Pular para o conteúdo
MemorizeMemorize
Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaFácil

Questão 109ENEM 2020 PPLCaderno azul · 2º Dia

Devido à sua ampla incidência e aos seus efeitos debilitantes, a malária é a doença que mais contribui para o sofrimento da população humana da Região Amazônica. Além de reduzir os esforços das pessoas para desenvolverem seus recursos econômicos, capacidade produtiva e melhorarem suas condições de vida, prejudica a saúde da população e o desenvolvimento socioeconômico da região.

RENAULT, C. S. et al. Epidemiologia da malária no município de Belém – Pará. Revista Paraense de Medicina, n. 3, jul.-set. 2007 (adaptado).

Essa doença constitui um sério problema socioeconômico para a região citada porque provoca

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Doenças parasitárias e endemias tropicais (malária)
  • ⚡ Nível: Fácil — a questão exige apenas reconhecer o quadro clínico clássico da malária, sem cálculos ou raciocínio complexo.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Sintomatologia da malária e seu impacto socioeconômico na Amazônia — competência de relacionar saúde pública, ambiente e desenvolvimento regional.
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual sintoma da malária explica por que ela compromete a economia e a produtividade da população amazônica?"
  • Palavras-chave decisivas: malária, sofrimento, desenvolvimento socioeconômico
  • Armadilha típica: confundir malária com outras doenças tropicais de sintomatologia diferente (diarreia de doenças hídricas, imunossupressão de HIV, contágio viral direto de doenças respiratórias), atribuindo a ela um quadro clínico que não é o seu.
  • O que a resposta precisa demonstrar: conhecimento correto do sintoma-marca da malária — a febre intermitente associada a mal-estar geral — e a compreensão de que esse sintoma, por ser recorrente e incapacitante, é o elo entre a doença e a perda de produtividade econômica.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Malária (impaludismo): doença infecciosa causada por protozoários do gênero Plasmodium (no Brasil, principalmente P. vivax e P. falciparum), transmitida pela picada da fêmea do mosquito Anopheles, vetor abundante em áreas alagadas e de mata da Amazônia.
  • Ciclo febril intermitente: o parasita se multiplica dentro das hemácias e, ao rompê-las periodicamente para liberar novos merozoítos, provoca picos febris cíclicos (a cada 48h ou 72h, dependendo da espécie), acompanhados de calafrios, sudorese, dor de cabeça e fadiga intensa — o chamado "acesso malárico".
  • Impacto socioeconômico das doenças endêmicas: doenças que geram episódios recorrentes de incapacidade física (e não necessariamente óbito) são as mais danosas à economia regional, pois afastam repetidamente trabalhadores rurais e ribeirinhos de suas atividades produtivas, gerando um ciclo de pobreza e subdesenvolvimento.
  • Diferenciação de outras endemias: é fundamental não confundir malária com cólera/disenterias (diarreia aguda), HIV/AIDS (imunossupressão) ou doenças virais respiratórias contagiosas (necessidade de isolamento) — cada uma tem mecanismo de transmissão e sintomas próprios.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "ampla incidência e aos seus efeitos debilitantes" → sinaliza que a doença é recorrente na população e causa enfraquecimento físico prolongado, não um evento único e agudo.
  • Evidência 2: "reduzir os esforços das pessoas para desenvolverem seus recursos econômicos, capacidade produtiva" → aponta diretamente para um sintoma que retira repetidamente o trabalhador de sua rotina produtiva, sem necessariamente matá-lo ou isolá-lo socialmente.
  • Síntese: o texto-base descreve um padrão de adoecimento cíclico e desgastante — exatamente o comportamento da febre intermitente da malária, que afasta o trabalhador do campo/rio por dias a cada crise, repetidas vezes ao longo do ano, minando a capacidade produtiva da região de forma continuada.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o agente e o mecanismo da malária

A malária é causada por protozoários do gênero Plasmodium, transmitidos ao ser humano pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles. Uma vez no corpo, o parasita infecta as células do fígado e, em seguida, as hemácias, onde se reproduz de forma sincronizada. Esse ciclo de reprodução culmina no rompimento periódico das hemácias, liberando toxinas e novos parasitas na corrente sanguínea — evento que desencadeia o "acesso malárico": febre alta, calafrios intensos, sudorese profusa, dor de cabeça (cefaleia) e fadiga extrema.

