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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 56ENEM 2025 PPLCaderno azul · 1º Dia

A fome convive hoje com as condições materiais para resolvê-la. Vejamos um pouco mais de perto: a evolução recente da expansão do padrão agrário/agrícola vai nos esclarecer parte do mistério em que, mesmo com queda de preços, cresce a área plantada, aprofundando as contradições entre produção de alimentos e aumento da fome no mundo. A produção de alimentos vem sendo cada vez mais concentrada nas mãos de menos produtores. Acredita-se que se trata de um problema técnico ou de distribuição, seja de renda ou dos próprios alimentos.

PORTO-GONÇALVES, C. W. Geografia da riqueza, fome e meio ambiente: pequena contribuição crítica ao atual modelo agrário/agrícola de uso dos recursos naturais. Revista INTERthesis, n. 1, 2004 (adaptado).

O paradoxo apresentado no texto é resultante da

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geografia agrária, produção de alimentos e fome no mundo
  • ⚡ Nível: Médio — exige interpretar um texto denso e traduzir o conceito de "paradoxo da fome" para a alternativa correta.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Contradições do modelo agrário/agrícola contemporâneo; analisar a relação entre produção, distribuição e desigualdade no acesso ao alimento.
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "O paradoxo (sobra de alimento produzido + persistência da fome) é consequência de quê?"
  • Palavras-chave decisivas: paradoxo, produção concentrada, distribuição (de renda e dos alimentos)
  • Armadilha típica: achar que a fome existe porque falta comida (problema de produção) — o texto afirma exatamente o contrário.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que a causa está no modo como o alimento e a renda são repartidos, não na quantidade produzida.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Paradoxo da fome contemporânea: o mundo produz alimento suficiente para toda a população, mas a fome persiste — logo, o problema não é de escassez absoluta, e sim de acesso.
  • Concentração produtiva e fundiária: o modelo do agronegócio concentra terra, capital e produção "nas mãos de menos produtores", o que também concentra a renda gerada e limita quem consegue comprar comida.
  • Distribuição x produção: distribuir bem significa fazer o alimento e a renda chegarem a quem precisa. Quando essa repartição falha, sobra produto no mercado e falta comida na mesa dos pobres.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "mesmo com queda de preços, cresce a área plantada, aprofundando as contradições entre produção de alimentos e aumento da fome" → a produção está aumentando; portanto a fome NÃO decorre de falta de produção.
  • Evidência 2: "A produção de alimentos vem sendo cada vez mais concentrada nas mãos de menos produtores" e "problema… de distribuição, seja de renda ou dos próprios alimentos" → o eixo do argumento é a repartição desigual da renda e do alimento.
  • Síntese: se há alimento de sobra mas ele (e a renda para comprá-lo) não chega a todos, o paradoxo nasce de uma falha nos mecanismos de repartição.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Isolar o paradoxo

O texto monta uma contradição: recursos materiais e produção crescente de um lado, fome crescente do outro. Isso elimina qualquer explicação baseada em "falta de comida". A pergunta é: o que produz essa contradição?

Subpasso 4.2 — Identificar a causa apontada pelo autor

Porto-Gonçalves aponta dois movimentos: (1) concentração da produção "em menos produtores" e (2) um problema "de distribuição, seja de renda ou dos próprios alimentos". Os dois convergem para a ideia de repartição desigual: o alimento existe, mas os sistemas que deveriam distribuí-lo (mercado, renda, acesso à terra) funcionam de forma concentradora e excludente.

Subpasso 4.3 — Verificação

"Desorganização dos sistemas de repartição" traduz exatamente esse diagnóstico: a repartição de renda e de alimentos está desestruturada, favorecendo poucos. Bate com as duas evidências e explica o paradoxo sem contradizer o texto → aponta para a letra D.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) degradação das áreas de cultivo.

❌ Incorreta: o texto diz que a área plantada CRESCE e a produção aumenta; não há menção a solos degradados ou perda de capacidade produtiva. Degradação reduziria a oferta, o oposto do cenário descrito.

B) modificação dos hábitos de consumo.

❌ Incorreta: mudança de dieta ou de padrão de consumo não aparece no argumento. O foco é a esfera da produção e da distribuição, não a das preferências do consumidor.

C) estagnação dos níveis de produtividade.

❌ Incorreta: contradiz frontalmente o enunciado — a produção e a área plantada estão em expansão, mesmo com queda de preços. Não há estagnação, e sim crescimento produtivo concentrado.

D) desorganização dos sistemas de repartição.

✅ Correta: sintetiza a tese do autor. Há alimento suficiente, mas a repartição da renda e dos próprios alimentos é desestruturada e concentradora, fazendo a fome conviver com a abundância produtiva.

E) valorização dos modelos de agroecologia.

❌ Incorreta: agroecologia (produção sustentável e de base familiar) não é citada nem seria causa de fome. O texto critica justamente o modelo agrário/agrícola concentrador, não a agroecologia.

🏆 Gabarito: D — o paradoxo entre produção abundante e fome crescente resulta da desorganização dos sistemas de repartição da renda e dos alimentos, e não de falta de produção.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: D é a única que preserva a lógica do texto — o alimento existe, mas não é repartido; as demais ou negam o crescimento da produção (C), ou trazem causas ausentes do texto (A, B, E).
  • Padrão de cobrança: o ENEM adora o "paradoxo da fome" (produz-se muito, mas se passa fome), inspirado em autores como Josué de Castro. A resposta certa quase sempre remete a distribuição/acesso/desigualdade.
  • Generalização: quando a fome aparece num texto que fala em produção abundante, a causa é sempre distributiva (renda e acesso), nunca de escassez.
  • Dica de eliminação rápida: corte de imediato tudo que suponha "falta" ou "queda" de produção (A e C); descarte causas não citadas (B e E); sobra a distribuição.
  • Conexões: Josué de Castro (Geografia da Fome); concentração fundiária e agronegócio; segurança alimentar e soberania alimentar.

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