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Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaMédio

Questão 55ENEM 2025 PPLCaderno azul · 1º Dia

Em 1968, apesar da ditadura cada vez mais sufocante, em especial com o Ato Institucional número 5, que abriu caminho para um regime de exceção que não tinha nenhum pudor em agir ao arrepio da ordem legal para perseguir, prender, cassar, exilar e "desaparecer" opositores de todos os matizes políticos, alguns movimentos ainda eram possíveis — como o Movimento Intersindical Antiarrocho (MIA), uma frente contra as políticas econômicas que impunham perdas salariais aos trabalhadores, a qual reunia sindicalistas de todos os matizes, moderados, comunistas e mesmo "pelegos" (em geral identificados com o governo). No entanto, para que o modelo de desenvolvimento dependente e excludente proposto pelos governos militares, elaborado em conjunto com as elites, funcionasse a contento, era imprescindível que esses movimentos estivessem em silêncio — especialmente o movimento sindical.

Disponível em: http://querepublicaeessa.an.gov.br. Acesso em: 8 out. 2023 (adaptado).

A ação do movimento mencionado tinha como propósito criticar a

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História do Brasil → Ditadura Militar (1964-1985), modelo econômico e movimento sindical
  • ⚡ Nível: Médio — exige articular contexto do AI-5, arrocho salarial e o conceito de "desenvolvimento excludente" para chegar à ideia de desigualdade.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Compreender as consequências sociais das políticas econômicas da ditadura (Competência de Ciências Humanas: relacionar economia, trabalho e cidadania).
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Contra qual problema estrutural o MIA (Movimento Intersindical Antiarrocho) protestava?"
  • Palavras-chave decisivas: antiarrocho, perdas salariais, modelo dependente e excludente
  • Armadilha típica: confundir o cenário do "milagre econômico" (havia crescimento do PIB) com o cotidiano do trabalhador (que perdia poder de compra), e assim marcar "estagnação" ou "consumo".
  • O que a resposta precisa demonstrar: entender que o crescimento da ditadura vinha acompanhado de concentração de renda — ou seja, aprofundava a desigualdade social.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Arrocho salarial: política de controle dos reajustes de salário abaixo da inflação real. O trabalhador via seu poder de compra cair a cada ano, mesmo com a economia "crescendo".
  • Modelo de desenvolvimento dependente e excludente: estratégia econômica que atraía capital estrangeiro e concentrava os ganhos nas elites e nas grandes empresas, deixando de fora (excluindo) a maioria da população trabalhadora da distribuição da riqueza.
  • MIA (Movimento Intersindical Antiarrocho, 1968): frente sindical ampla — reunindo moderados, comunistas e até "pelegos" — organizada justamente para reagir a essa perda salarial imposta pela política econômica.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "uma frente contra as políticas econômicas que impunham perdas salariais aos trabalhadores" → o alvo do movimento é a deterioração das condições materiais de quem trabalha.
  • Evidência 2: "modelo de desenvolvimento dependente e excludente proposto pelos governos militares, elaborado em conjunto com as elites" → o crescimento era desenhado para beneficiar as elites e excluir a base social — a definição de um modelo desigual.
  • Síntese: juntando "arrocho" (perda para os de baixo) + "excludente" (concentração nas elites), o protesto do MIA aponta diretamente para a desigualdade da estrutura social produzida pelo modelo econômico.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o inimigo do movimento

O nome já entrega: "Antiarrocho". O MIA existe para combater o arrocho salarial. Isso significa que a raiz do descontentamento é econômica e distributiva: os salários encolhiam enquanto o custo de vida subia.

Subpasso 4.2 — Ligar o arrocho ao modelo econômico

O texto explica que o arrocho não era acidental: era peça necessária ("imprescindível que esses movimentos estivessem em silêncio") de um modelo "dependente e excludente". Rebaixar salários barateava a mão de obra e transferia renda para o topo. Logo, o crescimento econômico da ditadura se sustentava sobre a concentração de renda.

Subpasso 4.3 — Verificação

Concentração de renda + exclusão da maioria + perdas salariais = aumento da desigualdade na estrutura social. Confrontando com as alternativas, apenas a letra C traduz essa ideia. Confirma-se o raciocínio.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) expansão do consumo interno.

❌ Incorreta: o arrocho salarial reduzia o poder de compra popular. O modelo comprimia o consumo das massas, não o expandia — portanto o MIA não criticava uma "expansão" que não existia para os trabalhadores.

B) diminuição da população urbana.

❌ Incorreta: o período foi de intensa urbanização (êxodo rural e crescimento das cidades). O tema demográfico não tem relação com a pauta sindical do movimento.

C) desigualdade na estrutura social.

✅ Correta: o arrocho e o modelo "excludente" concentravam renda nas elites e empobreciam os trabalhadores. Criticar isso é criticar a desigualdade social produzida pelo modelo.

D) estagnação na produção nacional.

❌ Incorreta: 1968 abre o chamado "milagre econômico", com forte crescimento do PIB e da produção. O problema não era estagnação, e sim a má distribuição dos frutos desse crescimento.

E) dependência da atividade primária.

❌ Incorreta: o modelo apostava na industrialização e no capital estrangeiro, não na volta à economia primária. A crítica do MIA é salarial e distributiva, não sobre o setor agroexportador.

🏆 Gabarito: C — o MIA combatia o arrocho salarial de um modelo "excludente" que concentrava a riqueza, ou seja, denunciava a desigualdade na estrutura social.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a letra C reúne os dois pilares do texto — perda salarial dos de baixo e concentração nas elites —, que é a própria definição de desigualdade social.
  • Padrão de cobrança: o ENEM adora contrastar o "milagre econômico" (crescimento do PIB) com seu custo social (arrocho, concentração de renda, "bolo que cresceu mas não foi dividido").
  • Generalização: quando um enunciado usar termos como "excludente", "concentrador" ou "arrocho", a resposta quase sempre caminha para desigualdade / concentração de renda.
  • Dica de eliminação rápida: corte "estagnação" (havia crescimento) e "atividade primária" (o modelo era industrial) de imediato; some a isso que consumo popular caía — sobram poucas opções e a desigualdade se impõe.
  • Conexões: AI-5 e repressão; milagre econômico; a frase atribuída ao período de que "era preciso o bolo crescer antes de dividir".

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