Mapa de questões · 1º dia
Questão 37 — ENEM 2025 PPLCaderno azul · 1º Dia
Quero brincar, meus amigos
De ver beleza nas coisas.
Beleza no desatino
No teu amor descuidado
Beleza tanta beleza
Na pobreza.
[...]
Quero brincar, meus amigos
De ver beleza na morte.
Mais que na morte, na vida.
Tão doce morrer em vida
Tão triste viver em vão.
Vamos brincar, meus amigos
E de mãos dadas cantar
Minha feliz invenção:
Beleza tanta beleza
Em tudo que não se vê
Beleza.
HILST, H. Da poesia. São Paulo: Cia. das Letras, 2017 (fragmento).
Em uma reflexão sobre a beleza na poesia e na vida, o eu lírico convida o leitor a
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Literatura → poesia contemporânea (Hilda Hilst) e interpretação do tema estético
- ⚡ Nível: Médio — o poema é curto, mas a resposta certa exige separar o tom lúdico (meio) da tese sobre o belo (o que realmente se afirma).
- 🎯 Tema/Habilidade: Reflexão metapoética sobre a beleza — competência de reconhecer a função estética da linguagem e a visão de mundo do eu lírico.
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Numa reflexão sobre a beleza, a que ideia o eu lírico convida o leitor a chegar?"
- Palavras-chave decisivas: reflexão sobre a beleza, na poesia e na vida, convida o leitor
- Armadilha típica: fixar-se no verbo "brincar" e no "vamos… de mãos dadas" e responder vivência lúdica coletiva — mas o comando pergunta pela tese sobre o belo, não pela forma do convite.
- O que a resposta precisa demonstrar: entender que o eu lírico enxerga beleza em coisas opostas e improváveis (pobreza, desatino, morte, no invisível), ou seja, que o belo não é fixo.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Função poética/estética: o texto se volta para si mesmo e para o próprio conceito de beleza — é um poema sobre fazer poesia ("Da poesia", "Minha feliz invenção").
- Relatividade do belo: ideia de que a beleza não é uma qualidade absoluta das coisas, mas depende do olhar que a inventa; o mesmo objeto "feio" ou trágico pode ser visto como belo.
- Contraste e paradoxo: Hilda Hilst constrói sentido justapondo opostos ("morrer em vida", "beleza na pobreza", "beleza na morte") para mostrar que o valor estético atravessa tudo.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Beleza no desatino / … / Beleza tanta beleza / Na pobreza" → o belo é achado no que normalmente se julga feio, caótico ou indesejável.
- Evidência 2: "Beleza tanta beleza / Em tudo que não se vê / Beleza" → a beleza está até no invisível: ela não é propriedade das coisas, é um modo de ver.
- Síntese: ver beleza no desatino, na pobreza, na morte E na vida, e "em tudo que não se vê", só é possível se o belo for relativo — construído pelo olhar ("minha feliz invenção"). Esse é o convite central.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar a tese do poema
O eu lírico não descreve uma coisa bela específica: ele lista lugares improváveis onde a beleza aparece. Ao dizer que há beleza no "desatino", na "pobreza", na "morte", na "vida" e "em tudo que não se vê", ele afirma que qualquer coisa pode ser bela — logo, a beleza não é um atributo fixo, e sim variável conforme o olhar.
Subpasso 4.2 — Ligar a tese à palavra "invenção"
O verso "Minha feliz invenção" é a chave: a beleza é inventada pelo sujeito que olha. Se ela depende de quem vê e de como vê, ela é relativa. O "brincar" e o "de mãos dadas" são apenas o tom (leve, convidativo) com que essa tese é apresentada, não a tese em si.
Subpasso 4.3 — Verificação contra o comando
O comando pede o que o eu lírico propõe "em uma reflexão sobre a beleza". A conclusão da reflexão é: reconhecer que o belo está em toda parte porque depende do olhar = reconhecer a relatividade do belo. Isso corresponde exatamente à alternativa A.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) reconhecer a relatividade do belo.
✅ Correta: ao encontrar beleza no desatino, na pobreza, na morte, na vida e "em tudo que não se vê", e ao chamá-la de sua "invenção", o eu lírico mostra que o belo não é absoluto — depende do olhar. É a síntese da reflexão.
B) superar desafios de uma vida monótona.
❌ Incorreta: não há tema de monotonia nem de superação de obstáculos; o poema celebra a percepção da beleza, não propõe vencer o tédio.
C) experimentar vivências lúdicas e coletivas.
❌ Incorreta: o "brincar" e o "de mãos dadas" são o tom do convite, o meio, e não o conteúdo da reflexão sobre a beleza que o comando pede. A questão pergunta qual ideia sobre o belo o eu lírico defende, não como ele convida.
D) aceitar a contradição entre fantasia e realidade.
❌ Incorreta: o poema não opõe fantasia a realidade nem pede que se aceite tal contradição; os paradoxos ("morrer em vida") servem para ampliar onde o belo cabe, não para separar imaginação de mundo real.
E) recorrer ao belo como alternativa à tristeza da morte.
❌ Incorreta: a beleza não é apresentada como fuga ou consolo diante da morte; ela aparece igualmente na morte e na vida ("Beleza na morte. / Mais que na morte, na vida"), como visão que abrange tudo, não como refúgio.
🏆 Gabarito: A — o eu lírico vê beleza em realidades opostas e até no invisível e a chama de "invenção" sua, convidando o leitor a reconhecer que o belo é relativo, construído pelo olhar.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só A explica por que a beleza cabe simultaneamente no desatino, na pobreza, na morte, na vida e no que "não se vê": porque ela é relativa ao olhar que a inventa.
- Padrão de cobrança: o ENEM adora poemas metapoéticos (que falam da própria arte) e cobra a tese/visão de mundo, não o clima do texto.
- Generalização: quando o comando diz "em uma reflexão sobre X", procure a ideia conclusiva sobre X — desconfie de alternativas que só descrevem o tom (lúdico, alegre, coletivo) do poema.
- Dica de eliminação rápida: corte B (monotonia — inexistente), D (fantasia × realidade — não há oposição) e E (beleza como fuga da morte — o texto nega isso ao ver beleza na própria morte e na vida); entre A e C, prefira A, que responde ao conteúdo da reflexão, não à forma do convite.
- Conexões: função poética da linguagem; paradoxo e antítese; subjetividade estética; poesia contemporânea brasileira.
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