Mapa de questões · 2º dia
Questão 102 — ENEM 2020 PPLCaderno azul · 2º Dia
Algumas espécies de bactérias do gênero Pseudomonas desenvolvem-se em ambientes contaminados com hidrocarbonetos, pois utilizam essas moléculas como substratos para transformação em energia metabólica. Esses microrganismos são capazes de transformar o octano em moléculas menos tóxicas, tornando o ambiente mais propício para desenvolvimento de fauna e flora.
Essas bactérias poderiam ser utilizadas para recuperar áreas contaminadas com
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Ecologia (biorremediação) e Microbiologia
- ⚡ Nível: Fácil — exige apenas conectar a informação dada (bactérias degradam octano) ao tipo de poluente correspondente, sem cálculos ou fórmulas.
- 🎯 Tema/Habilidade: Biorremediação de ambientes contaminados por microrganismos — competência de interpretar processos biológicos aplicados a problemas ambientais.
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Identifique o tipo de contaminação ambiental que essas bactérias, capazes de degradar o octano, conseguem remediar."
- Palavras-chave decisivas: hidrocarbonetos, octano, substratos
- Armadilha típica: confundir "moléculas menos tóxicas" com qualquer tipo de poluição (metais pesados, lixo nuclear, gases tóxicos) sem perceber que o texto já entrega a classe química exata do poluente — hidrocarbonetos.
- O que a resposta precisa demonstrar: reconhecer que o octano é um hidrocarboneto constituinte do petróleo e que a bactéria descrita realiza biorremediação justamente desse tipo de contaminante.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Hidrocarbonetos: compostos orgânicos formados exclusivamente por carbono e hidrogênio; o octano (C₈H₁₈) é um hidrocarboneto alifático saturado, componente central da gasolina e presente no petróleo bruto.
- Biorremediação: uso de microrganismos (bactérias, fungos) para degradar ou transformar poluentes em substâncias menos tóxicas, recuperando solos e águas contaminados.
- Metabolismo bacteriano de hidrocarbonetos: bactérias como as do gênero Pseudomonas possuem enzimas (oxigenases) capazes de oxidar cadeias de hidrocarbonetos, usando-as como fonte de carbono e energia — processo típico em áreas atingidas por vazamentos de óleo.
- Especificidade enzimática: as enzimas bacterianas que quebram o octano não atuam sobre metais pesados, radionuclídeos ou moléculas de estrutura muito diferente (como pesticidas organoclorados ou gases tóxicos), pois cada rota metabólica reconhece substratos com características químicas específicas.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "desenvolvem-se em ambientes contaminados com hidrocarbonetos" → mostra que o habitat natural dessas bactérias é justamente onde há hidrocarbonetos, ou seja, elas já estão adaptadas a esse tipo de poluente.
- Evidência 2: "utilizam essas moléculas como substratos para transformação em energia metabólica" → comprova que o hidrocarboneto (octano) é literalmente o "alimento" da bactéria, sendo oxidado no metabolismo energético.
- Evidência 3: "capazes de transformar o octano em moléculas menos tóxicas" → o octano é citado nominalmente como exemplo de hidrocarboneto degradado, fechando o elo entre a bactéria e esse composto específico.
- Síntese: o texto constrói uma cadeia lógica direta: hidrocarbonetos → octano → degradação bacteriana → ambiente menos tóxico. Como o petróleo é a principal fonte natural de hidrocarbonetos como o octano, a aplicação prática dessas bactérias é a recuperação de áreas contaminadas por petróleo (derramamentos, vazamentos, solos de refinarias etc.).
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar a natureza química do octano
O octano é um alcano de fórmula C₈H₁₈, ou seja, um hidrocarboneto. Hidrocarbonetos são a base química do petróleo bruto e de seus derivados (gasolina, diesel, querosene). Sempre que uma questão cita "octano" como substrato biológico, ela está apontando para contaminação por combustíveis/petróleo, não para outras classes de poluentes como metais, radioisótopos ou compostos nitrogenados de pesticidas.