Subpasso 4.2 — Relacionar o sintoma ao impacto socioeconômico

Como esses acessos febris se repetem em intervalos regulares (ciclos de 48h para P. vivax, por exemplo) e a doença pode se manter ativa por semanas ou meses sem tratamento adequado, o trabalhador infectado fica repetidamente incapacitado: durante e após cada crise, sente-se fraco, com dores e febre, impossibilitado de exercer atividades físicas como agricultura, pesca ou extrativismo — atividades centrais da economia amazônica. É esse padrão repetitivo de febre + fadiga + cefaleia que rouba dias produtivos da população, gerando o prejuízo socioeconômico citado no texto de Renault et al.

Subpasso 4.3 — Verificação contra as alternativas

Ao comparar esse quadro clínico (febres constantes e intermitentes, fadiga, dores de cabeça, afastamento das atividades) com as cinco alternativas, apenas a alternativa C descreve com precisão a sintomatologia real da malária e sua consequência direta: o afastamento recorrente do doente de suas atividades produtivas. As demais alternativas descrevem sintomas de outras doenças (epilepsia, diarreia, imunossupressão, infecção viral contagiosa), que não correspondem ao mecanismo da malária.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) alterações neurológicas, que causam crises epilépticas, tornando o doente incapacitado para o trabalho.

❌ Incorreta: crises convulsivas podem ocorrer apenas em casos raros e graves de malária cerebral (complicação do P. falciparum), mas não representam o quadro típico e generalizado da doença na população amazônica. O texto fala do sofrimento da "população" de forma ampla, e não de uma complicação neurológica rara.

B) diarreias agudas e explosivas, que fazem com que o doente fique vários dias impossibilitado de trabalhar.

❌ Incorreta: diarreia aguda é sintoma típico de doenças de veiculação hídrica, como cólera e outras infecções intestinais, causadas por bactérias ou vírus transmitidos por água/alimentos contaminados — não é o mecanismo de transmissão nem o sintoma característico da malária, que é transmitida por vetor (mosquito) e afeta as hemácias.

C) febres constantes e intermitentes associadas à fadiga e dores de cabeça, que afastam o doente de suas atividades.

✅ Correta: esse é exatamente o quadro clínico clássico da malária — os acessos febris cíclicos, acompanhados de fadiga e cefaleia, resultantes do rompimento periódico das hemácias pelo Plasmodium. Esse padrão recorrente é o que efetivamente afasta o trabalhador amazônico de suas atividades produtivas repetidas vezes, gerando o prejuízo socioeconômico regional descrito no enunciado.

D) imunossupressão, que impossibilita o doente de entrar em contato com outras pessoas sem o uso de máscaras e luvas.

❌ Incorreta: a malária não causa imunossupressão generalizada nem exige isolamento por contato físico; esse tipo de quadro é associado a doenças como a AIDS (causada pelo HIV), que compromete o sistema imunológico de outra forma e por outro agente etiológico.

E) infecção viral contagiosa, que faz com que o doente precise de isolamento para evitar transmissão para outras pessoas.

❌ Incorreta: a malária não é causada por vírus, e sim por um protozoário do gênero Plasmodium; além disso, não há transmissão direta de pessoa a pessoa (por contato ou ar) — a transmissão depende obrigatoriamente do vetor Anopheles, tornando desnecessário o isolamento do paciente.

🏆 Gabarito: C — a malária provoca febres intermitentes, fadiga e dores de cabeça que se repetem ciclicamente, afastando o trabalhador amazônico de suas atividades produtivas e gerando o grave prejuízo socioeconômico regional descrito no texto.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa C descreve corretamente o sintoma real e recorrente da malária (febre intermitente, fadiga, cefaleia), sendo a única capaz de explicar o impacto socioeconômico citado no texto-base.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente relaciona doenças endêmicas tropicais (malária, dengue, febre amarela, esquistossomose, doença de Chagas) a seus agentes etiológicos, vetores, sintomas e consequências sociais/econômicas, cobrando a articulação entre Biologia e realidade socioambiental do Brasil.
  • Generalização: em questões sobre doenças e impacto socioeconômico, busque sempre o sintoma que gera afastamento recorrente e prolongado do trabalho — é esse padrão de repetição, e não necessariamente a letalidade, que explica o prejuízo econômico de uma população.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de cara alternativas que descrevem mecanismos de transmissão incompatíveis com vetores (contágio direto, necessidade de isolamento) e sintomas típicos de outras classes de doenças (diarreia = hídrica; imunossupressão = HIV; convulsão = complicação neurológica rara) — sobra a única com o quadro febril intermitente correto.
  • Conexões: compare com questões sobre dengue (também transmitida por mosquito, mas por vírus e com sintomas diferentes) e sobre saneamento básico e doenças de veiculação hídrica, temas frequentemente cobrados em conjunto no ENEM.

Comunidade Memorize · Grátis

Não perca nenhuma live, aula ou material.

Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.