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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaQuímicaMédio

Questão 130ENEM 2020 PPLCaderno azul · 2º Dia

As tintas anti-incrustantes impedem que qualquer forma de vida se incruste às superfícies submersas de embarcações no mar. Essas tintas, a partir da década de 1960, apresentavam em sua formulação o composto tributilestanho (TBT), uma das substâncias mais tóxicas produzidas pelo homem, que se acumula na cadeia alimentar, afetando principalmente os moluscos. No quadro estão apresentadas cinco cadeias alimentares contendo moluscos. Considere que a concentração de TBT no início da cadeia é a mesma.

Espera-se encontrar maior concentração de TBT no molusco da cadeia

Alternativas

Resolução

📋 Ficha da questão

  • Matéria: Química → compostos organometálicos → bioacumulação e magnificação trófica do TBT
  • Habilidade: H14 — identificar padrões em processos vitais, reconhecendo neles etapas e fluxos de matéria ao longo da cadeia alimentar
  • Nível: Médio — o conceito é simples, mas o quadro traz cinco cadeias parecidas e o molusco muda de posição em cada uma; errar a contagem custa a questão
  • Gabarito: revelado no Passo 4

🔎 Passo 1 — Leitura estratégica do comando

  • O comando, em uma linha: em qual das cinco cadeias o molusco vai acumular mais TBT.
  • Palavras-chave decisivas: se acumula na cadeia alimentar, afetando principalmente os moluscos, a concentração de TBT no início da cadeia é a mesma.
  • A armadilha: procurar a cadeia mais longa ou a que tem o predador mais impressionante. Todas as cinco cadeias têm exatamente seis elos, e o tubarão da cadeia 3 chama atenção sem ser molusco. A pergunta não é sobre o topo da cadeia — é sobre o molusco de cada cadeia.
  • O que a resposta precisa mostrar: que você localiza o molusco em cada linha do quadro, conta em que nível trófico ele está e escolhe o mais alto.

📚 Passo 2 — Revisão do conteúdo

  • TBT (tributilestanho): composto organometálico, ou seja, uma molécula em que um átomo de estanho está ligado diretamente a três cadeias carbônicas de quatro carbonos, os grupos butila. Essas cadeias tornam a molécula apolar e lipossolúvel, e é justamente essa característica que a faz ficar retida na gordura dos animais em vez de ser eliminada na urina.
  • Bioacumulação: acúmulo progressivo de uma substância dentro de um mesmo organismo ao longo da vida. Acontece quando a taxa de absorção supera a de excreção e de metabolização. Substância lipossolúvel e quimicamente estável, como o TBT, é o caso típico.
  • Magnificação trófica (biomagnificação): aumento da concentração da substância a cada nível trófico da cadeia. O mecanismo é aritmético: um predador precisa comer muitos indivíduos do nível anterior para se manter, e recolhe o contaminante acumulado em todos eles. A concentração sobe elo a elo.
  • Nível trófico: a posição do organismo na cadeia. Produtor é o primeiro; consumidor primário, o segundo; e assim por diante. Contar o nível é contar as setas desde o começo da linha.
  • Molusco: animal invertebrado de corpo mole, geralmente com concha ou com resquício dela. Entram aqui mexilhão e ostra (bivalves), caracol marinho (gastrópode) e lula e polvo (cefalópodes). Não são moluscos: estrela-do-mar e larva de equinodermo (equinodermos), lagosta, camarão, caranguejo e microcrustáceo (crustáceos), anêmona-do-mar e hidromedusa (cnidários), esponja (poríferos).
  • Produtor: organismo autótrofo que inicia a cadeia. Nas cinco linhas do quadro, esse papel é da alga ou da cianobactéria, e é sobre esse primeiro elo que incide a informação de concentração inicial igual.

🧭 Passo 3 — Decodificação do enunciado

  • Evidência 1: "Considere que a concentração de TBT no início da cadeia é a mesma" → todas as cinco cadeias partem do mesmo ponto. A única variável que resta é quantos níveis o contaminante percorre até chegar ao molusco.
  • Evidência 2: cadeia 1 — alga → mexilhão → estrela-do-mar → lagosta → peixe menor → peixe maior → o mexilhão é o 2º elo, consumidor primário. O TBT passou por uma única transferência.
  • Evidência 3: cadeia 2 — alga → microcrustáceo → anêmona-do-mar → caracol marinho → caranguejo → ave aquática → o caracol é o 4º elo.
  • Evidência 4: cadeia 3 — alga → hidromedusa → ostra → estrela-do-mar → peixe → tubarão → a ostra é o 3º elo. O tubarão está no topo, mas não é molusco e não responde à pergunta.
  • Evidência 5: cadeia 4 — cianobactéria → larva de equinodermo → camarão → lagosta → lula → homem → a lula é o 5º elo.
  • Evidência 6: cadeia 5 — cianobactéria → protozoário → esponja → estrela-do-mar → peixe → polvo → o polvo é o 6º elo, o último de sua cadeia.
  • Síntese: as cinco cadeias têm o mesmo comprimento, seis elos, e a mesma concentração inicial. O molusco muda de posição: 2º, 4º, 3º, 5º e 6º elo, respectivamente. A comparação é direta.

