Mapa de questões · 1º dia
Questão 9 — ENEM 2025 PPLCaderno azul · 1º Dia

OHTAKE, T. Escultura em homenagem aos 100 anos da imigração japonesa. Aço-carbono, 15 × 20 m. Parque Municipal Roberto Mário Santini, Santos, 2008.
Disponível em: https://casacor.abril.com.br. Acesso em: 26 dez. 2024.
Tomie Ohtake é uma artista nipo-brasileira reconhecida por suas esculturas monumentais. Essa obra, exposta na orla de Santos, em São Paulo, caracteriza-se pela
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Artes → arte pública, escultura monumental e abstração (Tomie Ohtake)
- ⚡ Nível: Médio — exige conectar a localização da obra (orla/parque) ao conceito de democratização da arte, e reconhecer que a obra é abstrata, não figurativa.
- 🎯 Tema/Habilidade: Leitura de obra de arte em diálogo com o espaço público urbano (competência de analisar produções artísticas em seu contexto de circulação e recepção).
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual é a principal característica dessa escultura monumental de Tomie Ohtake instalada na orla de Santos?"
- Palavras-chave decisivas: escultura monumental (15 × 20 m), orla de Santos / Parque Municipal (espaço público aberto), artista nipo-brasileira reconhecida por obras públicas.
- Armadilha típica: olhar a imagem e tentar "enxergar" figuras (peixes, ondas, vida marinha) numa obra que é abstrata; ou rotular o traço curvo como "concretismo", estilo geométrico que não corresponde a Ohtake.
- O que a resposta precisa demonstrar: compreender que a obra está fora do museu, num espaço urbano de livre circulação, e que isso amplia/democratiza o acesso à arte.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Arte pública: obra instalada em espaço aberto e coletivo (praça, parque, orla). Dispensa museu, ingresso ou horário; qualquer transeunte a frui gratuitamente — é a própria ideia de democratização do acesso estético.
- Abstração: linguagem que não representa objetos reconhecíveis do mundo real. Tomie Ohtake é referência da abstração no Brasil; suas formas sinuosas sugerem movimento, mas não "figuram" nada concreto.
- Escala monumental: dimensões grandes (aqui 15 × 20 m) que fazem a obra dialogar com a paisagem e a arquitetura da cidade, tornando-se ponto de referência visual e marco urbano.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Parque Municipal Roberto Mário Santini, Santos" e "exposta na orla" → a obra está num espaço público aberto, não numa instituição fechada — ela pertence ao cotidiano da cidade.
- Evidência 2: "Aço-carbono, 15 × 20 m" + a imagem (fita vermelha ondulada contra o céu, com palmeiras e skyline ao fundo) → escultura monumental e abstrata, visível a qualquer pessoa que passe pela orla, integrando-se à paisagem urbana.
- Síntese: obra grande, abstrata, gratuita e em espaço de intensa circulação → o traço central é a integração com o espaço urbano e a consequente ampliação do público que tem acesso a ela.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Onde a obra está muda o que a obra significa
Uma escultura dentro de um museu depende de ingresso, horário e do gesto deliberado de visitar. A mesma escultura na orla de uma cidade praiana passa a ser vista por moradores, turistas, trabalhadores — sem barreira alguma. A localização é, portanto, parte do sentido da obra: ela sai do circuito restrito e entra na vida pública.
Subpasso 4.2 — Escala e abstração a serviço da fruição coletiva
Com 15 × 20 m, a fita de aço-carbono vermelha se impõe na paisagem e convida ao olhar de longe e de perto. Por ser abstrata (não representa peixe, onda ou barco), ela não "ilustra" o mar: dialoga com o ambiente por meio de linha, cor e movimento, funcionando como marco urbano que qualquer um pode experimentar livremente.
Subpasso 4.3 — Verificação
O conceito que reúne "espaço público + acesso livre + ampliação do público" é exatamente democratização da arte por meio da integração com o espaço urbano. Isso corresponde à alternativa E. As demais ou negam a natureza abstrata da obra, ou inventam funções (museu, sobreposição arquitetônica, concretismo) que o enunciado e a imagem não sustentam.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) recuperação da função original de espaços museológicos.
❌ Incorreta: a obra não está em museu nem "recupera" a lógica museológica — ela faz o movimento oposto, levando a arte para fora da instituição, para o espaço aberto da orla.
B) sobreposição ao conjunto arquitetônico da cidade de Santos.
❌ Incorreta: a escultura dialoga e se integra à paisagem (céu, mar, calçadão), não se "sobrepõe" nem entra em conflito com a arquitetura. "Sobreposição" sugere imposição/estranhamento, o que não descreve a relação harmônica da obra com o entorno.
C) representação de aspectos da vida marinha de forma figurativa.
❌ Incorreta: erro clássico de forçar figuração numa obra abstrata. A fita sinuosa pode evocar movimento, mas não representa figurativamente peixes, ondas ou corais — Ohtake trabalha a abstração.
D) retomada da estética concretista para retratar a paisagem natural.
❌ Incorreta: o concretismo usa formas geométricas rígidas e racionais; a obra é orgânica, curva e fluida — estética distinta. Além disso, ela não "retrata a paisagem natural", pois é abstrata.
E) democratização da arte por meio de sua integração com o espaço urbano.
✅ Correta: escultura monumental instalada em parque/orla de livre acesso, sem museu nem ingresso, integrada à paisagem da cidade — o que amplia enormemente o público capaz de fruí-la.
🏆 Gabarito: E — a obra pública de Ohtake, na orla de Santos, democratiza o acesso à arte ao integrar-se ao espaço urbano cotidiano.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a E reúne os três fatos do enunciado (obra monumental + espaço público aberto + acesso livre) num único conceito coerente: democratização pela integração urbana.
- Padrão de cobrança: o ENEM valoriza a arte pública como instrumento de ampliação do acesso estético; sempre que a obra estiver em praça, parque, orla ou rua, pense em "democratização/integração com a cidade".
- Generalização: em questões de arte, o local de exibição frequentemente carrega o sentido — obra em espaço público quase sempre remete a acesso democrático, e não a lógica de museu.
- Dica de eliminação rápida: corte de imediato as alternativas que atribuem figuração (C) ou estilo geométrico/concretista (D) a uma obra visivelmente abstrata e orgânica; depois descarte "museu" (A) e "sobreposição" (B), que contrariam o contexto de orla e de diálogo com a paisagem.
- Conexões: Instituto Tomie Ohtake, abstracionismo brasileiro, imigração japonesa (centenário em 2008), escultura pública monumental (diálogo com Amilcar de Castro e Oscar Niemeyer).
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