Mapa de questões · 1º dia
Questão 51 — ENEM 2025 PPLCaderno azul · 1º Dia
Espera-se que os princípios da nova ética da movimentação dos recursos genéticos, acordados em nível mundial, façam com que o guaranazeiro tenha a segurança da sua permanência apenas no Brasil. Desde quando surgiu o primeiro refrigerante de guaraná engarrafado, em 1907, essa bebida ganhou a simpatia nacional e, tal qual o chá, o café, o chocolate, entre outros, tem tudo para se transformar em uma nova bebida universal. Espera-se que, além da planta em si, esteja associado o aspecto geográfico, do qual o nome Amazônia seja também um novo produto a ser incorporado, transmitindo a ideia de pureza e da força da natureza.
HOMMA, A. K. O. Extrativismo vegetal na Amazônia. Brasília: Embrapa, 2014.
A preocupação apresentada no texto tem como objetivo a
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → geografia econômica da Amazônia, biopirataria e recursos genéticos
- ⚡ Nível: Médio — a interpretação é direta, mas exige diferenciar "proteger a produção" de "manter mercado consumidor".
- 🎯 Tema/Habilidade: Uso dos recursos naturais amazônicos e apropriação da biodiversidade (competência de relacionar produção econômica, território e recursos genéticos).
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual é o objetivo da preocupação descrita no texto sobre manter o guaranazeiro no Brasil?"
- Palavras-chave decisivas: movimentação dos recursos genéticos, permanência apenas no Brasil, aspecto geográfico (Amazônia) como produto
- Armadilha típica: confundir o objetivo (proteger quem produz) com uma consequência (vender mais, difundir ciência), marcando E ou A.
- O que a resposta precisa demonstrar: entender que impedir a saída do recurso genético serve para garantir que o benefício econômico permaneça na região de origem.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Recursos genéticos e biopirataria: a "nova ética" citada é o princípio internacional (Convenção sobre Diversidade Biológica, 1992, e Protocolo de Nagoia) de que o país de origem de uma espécie tem direito sobre ela e sobre a repartição dos lucros de seu uso.
- Lição histórica da Amazônia: a borracha (seringueira) e o cacau foram levados da região e passaram a ser cultivados em larga escala em outros continentes (Ásia e África), esvaziando a economia amazônica. O texto teme repetir isso com o guaraná.
- Denominação de origem geográfica: associar o nome "Amazônia" ao produto (como "Champagne" ou "café da Colômbia") transforma o território em valor de marca, um ativo econômico que deve ficar com a região.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "faça com que o guaranazeiro tenha a segurança da sua permanência apenas no Brasil" → o objetivo é impedir a transferência da espécie para fora, mantendo a cadeia produtiva no território brasileiro.
- Evidência 2: "o nome Amazônia seja também um novo produto a ser incorporado" → o valor econômico não é só a planta, mas a identidade geográfica regional, que gera renda para a Amazônia.
- Síntese: proteger a espécie e o nome do território equivale a blindar a fonte de renda da região — ou seja, defender a economia regional amazônica.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar a "preocupação"
A preocupação central é evitar que o guaraná siga o destino da borracha: ser retirado da Amazônia e cultivado comercialmente em outro lugar, o que faria a região perder o controle e os lucros da produção.
Subpasso 4.2 — Ligar a preocupação a um objetivo econômico-territorial
A "nova ética da movimentação dos recursos genéticos" existe justamente para garantir que quem detém a biodiversidade original colha os benefícios. Aplicada ao guaraná, ela assegura que a produção e a renda permaneçam ligadas à Amazônia. Somando a isso o uso do nome "Amazônia" como marca, o objetivo é claramente proteger a base econômica da região.
Subpasso 4.3 — Verificação
O objetivo não é ensinar (ciência), nem criar gado ou borracha, nem apenas vender mais para consumidores — é garantir que o valor gerado pelo guaraná fique na região que o produz. Isso corresponde exatamente à ideia de proteção da economia regional.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) difusão do conhecimento científico.
❌ Incorreta: o texto trata de restringir a saída do recurso genético e proteger renda, não de espalhar conhecimento. A lógica é de proteção econômica, não de divulgação científica.
B) ampliação da pecuária de corte.
❌ Incorreta: a pecuária de corte não tem nenhuma relação com o guaraná nem com recursos genéticos; é um tema alheio ao enunciado, ligado a desmatamento e não à proteção da biodiversidade nativa.
C) proteção da economia regional.
✅ Correta: manter o guaranazeiro no Brasil e usar o nome "Amazônia" como produto visa garantir que a produção e os lucros do guaraná permaneçam na região, blindando sua economia contra a perda vivida com a borracha.
D) expansão da indústria da borracha.
❌ Incorreta: a borracha aparece apenas como exemplo histórico de recurso que "escapou" da Amazônia. O objetivo é justamente evitar repetir esse caso, não expandir tal indústria.
E) manutenção do mercado consumidor.
❌ Incorreta: o texto fala do potencial do guaraná como bebida universal, mas a preocupação é com a origem e o controle da produção, não com preservar consumidores. Mercado é consequência; o foco é proteger quem produz na região.
🏆 Gabarito: C — a "nova ética" dos recursos genéticos e a marca "Amazônia" servem para manter no território a espécie e a renda que ela gera, protegendo a economia regional.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas C reúne os dois eixos do texto — permanência da espécie no Brasil e uso do nome geográfico — sob um mesmo objetivo econômico regional.
- Padrão de cobrança: o ENEM associa biopirataria e recursos genéticos ao debate sobre quem lucra com a biodiversidade; a resposta quase sempre gira em torno de soberania e economia do país/região de origem.
- Generalização: quando o texto fala em impedir a saída de uma espécie nativa e valorizar sua origem geográfica, o objetivo é proteger a economia e a soberania da região que a detém.
- Dica de eliminação rápida: corte de imediato as alternativas com temas ausentes (pecuária, borracha) e desconfie das que trocam "produzir na região" por "vender/ensinar" (mercado, ciência).
- Conexões: Convenção sobre Diversidade Biológica e Protocolo de Nagoia; ciclo da borracha e o caso Henry Wickham; denominações de origem e valorização de produtos amazônicos.
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