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Mapa de questões · 1º dia
LinguagensPortuguêsFácil

Questão 40ENEM 2025 PPLCaderno azul · 1º Dia

Tudo

Você atravessando a rua fez parar meu coração
Não morri, não era hora, mas me fez suar
Teu sorriso dá barato, já me fez rolar na grama
E não querer voltar

Mas eu volto com saudade pra te encontrar no futuro
O mundo não é tão grande pra eu não te achar
Um dia cê vai tar na rua, vai olhar pro lado
E daquele muro vai me ouvir gritar

Deixa eu ficar na tua vida
Morar dentro da concha
Do teu abraço não quero largar

Que seja
Real além da conta
O que a gente precisa
É aprender sonhar

LINIKER. Caju. Rio de Janeiro: Estúdio Brocal, 2024 (fragmento).

Nessa letra de canção, as formas linguísticas utilizadas evidenciam uma variedade motivada pelo(a)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Língua Portuguesa → Sociolinguística (variação linguística e níveis de registro)
  • ⚡ Nível: Fácil — a resposta emerge diretamente das marcas de oralidade presentes na letra, sem exigir teoria complexa.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Variação diafásica (situacional) e adequação do registro ao gênero canção — competência de reconhecer as variedades linguísticas e as funções que exercem no texto.
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "O que motiva a variedade linguística presente na letra da canção?"
  • Palavras-chave decisivas: formas linguísticas, evidenciam, variedade motivada pelo(a)
  • Armadilha típica: confundir o tipo de variação (regional, social, geracional, situacional) e escolher uma causa que a letra não comprova — por exemplo, atribuir as reduções a um sotaque regional ou a uma gíria de geração.
  • O que a resposta precisa demonstrar: identificar QUE fator motiva o uso das formas reduzidas/orais. O comando pede a causa da variedade, não apenas nomeá-la.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Variação diafásica (ou situacional): é a variação motivada pela situação de comunicação. O mesmo falante alterna entre registro formal e informal conforme o contexto (conversa entre amigos × discurso oficial). É o eixo do "grau de monitoramento" da fala.
  • Marcas de oralidade / registro informal: reduções ("cê" por "você", "tar" por "estar", "pra" por "para"), estruturas coloquiais e vocabulário afetivo. Sinalizam uma comunicação espontânea e pouco monitorada.
  • Outros eixos de variação (para contraste): diatópica (região/geografia), diastrática (grupo social, escolaridade, geração) e a norma-padrão (variedade de prestígio, associada à escrita formal). Distinguir esses eixos é o que resolve a questão.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Um dia cê vai tar na rua" → "cê" (redução de "você") e "tar" (redução de "estar") são reduções típicas da fala espontânea transposta para a escrita da canção.
  • Evidência 2: "Mas eu volto com saudade pra te encontrar no futuro" → "pra" (redução de "para") reforça o tom coloquial e íntimo, próprio de uma conversa afetiva.
  • Síntese: as formas reduzidas não marcam uma região específica nem uma gíria de geração; elas marcam o grau de informalidade da situação. A letra simula uma fala próxima e espontânea — logo, a variedade é motivada pelo contexto informal de comunicação.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Classificar as formas destacadas

"cê", "tar" e "pra" são reduções fonéticas da fala cotidiana. Elas não pertencem a um dialeto regional (não são exclusivas de nenhum estado ou região) nem constituem gíria própria de um grupo etário. São traços gerais de oralidade coloquial, usados por falantes de todo o país em situações descontraídas.

Subpasso 4.2 — Identificar o eixo de variação

Como o traço comum a todas elas é o baixo grau de monitoramento (fala espontânea, sem preocupação com a norma escrita), estamos diante da variação diafásica, aquela determinada pela situação de uso. A canção adota deliberadamente um registro informal para criar intimidade e naturalidade — coerente com a temática amorosa e cotidiana ("atravessando a rua", "rolar na grama", "morar dentro da concha do teu abraço").

Subpasso 4.3 — Verificação

Cruzando com as alternativas: a única que aponta a situação de comunicação como motivadora da variedade é a que fala em "contexto informal de comunicação". As demais deslocam a causa para região, norma-padrão, geração ou distância entre interlocutores — nenhuma sustentada pelo texto. Confirma-se o caminho.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) pertencimento a uma região específica do país.

❌ Incorreta: descreveria variação diatópica. "cê", "tar" e "pra" são reduções nacionais da fala coloquial, sem qualquer marca dialetal que identifique um estado ou região — não há regionalismos lexicais nem fonéticos localizados.

B) necessidade de adequação à norma-padrão.

❌ Incorreta: é exatamente o oposto do que ocorre. A norma-padrão exigiria "você", "estar", "para"; a letra se afasta dela ao adotar formas reduzidas, buscando naturalidade, não conformidade à gramática de prestígio.

C) identificação com um grupo geracional.

❌ Incorreta: descreveria variação diastrática por faixa etária. Não há gírias ou expressões restritas a uma geração — as reduções são usadas por falantes de todas as idades, o que impede atribuí-las a um grupo etário específico.

D) distanciamento entre os interlocutores.

❌ Incorreta: o efeito é o contrário. O tom afetivo ("Deixa eu ficar na tua vida", "do teu abraço não quero largar") e a informalidade aproximam o eu lírico do interlocutor, criando intimidade — não distância.

E) contexto informal de comunicação.

✅ Correta: as reduções orais evidenciam uma variação diafásica, motivada pela situação de uso. O registro informal é o traço que unifica todas as formas destacadas, coerente com o caráter íntimo e espontâneo da canção popular.

🏆 Gabarito: E — as formas reduzidas ("cê", "tar", "pra") são marcas de oralidade que revelam um registro informal; a variedade é motivada pela situação, ou seja, pelo contexto informal de comunicação.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: E é a única alternativa que localiza a causa da variedade na situação de comunicação. Todas as outras apontam eixos (regional, geracional, norma-padrão, distância) que o texto não comprova.
  • Padrão de cobrança: o ENEM adora dar um texto com marcas de oralidade e pedir o fator que motiva a variação. A chave é distinguir os eixos: diatópico (região), diastrático (grupo social/geração), diafásico (situação) e a relação com a norma-padrão.
  • Generalização: reduções e traços de fala espontânea ("cê", "tá", "pra", "né", "tô") quase sempre indicam variação diafásica = informalidade situacional, não regionalismo nem gíria de idade.
  • Dica de eliminação rápida: procure a marca do eixo. Sem palavra típica de uma região → corta A. Texto foge da gramática culta → corta B. Sem gíria de geração → corta C. Tom afetivo aproxima → corta D. Sobra E.
  • Conexões: níveis de registro (formal × informal); funções da linguagem (emotiva/poética na canção); gênero canção popular e a estética da fala coloquial na MPB contemporânea.

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