Mapa de questões · 1º dia
Questão 78 — ENEM 2025 PPLCaderno azul · 1º Dia
Um preceito ético, resumido num ditado que foi notícia no Diário da Tarde, evidencia muito bem os valores que pautaram o movimento do Contestado: "Quem tem, mói, quem não tem, mói também, e no fim todos ficarão iguais" (22/02/1914). Mais do que um simples ditado, este dizer representa também a construção de uma nova sociedade, em que os bens são comunitários e a igualdade entre as pessoas figura como princípio fundamental.
WOITOWICZ, K. J. Imagem contestada: a Guerra do Contestado pela escrita do Diário da Tarde (1912-1916). Ponta Grossa: UEPG, 2015 (adaptado).
O movimento mencionado no texto consistiu numa reação ao
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: História do Brasil → República Velha, coronelismo e conflitos sociais no sertão (Guerra do Contestado)
- ⚡ Nível: Médio — exige ligar um ditado popular a uma causa estrutural (concentração de terra e poder oligárquico), não apenas identificar o movimento.
- 🎯 Tema/Habilidade: Movimentos sociais na Primeira República; compreender relações de poder, dominação e resistência no campo.
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Contra o que o movimento do Contestado reagia?"
- Palavras-chave decisivas: reação ao, bens comunitários, igualdade entre as pessoas
- Armadilha típica: confundir uma característica interna do movimento (messianismo, religiosidade, cultura camponesa) com o alvo externo da revolta. O comando pede aquilo a que o movimento se OPÔS.
- O que a resposta precisa demonstrar: que o Contestado nasceu como reação à estrutura de dominação agrária — a concentração de terras e o poder político dos coronéis (mandonismo).
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Guerra do Contestado (1912-1916): conflito armado na fronteira entre Santa Catarina e Paraná, envolvendo sertanejos pobres, o Exército e forças estaduais. Foi um dos maiores levantes camponeses da história do Brasil.
- Mandonismo / coronelismo: sistema em que o coronel (grande proprietário de terra) concentra poder econômico, político e social, controlando a população local por dependência e favores — a face rural do poder oligárquico da República Velha.
- Estopim fundiário: a construção da ferrovia São Paulo–Rio Grande e a atuação da empresa madeireira Lumber Company provocaram expulsão de posseiros de suas terras, agravando a miséria e alimentando a revolta.
- Messianismo/monge João Maria: dimensão religiosa que deu coesão ao movimento, com promessa de uma nova sociedade de bens comuns e igualdade — mas essa é a bandeira dos revoltosos, não o alvo da reação.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Quem tem, mói, quem não tem, mói também, e no fim todos ficarão iguais" → denúncia direta da desigualdade: propõe partilha e igualdade, o que só faz sentido como resposta a uma ordem profundamente desigual no campo.
- Evidência 2: "construção de uma nova sociedade, em que os bens são comunitários e a igualdade entre as pessoas figura como princípio fundamental" → o programa é o oposto da concentração de terra e poder — logo, reage contra quem detém e monopoliza (a elite proprietária).
- Síntese: um projeto de igualdade e bens comunitários é, por definição, uma reação contra a dominação exercida pelos grandes proprietários rurais — o mandonismo dos coronéis.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o que o texto propõe
O ditado e o comentário defendem partilha (bens comunitários) e igualdade. Todo projeto igualitário é uma resposta a uma situação de desigualdade estrutural. Pergunta-chave: quem produzia essa desigualdade no sertão do Contestado?
Subpasso 4.2 — Localizar a causa histórica
No sul do Brasil da República Velha, terra e poder estavam concentrados nas mãos dos coronéis e grandes proprietários. A expulsão de posseiros (ferrovia + Lumber) e a submissão política ao mandonismo local jogaram os sertanejos na miséria. A "nova sociedade" pregada pelos rebeldes era o inverso exato dessa ordem oligárquica.
Subpasso 4.3 — Verificação
Cruzando "igualdade/bens comunitários" (bandeira) com "reação ao" (comando), o alvo só pode ser a estrutura de dominação dos proprietários: o mandonismo da elite rural. Isso bate exatamente com a alternativa A.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) mandonismo da elite rural.
✅ Correta: o Contestado reagiu à concentração fundiária e ao poder dos coronéis; a pregação de bens comunitários e igualdade é a negação direta desse mandonismo oligárquico.
B) produtivismo da atividade agrícola.
❌ Incorreta: o conflito não era sobre metas de produção ou eficiência agrícola, mas sobre posse da terra e dominação social. "Produtivismo" não é categoria em disputa no Contestado.
C) despotismo das tropas republicanas.
❌ Incorreta: a repressão militar foi a resposta do Estado ao levante, não a causa que o originou. O movimento já existia antes e por outros motivos (terra e mandonismo).
D) tradicionalismo da cultura camponesa.
❌ Incorreta: os sertanejos eram os próprios camponeses; o movimento se apoiava (e não reagia contra) a religiosidade e a cultura tradicional do campo, ligada ao monge João Maria.
E) messianismo das populações sertanejas.
❌ Incorreta: o messianismo é traço interno e mobilizador do movimento — sua fé e utopia —, não o alvo externo da reação. Inverte causa e característica.
🏆 Gabarito: A — a defesa de igualdade e bens comunitários só faz sentido como reação à ordem de concentração de terra e poder dos coronéis: o mandonismo da elite rural.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: somente A aponta o alvo externo da revolta (a dominação dos grandes proprietários); as demais confundem repressão, cultura ou fé com a causa estrutural.
- Padrão de cobrança: o ENEM associa revoltas sertanejas (Contestado, Canudos) à tríade terra + coronelismo + exclusão social, cobrando a distinção entre causa e característica.
- Generalização: quando um movimento prega igualdade e partilha, a "reação" pedida é quase sempre contra a estrutura de desigualdade (concentração de terra/poder), não contra a repressão que ele sofre depois.
- Dica de eliminação rápida: corte tudo que descreve o próprio movimento (D tradicionalismo camponês, E messianismo) e o que é consequência e não causa (C tropas). Sobram A e B; "produtivismo" não tem lastro histórico → fica A.
- Conexões: Guerra de Canudos; messianismo e monge João Maria; coronelismo e a política dos governadores na República Velha.
Comunidade Memorize · Grátis
Não perca nenhuma live, aula ou material.
Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.