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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaMédio

Questão 123ENEM 2020 PPLCaderno azul · 2º Dia

Os impactos ambientais das usinas hidrelétricas são motivo de polêmica nas discussões sobre desenvolvimento sustentável. Embora usualmente relacionadas ao conceito de “energia limpa” ou associadas à ideia de “sustentabilidade”, essas usinas podem causar vários problemas ambientais. Destaca-se a proliferação de determinadas espécies aquáticas em relação a outras, ocasionando a perda de diversidade das comunidades de peixes (ictiofauna) do local.

Disponível em: http://ciencia.hsw.com.br. Acesso em: 25 mar. 2013 (adaptado).

Em um primeiro momento, as mudanças na composição dessas comunidades devem-se

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Ecologia de ecossistemas aquáticos e impactos ambientais de hidrelétricas
  • ⚡ Nível: Médio — exige distinguir causa imediata (estrutural) de causas secundárias (químicas), o que confunde quem não domina o conceito de ambiente lótico × lêntico
  • 🎯 Tema/Habilidade: Impacto da ação humana sobre ecossistemas e biodiversidade (Competência de Área 4 — compreender transformações ambientais decorrentes de atividades humanas)
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual é a causa inicial e mais imediata da mudança na composição das comunidades de peixes após a construção de uma hidrelétrica?"
  • Palavras-chave decisivas: "em um primeiro momento", "proliferação de determinadas espécies... em relação a outras", "perda de diversidade"
  • Armadilha típica: o candidato associa "impacto ambiental de usina" automaticamente a poluição química ou a gases de efeito estufa (temas muito badalados em provas de sustentabilidade) e ignora que a pergunta pede o efeito inicial e estrutural, não um efeito químico ou atmosférico secundário.
  • O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que a barragem transforma fisicamente o ambiente — de um rio de águas correntes (lótico) para um reservatório de águas paradas (lêntico) — e que essa mudança de hábitat é o gatilho imediato da seleção de espécies.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Ambiente lótico: trecho de água corrente (rios, córregos), com alta oxigenação, correnteza e substrato removido pela força da água. Peixes adaptados a ele (reofílicos) precisam nadar contra a corrente para se reproduzir, como no fenômeno da piracema.
  • Ambiente lêntico: corpo de água parada ou de baixo fluxo (lagos, represas, reservatórios), com menor oxigenação nas camadas profundas, sedimentação e estratificação térmica. Favorece espécies generalistas, tolerantes a baixa correnteza e, muitas vezes, exóticas ou invasoras.
  • Barramento do rio: ato físico de construir a barragem, que interrompe o fluxo natural, inunda a área a montante e fragmenta o curso d'água, bloqueando rotas migratórias e alterando instantaneamente as condições físicas do hábitat.
  • Perda de diversidade da ictiofauna: ocorre porque espécies especialistas de ambiente lótico não sobrevivem ou não se reproduzem no novo cenário lêntico, enquanto espécies generalistas se proliferam sem essa concorrência — um clássico processo de seleção ambiental por alteração de hábitat.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "proliferação de determinadas espécies aquáticas em relação a outras" → indica seleção diferencial: algumas espécies se beneficiam, outras são prejudicadas — efeito típico de mudança nas condições físicas do ambiente, não de contaminação química generalizada (que tende a prejudicar a maioria das espécies, não a favorecer algumas).
  • Evidência 2: "perda de diversidade das comunidades de peixes (ictiofauna) do local" → mostra que o desequilíbrio é ecológico-estrutural (dominância de poucas espécies), reforçando a ideia de mudança de hábitat como filtro seletivo.
  • Evidência 3: "Em um primeiro momento" → palavra-chave temporal que direciona para a causa mais imediata e direta da represa, descartando processos graduais como decomposição de matéria orgânica submersa ou acúmulo de gases, que se desenvolvem ao longo do tempo, após o barramento já ter ocorrido.
  • Síntese: o enunciado pede a causa-raiz e imediata da mudança na comunidade de peixes. A construção física da barragem já basta para transformar o rio em reservatório, alterando o hábitat instantaneamente — antes mesmo de qualquer processo químico ou de decomposição se estabelecer.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Entender o que acontece fisicamente quando uma barragem é construída

Ao represar um rio, a água que antes corria livremente (ambiente lótico) passa a se acumular formando um grande reservatório de água parada ou de fluxo muito reduzido (ambiente lêntico). Essa mudança não é gradual: ela ocorre assim que a barragem fecha o curso do rio e o nível de água sobe, inundando a área a montante. É, portanto, uma alteração imediata e estrutural do hábitat.

