Mapa de questões · 1º dia
Questão 20 — ENEM 2025 PPLCaderno azul · 1º Dia
TEXTO I
Antes do século 19, época em que as fábricas de porcelana europeias conseguiam produzir bens baratos e de alta qualidade, as gravuras e cerâmicas daquele continente, principalmente estatuetas de figuras humanas, animais e pássaros, eram levadas à China, para serem copiadas e transformadas em serviços de mesa e enfeites em porcelana. Esses itens eram produzidos especialmente para encomendas ocidentais e não eram usados na China. Muitos destinavam-se a ornar prateleiras e nichos especialmente instalados em elegantes casas europeias, criando "salas chinesas" ou enfeitando gabinetes.
TEXTO II

HARRIS-HALL, J. China: uma história em objetos. São Paulo: Sesc-SP, 2018 (adaptado).
Os traços orientais do rosto da estátua indicam a
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Artes → Leitura de imagem, diálogo cultural, cópia e ressignificação
- ⚡ Nível: Médio — exige cruzar o texto (encomendas europeias) com a imagem (gravura × estátua) e interpretar um detalhe visual.
- 🎯 Tema/Habilidade: Hibridismo cultural na produção artística — reconhecer marcas do repertório do artista na reprodução de um modelo estrangeiro.
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Por que o rosto da estátua tem traços orientais, se ela copia uma gravura europeia?"
- Palavras-chave decisivas: traços orientais, rosto da estátua, indicam (causa/explicação).
- Armadilha típica: achar que o rosto oriental foi uma escolha ou desejo europeu (gosto por "coisas chinesas"), quando o texto diz o contrário.
- O que a resposta precisa demonstrar: que o rosto oriental é uma marca involuntária do artesão chinês, e não uma encomenda ou preferência do cliente europeu.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Hibridismo cultural: quando um artista reproduz um modelo de outra cultura, ele inevitavelmente deixa marcas do seu próprio repertório visual — não por erro, mas porque cria a partir do que conhece.
- Cópia e ressignificação: copiar nunca é neutro; o objeto final carrega a "assinatura cultural" de quem o fez, gerando um híbrido entre modelo e executor.
- Encomenda transcultural: no séc. XVIII, europeus enviavam gravuras à China para serem transpostas em porcelana; o modelo era europeu, mas a mão executora era chinesa.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "gravuras e cerâmicas [europeias]... eram levadas à China, para serem copiadas e transformadas em... porcelana" → o modelo é europeu; a execução é chinesa.
- Evidência 2: legenda "Estátua em porcelana de moça judia nos moldes de gravura de vestuário" + rosto de olhos amendoados na estátua → a peça segue o vestuário e a pose da gravura, mas o rosto ganhou feições orientais.
- Síntese: a vestimenta e a pose comprovam a fidelidade ao modelo europeu; o rosto oriental é o "extra" que só pode ter vindo do artesão chinês — ou seja, do repertório de quem executou.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o que foi copiado com fidelidade
A estátua reproduz o vestuário europeu do séc. XVIII (touca, gola, capa) e a pose da gravura. Logo, o artesão seguiu o modelo enviado — não houve falha técnica na transposição do traje.
Subpasso 4.2 — Isolar o elemento que destoa do modelo
O único traço que não corresponde à gravura europeia é o rosto: olhos amendoados, feições orientais. Como o modelo era europeu e o cliente europeu, esse traço não veio nem do modelo nem da encomenda.
Subpasso 4.3 — Atribuir a causa
Restando descartar modelo e cliente, a origem do rosto oriental só pode ser o próprio artista chinês, que, ao reproduzir uma figura estrangeira, projetou nela seu repertório estético-cultural. Isso é hibridismo cultural — a marca do copista impressa na cópia.
Subpasso 4.4 — Verificação
A explicação bate com o texto (modelo europeu, execução chinesa) e com a imagem (traje europeu + rosto oriental). A causa é cultural, não técnica nem de gosto do cliente → converge para a alternativa C.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) nova referência estética da Europa, interessada por objetos de decoração tipicamente chineses.
❌ Incorreta: o texto deixa claro que os europeus encomendavam figuras europeias (gravuras do próprio continente), não motivos "tipicamente chineses". O rosto oriental não foi buscado pela Europa.
B) demanda por novos tipos de adereços para decorar as casas da burguesia ascendente.
❌ Incorreta: descreve o mercado consumidor (quem comprava e onde exibia), mas não explica por que o rosto é oriental. Foge do que o comando pergunta.
C) tendência do artista em incorporar seu repertório estético-cultural em sua produção.
✅ Correta: o artesão chinês, ao copiar o modelo europeu, imprimiu feições do seu próprio universo visual — exatamente o hibridismo cultural que o rosto oriental revela.
D) admiração dos europeus por representações faciais da cultura chinesa.
❌ Incorreta: inverte a lógica do texto. Os europeus queriam peças "europeias"; o rosto oriental não foi encomendado nem admirado — surgiu apesar da encomenda.
E) dificuldade de transposição dos detalhes da gravura para a escultura.
❌ Incorreta: não há falha técnica — o vestuário e a pose foram fielmente reproduzidos. O rosto oriental é presença cultural intencional do repertório do artista, não limitação.
🏆 Gabarito: C — o rosto oriental numa figura europeia denuncia que o artesão chinês incorporou seu próprio repertório estético ao reproduzir o modelo estrangeiro.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só C explica a causa do detalhe (rosto oriental); as demais falam de gosto europeu, mercado ou técnica, que o texto e a imagem descartam.
- Padrão de cobrança: o ENEM adora o par texto + imagem para testar diálogo/hibridismo cultural, pedindo que você interprete um detalhe visual à luz de um contexto histórico.
- Generalização: toda cópia carrega a marca do copista — isso não é erro, é hibridismo cultural; procure o elemento que "destoa" do modelo e atribua-o a quem executou.
- Dica de eliminação rápida: elimine alternativas que falam do cliente/mercado (B) ou do gosto europeu (A, D) — a pergunta é sobre o artista; corte também a que alega falha técnica (E) quando o traje foi bem copiado.
- Conexões: globalização cultural na Rota da Seda; arte da porcelana chinesa; chinoiserie e o gosto europeu por objetos exóticos no séc. XVIII.
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