Mapa de questões · 1º dia
Questão 72 — ENEM 2025 PPLCaderno azul · 1º Dia
Anne Caroline Quiangala compara a forma como heroínas brancas e negras são representadas nas histórias em quadrinhos. As primeiras são definidas por modelos de feminilidade que as apresentam como seres indefesos, submissos e que necessitam ser protegidas ou salvas pelos heróis. Já as personagens negras são representadas com base em práticas herdadas do período da escravidão que atribui força, resistência e indelicadeza às mulheres negras. Complementando essa ideia, a socióloga Patricia Hill Collins afirma que as mulheres negras e as brancas têm sido estigmatizadas nas histórias em quadrinhos.
PEDROSO, R. A. A. Martha Washington: a visão de dois homens brancos sobre uma heroína negra. Anos 90, v. 28, 2021 (adaptado).
O texto indica que a representação das heroínas brancas e negras nas histórias em quadrinhos expressa um(a)
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → Relações de gênero, raça e interseccionalidade
- ⚡ Nível: Médio — o texto entrega os conceitos, mas exige distinguir "estereótipo machista" de armadilhas próximas (materna, burguesa, virtuosa).
- 🎯 Tema/Habilidade: Representação social e estereótipos de gênero/raça na cultura (identificar como produções culturais reproduzem relações de poder).
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual concepção/estrutura social a forma de representar heroínas brancas E negras nas HQs revela?"
- Palavras-chave decisivas: indefesas/submissas (brancas), força/resistência/indelicadeza (negras), estigmatizadas (ambas).
- Armadilha típica: achar que, por serem representações opostas (frágil × forte), elas expressam ideias diferentes; na verdade AMBAS servem à mesma lógica de dominação.
- O que a resposta precisa demonstrar: que os dois modelos, embora contrários na aparência, aprisionam a mulher num padrão definido pelo olhar masculino — ou seja, machista.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Estereótipo de gênero: imagem fixa e simplificada atribuída a alguém por ser homem ou mulher, que naturaliza papéis sociais e restringe a autonomia do indivíduo.
- Interseccionalidade (base de Collins): raça, gênero e classe se cruzam; a mulher negra sofre uma opressão específica, diferente da mulher branca, mas ambas dentro do patriarcado.
- Controle pela representação: definir como um grupo "deve ser" (frágil ou durão) é uma forma de controle social — a cultura de massa reforça esses papéis.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "seres indefesos, submissos e que necessitam ser protegidas ou salvas pelos heróis" → a heroína branca é definida pela dependência do homem — fragilidade imposta.
- Evidência 2: "atribui força, resistência e indelicadeza às mulheres negras" herdada "do período da escravidão" → a heroína negra é reduzida a um corpo de trabalho/resistência, desumanizada e "masculinizada".
- Síntese: os dois retratos são opostos, mas ambos são MOLDES prontos impostos às mulheres — nenhuma é vista como sujeito pleno. Collins confirma: as duas estão "estigmatizadas". O ponto comum é a submissão de ambas ao imaginário masculino.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — O que une os dois retratos
A branca é "salva pelo herói"; a negra é "durona e indelicada". À primeira vista, contradição. Mas repare: em nenhum dos casos a mulher é protagonista de si. Uma existe para ser resgatada pelo homem; a outra é despida de feminilidade e delicadeza como punição simbólica. Ambos os moldes partem de uma referência masculina do que a mulher deve ser.
Subpasso 4.2 — Nomear a estrutura
Um sistema que padroniza a mulher a partir do ponto de vista e do interesse masculino, hierarquizando os gêneros, é o machismo/patriarcado. Logo, a representação das HQs expressa um estereótipo de comportamento machista — que se manifesta de forma diferente conforme a raça (interseccionalidade), mas com a mesma raiz.
Subpasso 4.3 — Verificação
A palavra "estigmatizadas" (Collins) fecha o raciocínio: estigma = marca negativa imposta de fora. As duas mulheres são marcadas negativamente por serem mulheres — a chave é o gênero. Isso confirma o núcleo machista e elimina alternativas que falam de família, virtude, maternidade ou pragmatismo.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) concepção de natureza materna.
❌ Incorreta: o texto não trata de maternidade nem de instinto materno; fala de fragilidade e de força/indelicadeza, não do papel de mãe.
B) lógica de família burguesa.
❌ Incorreta: o recorte é de gênero e raça, não de estrutura familiar ou de classe burguesa; a família nem sequer é tematizada.
C) modelo de conduta virtuosa.
❌ Incorreta: não se elogia virtude alguma; descrevem-se estereótipos negativos (submissão, indelicadeza), o oposto de um ideal de conduta virtuosa.
D) estereótipo de comportamento machista.
✅ Correta: tanto a branca "indefesa" quanto a negra "durona" são moldes impostos a partir do olhar masculino, estigmatizando a mulher — a essência do machismo, variando conforme a raça.
E) estrutura de pensamento pragmático.
❌ Incorreta: pragmatismo remete a decisões por utilidade/eficiência prática, tema totalmente alheio à crítica de gênero e raça do texto.
🏆 Gabarito: D — as duas representações opostas partem da mesma raiz: aprisionar a mulher em papéis definidos pelo imaginário masculino, ou seja, um estereótipo machista, diferenciado pela raça.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só D reúne branca (frágil) e negra (durona) sob uma mesma lógica — a de estigmatizar a mulher a partir do homem; as demais mudam de tema.
- Padrão de cobrança: o ENEM adora textos de mídia/cultura (HQs, novelas, publicidade) para cobrar como a representação reproduz relações de poder de gênero e raça.
- Generalização: quando dois grupos são retratados de formas OPOSTAS mas ambos de modo negativo, procure a estrutura de dominação COMUM, não a diferença aparente.
- Dica de eliminação rápida: elimine tudo que introduz tema novo (família, maternidade, virtude, pragmatismo) e ausente no texto; sobra a alternativa que nomeia a opressão de gênero.
- Conexões: feminismo negro (Patricia Hill Collins, bell hooks), interseccionalidade e indústria cultural.
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