Mapa de questões · 1º dia
Questão 69 — ENEM 2025 PPLCaderno azul · 1º Dia
A ontologia como fundamento da ética foi o ponto de vista original da filosofia. A separação das duas, que é a separação entre o reino "objetivo" e o "subjetivo", é o destino moderno. Sua re-união, caso seja possível, só poderá ser alcançada a partir do lado "objetivo"; quer dizer: por uma revisão da ideia de natureza. Só uma ética fundada na amplitude do ser, e não apenas na singularidade ou na peculiaridade do ser humano, é que pode ser de importância no universo das coisas. Mesmo que seja feita uma exigência extra-humana para o comportamento humano, permanece de pé o fato de que uma ética que não mais se baseie sobre a divindade tem que se fundamentar em um princípio que possa ser descoberto na natureza das coisas, para que não seja vítima do subjetivismo ou de outras formas de relativismo.
JONAS, H. O princípio vida: fundamentos para uma biologia filosófica. Petrópolis: Vozes, 2004 (adaptado).
A fundamentação ontológica da ética proposta pelo autor encontra suporte na
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Filosofia → Ética contemporânea (Hans Jonas) e Ontologia
- ⚡ Nível: Difícil — o texto é denso, técnico e exige separar a tese central ("ser") das armadilhas laterais (Deus, sujeito, razão).
- 🎯 Tema/Habilidade: Fundamentação da ética no ser (ontologia); competência de relacionar informações e posicionamentos filosóficos.
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Sobre o que Jonas apoia a fundamentação ontológica da ética?"
- Palavras-chave decisivas: ontologia como fundamento da ética, amplitude do ser, natureza das coisas
- Armadilha típica: achar que "não mais se baseie sobre a divindade" e "vítima do subjetivismo" apontam para religião (A) ou para o eu individual (B) — são justamente o que Jonas RECUSA.
- O que a resposta precisa demonstrar: que o fundamento buscado está no ser em sua totalidade (o cosmos, a natureza inteira), e não no ser humano isolado nem em uma autoridade externa.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Ontologia: ramo da filosofia que estuda o ser enquanto ser — aquilo que as coisas são em sua realidade objetiva. Fundamentar a ética na ontologia é ancorá-la no que existe, não em preferências humanas.
- Objetivo x subjetivo: Jonas diagnostica a modernidade como uma cisão entre o reino "objetivo" (a natureza, o ser) e o "subjetivo" (o sujeito, os valores). A ética moderna ficou presa ao lado subjetivo e por isso se torna frágil (relativismo).
- Ética de Jonas (O Princípio Responsabilidade): o valor não é projeção do sujeito nem mandamento divino; ele está inscrito no próprio ser, sobretudo na vida. Por isso a ética deve incluir a natureza inteira e as gerações futuras, e não apenas o interesse do indivíduo humano.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Só uma ética fundada na amplitude do ser, e não apenas na singularidade ou na peculiaridade do ser humano" → o fundamento é o ser em sua extensão total, superior ao recorte humano.
- Evidência 2: "tem que se fundamentar em um princípio que possa ser descoberto na natureza das coisas, para que não seja vítima do subjetivismo ou de outras formas de relativismo" → o alicerce é objetivo, encontrado na realidade universal, e serve exatamente para escapar do subjetivo.
- Síntese: o autor rejeita tanto a divindade quanto o sujeito individual e reconstrói a ética a partir do "lado objetivo", ou seja, a partir da natureza entendida como totalidade do ser. O fundamento é a compreensão do todo universal.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o problema que Jonas coloca
A modernidade separou "objetivo" e "subjetivo". A ética, ao migrar para o polo subjetivo, perdeu ancoragem e ficou exposta ao relativismo. Jonas quer reunir os dois polos — e afirma que a reunião só é possível "a partir do lado objetivo", isto é, revisando a ideia de natureza.
Subpasso 4.2 — Localizar onde ele reancora a ética
O novo fundamento não é o ser humano ("não apenas na singularidade ou na peculiaridade do ser humano") nem Deus ("não mais se baseie sobre a divindade"). É a "amplitude do ser" — o ser em sua totalidade — e o "princípio descoberto na natureza das coisas". Ou seja: a ética deve valer no "universo das coisas", tomado como um todo.
Subpasso 4.3 — Verificação
Traduzindo "amplitude do ser" + "natureza das coisas" + "universo das coisas" para linguagem de alternativa, chega-se a: compreensão da totalidade universal. Isso corresponde exatamente à letra D, e contradiz frontalmente A (divindade), B (indivíduo/subjetivismo) e as demais.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) afirmação da autoridade religiosa.
❌ Incorreta: o texto diz expressamente que se trata de uma ética "que não mais se baseie sobre a divindade". Jonas laiciza o fundamento moral e o desloca para o ser, não para a religião.
B) satisfação de interesses individuais.
❌ Incorreta: prender a ética ao indivíduo é o subjetivismo/relativismo que Jonas quer evitar ("para que não seja vítima do subjetivismo"). Ele nega justamente a "singularidade do ser humano" como base.
C) formação do pragmatismo utilitarista.
❌ Incorreta: o utilitarismo mede o bem pela utilidade e pelas consequências para os interesses humanos — outra ética centrada no cálculo subjetivo, oposta à fundamentação no ser objetivo defendida no trecho.
D) compreensão da totalidade universal.
✅ Correta: "amplitude do ser", "natureza das coisas" e "universo das coisas" descrevem a ética fundada no todo objetivo do cosmos — a totalidade universal como suporte ontológico da moral.
E) superação do modelo racionalista.
❌ Incorreta: o texto não discute nem tem por eixo a razão/racionalismo. O contraste central é ser objetivo x sujeito, não razão x outra coisa; atribuir isso ao trecho é forçar um tema ausente.
🏆 Gabarito: D — Jonas funda a ética na "amplitude do ser" e num princípio "descoberto na natureza das coisas", isto é, na compreensão da totalidade universal, e não no sujeito nem na divindade.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só D traduz "amplitude do ser" e "universo das coisas" como fundamento objetivo e total; todas as outras remetem a polos que o autor explicitamente descarta.
- Padrão de cobrança: o ENEM adora textos de ética contemporânea (Jonas, bioética, ecologia) exigindo identificar ONDE o autor ancora o valor moral — no sujeito, em Deus ou no ser/natureza.
- Generalização: quando o texto diz "objetivo", "natureza das coisas" e critica o "subjetivismo", o fundamento buscado é externo e universal, nunca o indivíduo.
- Dica de eliminação rápida: o próprio enunciado nega "divindade" (corta A) e "singularidade do ser humano"/"subjetivismo" (corta B e, por tabela, o utilitarismo de C) — sobram D e E, e E introduz um tema (racionalismo) que o texto sequer menciona.
- Conexões: Princípio Responsabilidade, bioética e ética ambiental/ecológica.
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