Subpasso 4.2 — Relacionar a mudança de hábitat à seleção de espécies

Muitas espécies de peixes nativos de rios brasileiros são reofílicas, ou seja, dependem de água corrente e oxigenada para viver e, principalmente, para se reproduzir (migração reprodutiva, como a piracema, exige trechos de corredeira). Com o barramento, essas espécies perdem o hábitat de que precisam e sua rota migratória é bloqueada pela própria estrutura da barragem. Em contrapartida, espécies mais generalistas — adaptadas a águas paradas, muitas vezes exóticas introduzidas para piscicultura — encontram no novo reservatório condições favoráveis e se proliferam sem a pressão de competidores especializados. É exatamente esse desequilíbrio que gera a "proliferação de determinadas espécies em relação a outras" citada no enunciado.

Subpasso 4.3 — Verificação

Comparando com as alternativas, apenas a opção que trata da alteração física do hábitat (transformação de rio em represa) explica uma mudança imediata, presente desde o instante em que a barragem é fechada, e que direciona a seleção de espécies (favorecendo umas, prejudicando outras) — exatamente o fenômeno descrito no texto-base. As demais alternativas descrevem processos químicos ou físicos que são secundários, graduais ou não explicam por que apenas certas espécies proliferam. Isso confirma a alternativa A.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) às alterações nos hábitats causadas pela construção das barragens.

✅ Correta: a barragem converte instantaneamente um ambiente lótico (rio) em lêntico (reservatório), eliminando corredeiras, bloqueando rotas de migração reprodutiva e mudando oxigenação, temperatura e substrato. Essa é a causa imediata ("em um primeiro momento") que seleciona espécies tolerantes a água parada em detrimento das reofílicas, explicando diretamente a proliferação desigual descrita no enunciado.

B) à poluição das águas por substâncias liberadas no funcionamento da usina.

❌ Incorreta: usinas hidrelétricas, ao contrário de termelétricas ou indústrias químicas, não têm como característica intrínseca de funcionamento a liberação de substâncias poluentes na água. A geração de energia hidrelétrica ocorre pela força mecânica da água movendo turbinas, sem descarte químico associado ao processo. Esse não é, portanto, o mecanismo responsável pela mudança na ictiofauna.

C) ao aumento da concentração de CO2 na água produzido pelo represamento do rio.

❌ Incorreta: embora reservatórios possam, de fato, acumular gases como CO2 e metano ao longo do tempo (decorrentes da decomposição de matéria orgânica submersa), esse é um processo gradual, que se desenvolve depois que o hábitat já foi alterado — não é a causa inicial da mudança na composição das comunidades de peixes.

D) às emissões de gases de efeito estufa pela decomposição da matéria orgânica submersa.

❌ Incorreta: a decomposição da vegetação e matéria orgânica inundadas pelo reservatório é, de fato, um impacto ambiental relevante das hidrelétricas (fonte de metano e CO2), mas é um efeito posterior e lento, relacionado ao aquecimento global, e não explica diretamente por que certas espécies de peixes proliferam em detrimento de outras logo após o represamento.

E) aos impactos nas margens da barragem em função da pressão exercida pela água represada.

❌ Incorreta: erosão e instabilidade de margens são impactos geomorfológicos do reservatório, associados a processos físicos do entorno da barragem, mas não são o fator determinante que explica a seleção diferencial de espécies de peixes na comunidade aquática.

🏆 Gabarito: A — a construção da barragem transforma imediatamente o hábitat de lótico para lêntico, sendo essa alteração física e estrutural a causa inicial que favorece espécies adaptadas a águas paradas em detrimento das espécies reofílicas, gerando a perda de diversidade da ictiofauna.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: somente a alteração de hábitat (de rio para represa) ocorre de forma imediata e explica por que espécies específicas se proliferam enquanto outras desaparecem; as demais alternativas descrevem efeitos químicos, atmosféricos ou geomorfológicos secundários e graduais.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra impactos ambientais de grandes obras de infraestrutura (hidrelétricas, mineração, desmatamento), exigindo que o estudante diferencie causas primárias (estruturais/físicas) de consequências secundárias (químicas, atmosféricas, sociais).
  • Generalização: sempre que uma questão pedir a causa "em um primeiro momento" ou "inicial" de um impacto ambiental, priorize a alteração física direta do ambiente (hábitat, relevo, hidrologia) em vez de processos químicos ou biológicos que se desenvolvem ao longo do tempo.
  • Dica de eliminação rápida: descarte de imediato alternativas que mencionem "poluição química" (hidrelétricas não poluem quimicamente por natureza) e agrupe as opções sobre CO2/gases de efeito estufa/decomposição como efeitos graduais — todas elas caem juntas por não serem a causa imediata.
  • Conexões: este tema se conecta a "fragmentação de hábitats e corredores ecológicos" e a "espécies invasoras e desequilíbrio de ecossistemas", ambos recorrentes em questões de Ecologia do ENEM.

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