🧠 Passo 4 — Resolução passo a passo

4.1 — Entender por que a concentração sobe a cada elo

Imagine um número qualquer para ilustrar o mecanismo. Suponha que a cada transferência a concentração no tecido do consumidor fique cerca de dez vezes maior que a do alimento, porque ele come muitas presas e retém o TBT de todas elas. Partindo de 1 unidade no produtor:

  • 1º elo, produtor: 1
  • 2º elo: 10
  • 3º elo: 100
  • 4º elo: 1 000
  • 5º elo: 10 000
  • 6º elo: 100 000

O fator exato não importa e não é dado pelo enunciado. O que importa é a direção: a concentração cresce a cada nível, sempre. Logo, o molusco mais contaminado é o que estiver no nível trófico mais alto.

4.2 — Localizar o molusco em cada linha do quadro

  • Cadeia 1: mexilhão, 2º elo
  • Cadeia 2: caracol marinho, 4º elo
  • Cadeia 3: ostra, 3º elo
  • Cadeia 4: lula, 5º elo
  • Cadeia 5: polvo, 6º elo

Vale conferir que nenhuma linha tem dois moluscos, e nenhuma fica sem molusco. Cada cadeia tem exatamente um, como o enunciado antecipa ao dizer que o quadro apresenta "cinco cadeias alimentares contendo moluscos".

4.3 — Ordenar e escolher

Do menos para o mais contaminado: cadeia 1 (2º elo) → cadeia 3 (3º) → cadeia 2 (4º) → cadeia 4 (5º) → cadeia 5 (6º).

O polvo da cadeia 5 é o único molusco que ocupa o último elo da própria cadeia. Ele recebe o TBT acumulado por todos os cinco níveis anteriores.

4.4 — Verificação

As três condições que a resposta precisa satisfazer: o organismo tem de ser molusco, tem de estar na cadeia com concentração inicial igual às demais (todas estão) e tem de ocupar o nível trófico mais alto entre os moluscos do quadro. O polvo cumpre as três, e nenhum outro molusco chega ao 6º elo. Gabarito: E.

✅❌ Passo 5 — Análise das alternativas

(A) 1 — O molusco desta cadeia é o mexilhão, que ocupa o 2º elo, logo depois da alga. É a posição mais baixa entre todos os moluscos do quadro: o TBT sofreu uma única transferência antes de chegar a ele. A cadeia continua por mais quatro níveis — estrela-do-mar, lagosta, peixe menor e peixe maior —, mas essa continuação não interessa, porque nenhum desses organismos é molusco. Cadeia longa não significa molusco contaminado.

(B) 2 — O caracol marinho está no 4º elo, o que já é uma posição intermediária alta e faz desta a terceira colocada. Mas ainda há dois moluscos acima dele no quadro. O erro típico aqui é parar de contar na primeira cadeia que traz um molusco em posição elevada, sem verificar as duas últimas linhas.

(C) 3 — A ostra ocupa o 3º elo, atrás do caracol, da lula e do polvo. Esta cadeia atrai o olhar porque termina em tubarão, o predador de topo mais imponente do quadro, e o aluno associa topo de cadeia a maior contaminação. A associação está certa em geral — mas o tubarão é peixe cartilaginoso, não molusco, e a pergunta é explícita ao pedir a concentração "no molusco da cadeia".

(D) 4 — A lula está no 5º elo, atrás apenas do polvo. É o distrator mais forte de todos, e por dois motivos: a posição é realmente alta e a cadeia termina no homem, o que reforça a impressão de contaminação máxima. Só que o homem, como o tubarão, não é molusco. Entre os moluscos, a lula perde para o polvo por exatamente um nível trófico.

(E) 5 — O polvo é o 6º e último elo da cadeia cianobactéria → protozoário → esponja → estrela-do-mar → peixe → polvo. Como todas as cadeias partem da mesma concentração inicial e a magnificação trófica multiplica o TBT a cada transferência, o molusco que passou por cinco transferências é o mais contaminado do quadro. É também o único molusco que é predador de topo na própria cadeia.

Gabarito: E — o polvo ocupa o nível trófico mais alto entre os cinco moluscos do quadro, e por isso concentra o TBT acumulado ao longo de todos os elos anteriores.

🏁 Passo 6 — Generalização e dica de prova

  • Por que só E se sustenta: as outras quatro trazem moluscos em níveis inferiores — 2º, 4º, 3º e 5º elos. Com comprimento de cadeia e concentração inicial iguais, a posição do molusco é o único critério, e nela o polvo vence sozinho.
  • Como o ENEM cobra isso: magnificação trófica é tema recorrente, quase sempre com um contaminante lipossolúvel e persistente — mercúrio em Minamata, DDT, bifenilas policloradas, TBT. Muda a substância, o raciocínio é sempre contar níveis tróficos.
  • A regra geral: substância apolar, lipossolúvel e que o organismo não consegue metabolizar sobe de concentração a cada elo. Se o enunciado igualar a concentração inicial, a resposta é sempre o organismo pedido que estiver no nível mais alto — nunca o topo da cadeia, se o topo não for o organismo pedido.
  • Eliminação em 30 segundos: grife o molusco em cada linha do quadro antes de olhar as alternativas e escreva ao lado o número de setas até ele. Isso transforma a questão numa comparação de cinco números e neutraliza os chamarizes do tubarão e do homem.
  • Temas que costumam vir junto: cadeias e teias alimentares, pirâmides ecológicas de energia e de biomassa, poluentes orgânicos persistentes, lipossolubilidade e polaridade das moléculas, e o papel de bivalves filtradores como bioindicadores.

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