Subpasso 4.2 — Relacionar o metabolismo bacteriano ao tipo de contaminação remediável
As bactérias do gênero Pseudomonas citadas no texto possuem rotas metabólicas (via enzimas oxigenases) especializadas em quebrar cadeias carbônicas de hidrocarbonetos, convertendo-as em compostos intermediários menos tóxicos (ácidos graxos, CO₂, H₂O) que são incorporados ao metabolismo celular. Esse processo é conhecido como biorremediação de derrames de petróleo e é amplamente utilizado em acidentes ambientais reais, como vazamentos em áreas costeiras ou solos de postos de combustível.
Subpasso 4.3 — Verificação
Confrontando com as alternativas: apenas o petróleo é composto majoritariamente por hidrocarbonetos como o octano. Pesticidas, lixo nuclear, gases tóxicos diversos e metais pesados têm composições químicas completamente distintas (organoclorados/organofosforados, radionuclídeos, misturas gasosas variadas e elementos metálicos, respectivamente), que não são degradados pela mesma rota enzimática que processa hidrocarbonetos. A resposta que fecha corretamente a cadeia lógica do enunciado é a letra A.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) petróleo.
✅ Correta: o petróleo é composto majoritariamente por hidrocarbonetos, entre eles o octano. As bactérias descritas metabolizam exatamente esse tipo de molécula, caracterizando um processo clássico de biorremediação de áreas contaminadas por óleo.
B) pesticidas.
❌ Incorreta: pesticidas são compostos organoclorados, organofosforados ou carbamatos, com estruturas químicas e grupos funcionais distintos dos hidrocarbonetos simples como o octano; sua degradação exige outras rotas enzimáticas específicas (não descritas no texto).
C) lixo nuclear.
❌ Incorreta: contaminação nuclear envolve elementos radioativos (radionuclídeos), cuja periculosidade está ligada à emissão de radiação ionizante, não a moléculas orgânicas metabolizáveis; bactérias degradadoras de hidrocarbonetos não atuam sobre decaimento radioativo.
D) gases tóxicos.
❌ Incorreta: o termo é genérico e não corresponde à classe química do octano; gases tóxicos (como monóxido de carbono, cloro ou amônia) têm naturezas químicas muito diversas e não são o substrato descrito no enunciado.
E) metais pesados.
❌ Incorreta: metais pesados (chumbo, mercúrio, cádmio etc.) são elementos inorgânicos que não podem ser "oxidados como fonte de energia" da mesma forma que hidrocarbonetos orgânicos; sua remediação geralmente envolve bioacumulação/bioabsorção, um mecanismo biológico diferente do descrito no texto.
🏆 Gabarito: A — o octano é um hidrocarboneto típico do petróleo, e a capacidade das bactérias de metabolizá-lo como fonte de energia caracteriza um processo de biorremediação aplicável a áreas contaminadas por petróleo.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: como o enunciado nomeia explicitamente o octano — um hidrocarboneto — como substrato metabolizado pelas bactérias, a única alternativa quimicamente coerente é a recuperação de áreas contaminadas por petróleo.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente explora biorremediação como aplicação prática da Ecologia/Microbiologia, sempre pedindo que o estudante conecte um dado bioquímico específico (o composto metabolizado) ao tipo de poluente ambiental correspondente.
- Generalização: em questões de biorremediação, identifique primeiro a classe química do composto citado como "alimento" do microrganismo — ela sempre aponta diretamente para o tipo de contaminante que pode ser tratado.
- Dica de eliminação rápida: lembre que "hidrocarboneto" é sinônimo funcional de petróleo/derivados nesse contexto; isso elimina imediatamente metais pesados e lixo nuclear (que são inorgânicos/radioativos) e reduz a dúvida entre petróleo e outras substâncias orgânicas como pesticidas e gases tóxicos, que têm estrutura química diferente do octano.
- Conexões: esse tema se conecta a "ciclos biogeoquímicos e poluição" e a "biotecnologia ambiental", incluindo o uso de fungos e consórcios microbianos em processos de biorremediação de solos e corpos d'água.
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