Mapa de questões · 1º dia
Questão 13 — ENEM 2025 PPLCaderno azul · 1º Dia
Como abater uma nuvem a tiros
sirenes, bares em chamas,
carros se chocando,
a noite me chama,
a coisa escrita em sangue
nas paredes das danceterias
e dos hospitais,
os poemas incompletos
e o vermelho sempre verde dos sinais
LEMINSKI, P. In: CESAR, A. C. et al. Poesia marginal. São Paulo: Ática, 2006.
O poema de Paulo Leminski filia-se à geração da chamada poesia marginal, produzida por artistas que fugiam dos padrões estabelecidos pela elite literária. Nesse texto, a expressão dessa poética fundamenta-se na
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Literatura → Poesia marginal (geração mimeógrafo, anos 70) e a obra de Paulo Leminski
- ⚡ Nível: Médio — exige articular características formais (verso livre) com o projeto estético e histórico da poesia marginal.
- 🎯 Tema/Habilidade: Análise de poética vanguardista pós-64 e reconhecimento da relação entre forma e conteúdo (competência de literatura do ENEM).
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Em que recursos formais e temáticos se apoia a poética marginal de Leminski neste poema?"
- Palavras-chave decisivas: poesia marginal, fogem dos padrões da elite literária, em que se fundamenta
- Armadilha típica: ler o poema ao pé da letra e reduzi-lo a um "tema" único (trânsito, acidentes), ignorando que ele é um mosaico de imagens.
- O que a resposta precisa demonstrar: a alternativa correta deve unir CONTEÚDO (fragmentos do cotidiano urbano) e FORMA (versos livres, sem métrica fixa nem rima), que é justamente a marca do experimentalismo marginal.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Poesia marginal (geração mimeógrafo): movimento brasileiro dos anos 1970 que rejeitava os padrões da elite literária, adotava linguagem coloquial, tom urbano e circulação alternativa (livros mimeografados vendidos de mão em mão), à margem do mercado editorial.
- Verso livre: poema sem métrica regular (número fixo de sílabas poéticas) e sem esquema de rimas — recurso que aproxima o ritmo do poema do fluxo desordenado da fala e da experiência.
- Fragmentação/mosaico urbano: técnica de justapor imagens rápidas e desconexas para reproduzir a percepção acelerada e caótica da metrópole contemporânea.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "sirenes, bares em chamas, / carros se chocando" → acumulação de imagens urbanas violentas e simultâneas, sem nexo narrativo — a cidade vista como colagem de fragmentos.
- Evidência 2: "a coisa escrita em sangue / nas paredes das danceterias / e dos hospitais" → mistura de festa e dor, vida noturna e emergência: o cotidiano urbano em pedaços, sem hierarquia.
- Evidência 3: "o vermelho sempre verde dos sinais" → imagem paradoxal (oximoro) que sintetiza a confusão e o movimento incessante da cidade, não uma denúncia literal do trânsito.
- Síntese: o texto empilha flashes urbanos em versos curtos, sem métrica fixa e sem rima — a forma solta reforça o conteúdo caótico. É exatamente essa fusão de forma livre + cotidiano fragmentado que define a poética marginal.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o conteúdo (o que o poema mostra)
O poema não conta uma história nem desenvolve um argumento: ele apresenta um inventário de cenas urbanas (sirenes, incêndios, colisões, sangue, danceterias, hospitais, sinais de trânsito). São recortes do cotidiano da grande cidade, dispostos em sequência solta. Esse é o retrato de "situações cotidianas fragmentadas".
Subpasso 4.2 — Identificar a forma (como o poema é construído)
Observe os versos: têm extensões desiguais, não há contagem métrica regular (nem redondilha, nem decassílabo) e não há esquema de rimas sistemático. Isso é o verso livre — liberdade métrica e ausência de rimas. A forma "desarrumada" espelha o assunto "desarrumado": a cidade contemporânea, ruidosa e descontínua.
Subpasso 4.3 — Verificação
Cruzando conteúdo (cidade em fragmentos) + forma (verso livre, sem rima), chegamos ao projeto da poesia marginal: romper com a norma "elevada" da elite literária e traduzir o caos urbano numa linguagem direta e experimental. A alternativa que reúne exatamente esses três elementos — situações cotidianas fragmentadas, liberdade métrica e ausência de rimas — é a A, coerente com todas as evidências e sem qualquer contradição com o texto.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) representação de situações cotidianas fragmentadas, liberdade métrica e ausência de rimas, que ajudam a compor o cenário caótico da vida urbana contemporânea.
✅ Correta: descreve simultaneamente o conteúdo (mosaico de cenas urbanas) e a forma (verso livre, sem rima), que é a essência da poética marginal — forma e conteúdo trabalhando juntos para figurar o caos da metrópole.
B) exploração da liberdade temática, o que leva o poema a perder valor semântico, uma vez que as ações retratadas não estão relacionadas com a vida moderna.
❌ Incorreta: erra duas vezes. As imagens estão intensamente ligadas à vida moderna (violência, vida noturna, trânsito) e o poema NÃO perde sentido — ele constrói sentido justamente pela justaposição de fragmentos.
C) ausência de rimas, uma reclamação latente no verso "os poemas incompletos", tornando o texto uma crítica aos poetas tradicionais.
❌ Incorreta: interpreta mal o verso. "Os poemas incompletos" é mais uma imagem do mosaico urbano (algo inacabado dentro da cena), não um protesto metalinguístico contra rimas ou contra poetas tradicionais.
D) crítica à situação atual do trânsito nas grandes cidades, expressa pelo verso "e o vermelho sempre verde dos sinais".
❌ Incorreta: leitura literal e reducionista. O verso é um oximoro que sugere confusão e movimento perpétuo, funcionando como imagem poética do caos urbano — não uma denúncia específica sobre semáforos ou tráfego.
E) temática da denúncia do caos provocado pelo grande número de acidentes no trânsito, os quais colaboram para a lotação dos hospitais.
❌ Incorreta: inventa uma relação de causa e efeito (acidentes → hospitais lotados) que o poema não estabelece. Sirenes, carros e hospitais são fragmentos justapostos da cidade, não uma reportagem sobre acidentes de trânsito.
🏆 Gabarito: A — o poema funde conteúdo fragmentário (cenas urbanas justapostas) e forma livre (sem métrica fixa nem rima), exatamente o projeto estético da poesia marginal.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a A descreve ao mesmo tempo o QUE o poema mostra (cotidiano em fragmentos) e COMO ele é feito (verso livre, sem rimas), sem forçar leituras literais.
- Padrão de cobrança: o ENEM adora pedir a ligação entre forma e conteúdo em poetas de vanguarda e marginais — a resposta certa quase sempre integra os dois planos.
- Generalização: em poesia moderna/marginal, imagens acumuladas e desconexas costumam construir uma ATMOSFERA (aqui, o caos urbano), não uma narrativa referencial ou uma denúncia jornalística.
- Dica de eliminação rápida: corte de imediato as alternativas que fixam um único tema literal (D, trânsito; E, acidentes) e a que afirma "perda de sentido" (B) — poema que "não significa nada" praticamente nunca é gabarito do ENEM.
- Conexões: Paulo Leminski, geração mimeógrafo, Ana Cristina Cesar, Cacaso, Chacal; diálogo com o Concretismo e com a literatura brasileira pós-1964.
Comunidade Memorize · Grátis
Não perca nenhuma live, aula ou material.
Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.