Mapa de questões · 1º dia
Questão 86 — ENEM 2025 PPLCaderno azul · 1º Dia
"Africano livre" era a versão brasileira de uma forma legal dispersa pelo Atlântico, inspirada pelos experimentos britânicos com o trabalho "livre" no início do século XIX. Essa invenção era uma resposta ao novo desgosto com o trabalho escravo enquanto categoria socio-legal inventada para dar forma à ideia de um modelo e responder à demanda crescente de trabalho barato e disponível em um mundo capitalista colonial em expansão.
LIMA, H. E. No baú de Augusto Mina: o micro e o global na história do trabalho. Topoi, n. 31, jul.-dez. 2015 (adaptado).
A condição de "africano livre" implica que estava em curso uma
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: História → mundo do trabalho no século XIX (abolição do tráfico, transição escravidão-trabalho livre e capitalismo colonial)
- ⚡ Nível: Médio — o texto é conceitualmente denso e exige interpretar "africano livre" como categoria de transição, não como liberdade plena.
- 🎯 Tema/Habilidade: Formas de trabalho e transformação das relações de produção no capitalismo do XIX (avaliar as transformações históricas nas relações de trabalho).
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "A existência da figura do 'africano livre' indica que estava em curso qual processo histórico?"
- Palavras-chave decisivas: "trabalho 'livre'" (entre aspas, ou seja, tutelado), "demanda crescente de trabalho barato", "mundo capitalista colonial em expansão".
- Armadilha típica: ler "livre" ao pé da letra e imaginar liberdade/emancipação plena, escorregando para a alternativa que fala em "superação da dominação".
- O que a resposta precisa demonstrar: que a categoria surge como parte de uma MUDANÇA nas formas de organizar o trabalho e a produção — não como fim da exploração.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- "Africano livre": africanos apreendidos em navios negreiros após a proibição do tráfico (Lei de 1831 e Bill Aberdeen, 1845). Juridicamente eram libertos, mas ficavam sob tutela do Estado ou de particulares por 14 anos, trabalhando compulsoriamente. Liberdade no papel, trabalho forçado na prática.
- Relações de produção: o modo como uma sociedade organiza quem trabalha, sob quais vínculos (escravo, tutelado, assalariado) e quem se apropria do produto. Mudá-las é reestruturar a base econômica.
- Capitalismo colonial em expansão: no XIX, a pressão britânica pelo fim do tráfico e a lógica do trabalho "livre" barato reorganizavam a mão de obra colonial para servir ao mercado mundial.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "inspirada pelos experimentos britânicos com o trabalho 'livre' no início do século XIX" → revela uma NOVA forma legal de trabalho substituindo (parcialmente) a escravidão.
- Evidência 2: "responder à demanda crescente de trabalho barato e disponível em um mundo capitalista colonial em expansão" → mostra que a mudança serve à lógica do capital, reorganizando a produção.
- Síntese: uma categoria jurídica inédita, criada para atender ao capitalismo, indica que as relações de produção estavam sendo REESTRUTURADAS — a chave da resposta.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o que "africano livre" representa
Não é liberdade real: é um estatuto intermediário, tutelado e compulsório. Ele nasce da crise do sistema escravista (fim do tráfico) e da necessidade de manter mão de obra barata. Ou seja, é uma engrenagem de TRANSIÇÃO.
Subpasso 4.2 — Ligar transição a "relações de produção"
Quando uma sociedade cria uma nova categoria jurídica de trabalhador para alimentar o mercado capitalista, ela está alterando a base do trabalho: sai (aos poucos) da escravidão pura e caminha para formas assalariadas/tuteladas. Isso é, por definição, uma reorganização das relações de produção.
Subpasso 4.3 — Verificação
A alternativa que traduz "nova forma de organizar o trabalho a serviço do capital" é exatamente reorganização nas relações de produção. Confere com todas as evidências → letra A.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) reorganização nas relações de produção.
✅ Correta: o "africano livre" é uma forma nova de vínculo laboral, criada para atender ao capitalismo colonial — precisamente uma reestruturação de como o trabalho e a produção se organizam.
B) manutenção nas obrigações contratuais.
❌ Incorreta: não havia "contrato" livre nem continuidade — surge uma categoria jurídica INÉDITA. Fala em manutenção quando o texto descreve mudança e invenção legal.
C) superação das práticas de dominação.
❌ Incorreta: é a armadilha do "livre". A dominação não é superada, apenas travestida: o tutelado continua trabalhando compulsoriamente. Muda a forma, não a exploração.
D) redução das regras empresariais.
❌ Incorreta: o tema é o vínculo de trabalho e a mão de obra, não desregulamentação de empresas. Conceito estranho ao texto.
E) restrição das normas sindicais.
❌ Incorreta: sindicatos e legislação sindical são fenômeno posterior (fim do XIX/XX). Anacronismo total para o contexto da abolição do tráfico.
🏆 Gabarito: A — o "africano livre" é uma invenção jurídica de transição que reorganiza as relações de produção para servir ao capitalismo colonial, sem extinguir a exploração.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a letra A capta a ideia de que uma nova forma legal de trabalho, criada para o mercado capitalista, reestrutura como a produção se organiza.
- Padrão de cobrança: o ENEM adora o binômio "livre-tutelado" pós-tráfico/pós-abolição (ingênuos, libertos condicionais, colonato) para testar se você entende que liberdade formal ≠ fim da exploração.
- Generalização: toda vez que uma nova categoria de trabalhador é criada para alimentar o capitalismo, a resposta gravita para "mudança/reorganização das relações de produção".
- Dica de eliminação rápida: corte "superação da dominação" (C) sempre que houver tutela/compulsão; corte "manutenção" (B) quando o texto disser "invenção/nova forma"; descarte sindicato (E) por anacronismo.
- Conexões: Henrique Espada Lima e a história social do trabalho; Lei Eusébio de Queirós (1850); trabalho compulsório e capitalismo atlântico.
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