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Mapa de questões · 1º dia
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Questão 68ENEM 2025 PPLCaderno azul · 1º Dia

Ao longo do século XIX, especialmente na corte de D. Pedro II, as mulheres de elite vivenciaram uma transformação radical em seu papel social. Tornar-se uma consumidora, no começo do século XIX, era algo ainda dúbio e malvisto, pois as saídas às ruas para compras eram vigiadas pela sociedade ainda fortemente patriarcal. Já no final daquele século, comprar passou a ser uma das atividades mais importantes para as mulheres de elite, nos principais centros urbanos do país e, em especial, na corte do Rio de Janeiro.

MONTELEONE, J. Moda, consumo e gênero na corte de D. Pedro II (Rio de Janeiro 1840-1889). Revista de História, n. 178, 2019 (adaptado).

De acordo com o texto, o papel social da mulher foi impactado pelo seguinte processo histórico:

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Brasil Império (Segundo Reinado) e Revolução Industrial aplicada ao consumo
  • ⚡ Nível: Médio — exige ligar o comportamento de consumo da elite à sua base material (a produção industrial de tecidos e moda).
  • 🎯 Tema/Habilidade: Transformações no papel social da mulher no século XIX / relação entre economia, cultura material e gênero.
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual processo histórico transformou o papel social da mulher de elite, fazendo do ato de comprar uma atividade central?"
  • Palavras-chave decisivas: consumidora, comprar, moda / tecidos
  • Armadilha típica: confundir o cenário (cidade modernizada) com o vetor pedido; a questão quer o processo que sustentou materialmente o novo consumo, não o pano de fundo urbano.
  • O que a resposta precisa demonstrar: identificar a base produtiva que fez surgir mercadorias, lojas e a figura da mulher consumidora.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Revolução Industrial e indústria têxtil: ao longo do século XIX, a mecanização da produção de tecidos multiplicou a oferta de roupas, panos e artigos de moda a preços acessíveis, criando um mercado de bens de consumo.
  • Cultura do consumo e a "consumidora": a abundância de mercadorias fez nascer um novo papel social — o da mulher que frequenta lojas, escolhe produtos e exerce o consumo como prática identitária.
  • Segundo Reinado (1840-1889): sob D. Pedro II, a corte do Rio de Janeiro se afinava com padrões europeus (Second Empire), importando e produzindo moda; ser elegante virou marcador de status da elite.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Tornar-se uma consumidora [...] era algo ainda dúbio e malvisto" → o texto está tratando do consumo de mercadorias como comportamento social em transformação.
  • Evidência 2: "comprar passou a ser uma das atividades mais importantes para as mulheres de elite" → o ato de adquirir bens (moda, tecidos) virou central — logo, houve uma oferta crescente desses produtos para ser comprada.
  • Síntese: se comprar moda tornou-se a atividade da mulher de elite, isso pressupõe uma base material que produzisse essas mercadorias em escala — exatamente o que a expansão da indústria têxtil garantiu.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o fenômeno descrito

O texto narra a passagem de uma mulher vigiada e presa ao espaço doméstico (início do século) para uma mulher consumidora ativa (fim do século). O eixo da mudança é o consumo de moda.

Subpasso 4.2 — Ligar o consumo à sua causa material

Comprar moda só se torna prática de massa quando há mercadorias disponíveis. A grande novidade do século XIX foi a produção têxtil mecanizada: tecidos, vestidos e acessórios passaram a ser fabricados em volume crescente. Sem essa expansão industrial, não haveria a variedade de produtos que transformou o comprar na "atividade mais importante" da elite feminina.

Subpasso 4.3 — Verificação

O vetor pedido é o processo histórico que impacta o papel da mulher. A expansão da indústria têxtil é a causa econômica direta do consumo de moda descrito. As demais opções ou são apenas cenário (modernização urbana) ou tratam de sujeitos e políticas fora do texto (operárias, protecionismo, trabalho doméstico). Confirma-se a letra A.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Expansão da indústria têxtil.

✅ Correta: a mecanização da produção de tecidos e artigos de moda criou a oferta de mercadorias que sustentou a figura da mulher consumidora — base material exata do fenômeno descrito.

B) Valorização das operárias fabris.

❌ Incorreta: o texto trata de mulheres de elite consumindo, não de trabalhadoras assalariadas; confunde o polo da produção (operárias) com o do consumo (elite).

C) Redução dos trabalhos domésticos.

❌ Incorreta: o enunciado não fala em diminuição de tarefas domésticas; o que muda é o surgimento do consumo urbano, não uma suposta liberação do trabalho de casa.

D) Modernização das cidades imperiais.

❌ Incorreta: a urbanização é apenas o cenário onde as compras ocorrem; o vetor específico apontado pelo texto é o consumo de moda, cuja causa é a produção têxtil, não a reforma das cidades em si.

E) Ampliação do protecionismo comercial.

❌ Incorreta: política tarifária de proteção à indústria não é mencionada nem explica a mudança no papel social da mulher; está fora do foco do texto.

🏆 Gabarito: A — a transformação da mulher de elite em consumidora foi sustentada pela expansão da indústria têxtil, que ofertou a moda e os tecidos que fizeram do comprar a atividade central.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a letra A nomeia a base material (produção têxtil) que faz existir a mercadoria comprada — as outras confundem cenário, sujeito ou política.
  • Padrão de cobrança: o ENEM gosta de ligar mudanças culturais/comportamentais (consumo, moda, lazer) à sua base econômica (industrialização, mercado de bens).
  • Generalização: todo novo hábito de consumo em massa pressupõe uma indústria que produza o bem consumido — procure a causa produtiva por trás do comportamento descrito.
  • Dica de eliminação rápida: corte tudo que fala de trabalhadoras ou trabalho (B, C) — o texto é sobre elite consumidora; e desconfie do "cenário" genérico (D) quando existe uma causa material específica.
  • Conexões: Revolução Industrial e lojas de departamento; cultura da moda na corte de D. Pedro II (Second Empire); relações entre gênero e consumo no século XIX.

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