oxigênio dissolvido na água é reduzido, consumindo esses elétrons. O ferrugem (óxido/hidróxido de ferro hidratado) se forma a partir dos produtos dessa reação.
- Pilha de corrosão (célula eletroquímica local): para a corrosão acontecer de forma contínua, os elétrons liberados no ânodo precisam viajar pelo próprio metal até o cátodo, e os íons precisam se mover pela solução aquosa que cobre a peça — essa solução funciona como o eletrólito da pilha, fechando o circuito.
- Eletrólito e condutividade iônica: um eletrólito é uma substância que, dissolvida em água, libera íons livres capazes de conduzir corrente elétrica. Quanto maior a concentração de íons dissolvidos, maior a condutividade elétrica da solução e mais rápido o circuito da pilha de corrosão se completa.
- Cloreto de sódio (NaCl) como eletrólito forte: ao se dissolver em água, o NaCl se dissocia totalmente em Na⁺ e Cl⁻. Esses íons não participam diretamente das semirreações de oxidação do ferro ou de redução do oxigênio, mas tornam a água que reveste o metal muito mais condutora, funcionando como uma "autoestrada" para o transporte de carga entre as regiões anódicas e catódicas.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "gotículas de água do mar atingem os objetos de aço (liga de ferro e carbono) e intensificam sua corrosão" → revela que o efeito da maresia é um agravamento da corrosão já existente, não a criação de um novo tipo de ataque químico; o sal atua como catalisador do processo eletroquímico normal do ferro.
- Evidência 2: "efeito do cloreto de sódio na corrosão" → direciona o raciocínio para o papel específico do sal (NaCl) dissolvido na água, e não para o papel do próprio oxigênio ou da umidade isoladamente — a questão quer a função química do sal.
- Síntese: juntando as duas evidências, a explicação correta precisa mostrar como o NaCl, ao se dissolver na água que cobre o aço, modifica uma propriedade física-química da solução (a condutividade) de modo a acelerar o transporte de elétrons/íons na pilha de corrosão — e não descrever uma reação direta do sal com o ferro ou com o carbono.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o mecanismo da corrosão do aço
O aço é uma liga de ferro e carbono. Em contato com água e oxigênio do ar, o ferro sofre oxidação espontânea:
Semirreação anódica (oxidação): Fe(s) → Fe²⁺(aq) + 2e⁻
Semirreação catódica (redução do oxigênio, em meio neutro/aquoso): O₂(g) + 2H₂O(l) + 4e⁻ → 4OH⁻(aq)
Os elétrons liberados no ânodo percorrem o próprio metal até a região catódica, e os íons formados se movem através da película de água que recobre a superfície do aço. O produto final, após reações posteriores do Fe²⁺ com O₂ e água, é a ferrugem (óxido de ferro(III) hidratado, Fe₂O₃·xH₂O).
Subpasso 4.2 — Entender o papel do cloreto de sódio nesse circuito
Para que a pilha de corrosão funcione continuamente, a solução aquosa sobre o metal precisa conduzir corrente elétrica, transportando íons entre o ânodo e o cátodo. Água pura é uma condutora relativamente fraca, pois tem poucos íons livres. Quando gotículas de maresia (água do mar rica em NaCl) atingem o aço, o sal se dissolve e se dissocia:
NaCl(aq) → Na⁺(aq) + Cl⁻(aq)
Esses íons Na⁺ e Cl⁻ aumentam fortemente a concentração de cargas livres na água que reveste o metal, tornando essa água muito mais condutora eletricamente. Com um eletrólito mais condutor, o circuito da pilha de corrosão se fecha com muito mais eficiência: o fluxo de elétrons do ânodo para o cátodo (pelo metal) e o fluxo de íons pela solução acontecem mais rapidamente, o que acelera as duas semirreações e, portanto, acelera a corrosão como um todo.
Subpasso 4.3 — Verificação
Note que o Na⁺ e o Cl⁻ não entram nas equações de oxidação do ferro nem de redução do oxigênio — eles não "reagem" quimicamente com o aço. O efeito é físico-químico: aumentam a condutividade iônica do meio. Isso bate exatamente com a alternativa que fala em tornar a água mais condutora, confirmando que o caminho de raciocínio eletroquímico é o correto e eliminando qualquer alternativa que descreva reação direta do sal com o ferro, o carbono ou a tinta do carro.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) reduz o ferro.
❌ Incorreta: o processo de corrosão faz exatamente o contrário — o ferro metálico (Fe⁰) sofre oxidação, perdendo elétrons e se transformando em Fe²⁺ (e depois Fe³⁺ na ferrugem). Não há redução do ferro na corrosão; é a redução do oxigênio que ocorre no cátodo, não do ferro. Além disso, o cloreto de sódio não é um agente redutor do ferro.
B) oxida o carbono.
❌ Incorreta: o carbono presente no aço (formando carbonetos e microestruturas na liga) não é o elemento que sofre a reação eletroquímica de corrosão; quem se oxida é o ferro. O carbono, na verdade, tem papel indireto ao formar microrregiões que favorecem pilhas galvânicas locais no aço, mas o cloreto de sódio não atua oxidando o carbono — essa afirmação inventa um mecanismo que não corresponde à química descrita no texto.
C) dissolve a pintura do carro.
❌ Incorreta: mesmo que a perda de pintura exponha o metal e facilite o contato com a umidade, o enunciado é claro ao afirmar que a maresia atinge diretamente "os objetos de aço", e a pergunta trata do efeito químico do NaCl na corrosão em si, não de um efeito mecânico/físico de remoção de revestimento. O cloreto de sódio não é solvente de tintas automotivas.
D) torna a água mais condutora.
✅ Correta: o cloreto de sódio dissolvido na água da maresia se dissocia em íons Na⁺ e Cl⁻, que aumentam a condutividade elétrica da solução aquosa sobre o aço. Essa maior condutividade acelera o transporte de elétrons e íons na pilha eletroquímica de corrosão (entre as regiões anódica e catódica), intensificando a velocidade das reações de oxidação do ferro e redução do oxigênio — exatamente o mecanismo que explica a corrosão acelerada pela maresia.
E) diminui a dissolução do oxigênio na água.
❌ Incorreta: na realidade, íons dissolvidos costumam ter pouco efeito relevante para o mecanismo aqui discutido, mas mesmo que a solubilidade do O₂ diminuísse ligeiramente pela presença de sal ("efeito salting-out"), isso tornaria a corrosão mais lenta, e não mais rápida, já que o oxigênio é reagente essencial na semirreação catódica. Essa alternativa contraria o sentido do fenômeno descrito no enunciado (intensificação da corrosão).
🏆 Gabarito: D — o cloreto de sódio da maresia se dissocia em íons que tornam a água sobre o aço mais condutora, acelerando o transporte de elétrons e íons na pilha eletroquímica responsável pela corrosão do ferro.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa D descreve corretamente o papel do NaCl como eletrólito que aumenta a condutividade da água, mecanismo que efetivamente acelera a pilha de corrosão do aço; todas as demais alternativas descrevem reações ou efeitos que não correspondem à química real do processo.
- Padrão de cobrança: o ENEM gosta de trazer situações do cotidiano (carros enferrujando perto do mar, tanques, estruturas metálicas em regiões litorâneas) para cobrar o conceito de corrosão eletroquímica e o papel de eletrólitos como o NaCl na aceleração desse processo.
- Generalização: sempre que uma questão envolver "sal acelerando ferrugem" ou "ambientes litorâneos corroendo metais mais rápido", pense em eletroquímica: o sal não reage diretamente com o metal, ele torna o meio mais condutor e facilita o fluxo de elétrons/íons da pilha de corrosão.
- Dica de eliminação rápida: descarte de cara qualquer alternativa que proponha uma reação direta e específica do sal com um elemento da liga (como "oxida o carbono" ou "reduz o ferro") — corrosão por maresia é fenômeno físico-químico de condutividade, não reação química direta do NaCl com o metal.
- Conexões: revise também pilhas galvânicas e proteção catódica (uso de "metal de sacrifício", como zinco em ferro galvanizado) e o papel de eletrólitos em baterias — são temas que compartilham a mesma lógica de transporte de carga em solução.
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